Poemas, frases e mensagens de Triste.Poeta

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Triste.Poeta

Se Poesia Houvesse...

 
Se Poesia Houvesse...

Se poesia houvesse
neste pobre rascunho,
talvez por ti vivesse
o amor que testemunho.

Se poesia tivesse
neste mau garatujar,
talvez amor nascesse
conjugado com amar.

Se poesia te desse,
à alma, alimento,
quiçá se perdesse
este meu vão tormento.

Mas poesia não há
que te comova mais;
nada é, nada dá,
que uns míseros ais.

Porém, se da poesia
lágrimas te roubasse,
a mão estenderia
e teu rosto tocasse.

Poesia não te dou,
nestas ocas erratas,
pois poeta não sou,
sou vilão de bravatas.
 
Se Poesia Houvesse...

Amores das 4 Estaçóes

 
Amores das Quatro Estações

Primavera

Primavera, meu amor, sós no campo,
verde pontilhado de mil mariposas
poisando em flores num frenesim
de cor enquadrado a ouro do sol.
As aves entoam cantos de louvor
doando aos sentidos a alegria.

E nós, de mãos dadas, caminhamos
suavemente, olhares no infinito
que se quebram num beijo de amor,
promessas de um futuro próximo.
Mas vogamos nesta natureza viva,
cada quadro é projecto dos dois.

Verão

Sob o sol escaldante, nossos corpos
se banham na água fresca do regato,
numa perfeita osmose com a natureza,
nus, inquietos de paixão, sedentos...
Te abraço, te beijo, te toco, tomo-te,
cicio amor e desejo, louvo-te a beleza.

Sem fadiga, rolamos na areia quente,
trocamos forças, risos, gritos e ais,
saciamos os nossos olhares ternos
em eternos olhares plenos de ternura.
Amantes, cúmplices de um todo único,
doamo-nos cientes que somos um só.

Outono

Este Outono cálido, envolveu-nos,
no caminho da ribeira que canta,
onde, abraçados, rimos de nadas,
beijámo-nos, furtivos amantes,
subimos a serra que do verde
se despedia em folhagem caída,
tapete e leito nupciais de nós,
ornados por sinfonias de adeus.

Quanto disséramos, não sei, importa?
Mas jurei com solenidade ao céu,
outro Outono seria nosso anfitrião,
por isso, meu amor, não me culpes
que este inverno, onde te aconchego,
eu desejar que passe mais depressa,
assim como a primavera e o verão...
Desejo outro Outono da tua nudez.

Inverno

Inverno que de branco se veste,
permite-nos refugiar na cabana,
da serra, em busca desse calor
que os nossos corpos desejam.
Isolados, cerramos a mente
às preocupações quotidianas.

Deitados em montes de peles,
beberricando licores de mel,
embriagamo-nos de doce torpor.
Ora adormecidos, ora acordados,
nossos corpos se satisfazem,
nossas almas se matrimoniam.
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Amores das 4 Estaçóes

Aldeia de Menino

 
Aldeia de Menino

Na aldeia, perdida no alto monte,
estreitada num vale verde,
rústica de odores matinais.
Meu olhar vagueia no horizonte,
limitado de céu e se perde
em mil sussurros adagiais.

Aldeia de fragrâncias naturais,
de cores divinas matizadas:
os verdes, os amarelos, os laranjas…
Os fumos do lar em espirais
voam como danças orquestradas,
pelo vento, em farrapos e franjas.

Minha alma rejubila feliz,
livre da escravidão de amores
inventados por cruel nostalgia;
Meu corpo, renova, qual petiz,
sangue, lágrimas, suores...
Esvai-se em vida de rebeldia.

Minha boca sorri, desabrocha
líricos de louvores eternos
à natureza pejada de vida;
Minha boca grita e desbocha
canções, desafios de infernos,
toada monocórdica perdida...

Desculpai aves, desculpa rio,
por quebrar as vossas melodias,
desculpa vento por seres arauto
do meu patético desvario.
Desculpai, cedo virão calmarias
para vós e dores para mim, incauto...

Na aldeia, meu paraíso real,
liberto do mal, perdido de mim,
sou menino travesso, sorrindo...
Por irmãs e por irmãos, afinal,
tenho a rosa, o cravo e o jasmim,
que me acenam - sinto-me bem-vindo!
 
Aldeia de Menino

Amar-te

 
Amar-te

Ah, se um sorriso teu aflora
em teus lábios numa promessa
de beijos, é a ventura de te amar!

Ah, se um olhar teu se esvai
radiante de teus olhos de mel,
é a alegria de te amar!

Ah, se um sussurro teu se evade
de tua boca ornada de mil desejos,
é o prazer de te amar!

Ah, se com as tuas mãos me afagas
o rosto e se perdem no toque,
é o desejo de te amar!

Ah, se teus braços lestos me envolvem
em abraços, terna e infinitamente,
é o êxtase de te amar!

Ah, se teu corpo amante ao meu
se entrega exigindo mútua doação,
é amar-te eternamente!
 
Amar-te

Adágio do Silêncio

 
Adágio do Silêncio

Se, um dia, alguém te disser
Que este amor é eterno
Deves logo desdizer
Que não foi mais que inferno.

Diz que nunca houve amor,
Não dormimos em alcova,
Jamais trocámos suor
ou vimos luas, cheia e nova.

Foste, nos meus olhos e alma,
Um adágio silencioso,
Um abjecto belicoso,
sem ternura, paz ou calma.

Foste o leito podre de água,
De coração estagnado,
O vazio, o erro, a mágoa,
O nada deste pecado.

Não serás jamais viola
Que tange nas cordas, vibrante,
Sussurros e gritos de amante -
Apenas ais por esmola.

Este adágio não existe,
Nem sequer é nasciturno,
Pobre acto taciturno,
Sangue sujo que esvaíste.

No silêncio do adágio,
Tentei amar-te, por plágio,
Mas em pranto irrompi,
Perante tal monstro, fugi…
 
Adágio do Silêncio

Se eu te Amasse...

 
Se eu te Amasse...

Ah! Se eu te amasse,
Quiçá te desejasse,
Ou ainda te sonhasse:
Morreriam as flores,
Ruiriam as cores,
Feneceriam dores!

Que seriam dos ventos,
Arautos dos lamentos,
E de amantes, tormentos?
Que seria deste mundo,
Submisso infecundo,
Neste sono profundo?

Quem esgotaria horas,
Esperando auroras
E manhãs trovadoras?
Amar-te? Que demência,
Seria a inexistência…
Amar-te? Que falência…

Não haveria magia,
Baile, corso, folia,
E tudo morreria…
Finar-se-iam paixões,
Cativos corações,
Em elos de traições.

Mas se eu te desejasse,
Teus lábios, eu beijasse,
E teu corpo, eu tocasse,
Não haveriam mais céus,
Nem odaliscas em véus,
Nem mais poemas meus!

E das rosas, os perfumes,
Das brisas, os queixumes,
Mortos por teus ciúmes?
Que luares prateados
Nos seriam ofertados,
E quão verdes os prados?
 
Se eu te Amasse...

Duelo Pessoal

 
Duelo Pessoal
(entre o poeta triste e o poeta demente)

"Meu amor, meu doce amor,
Meu gemido de lamento,
Poema da minha dor,
Minha paixão, meu tormento..."

Cala-te, maldito poeta,
não lamentes perdições!
Amor não é mais que treta,
dos amantes de paixões.

Às armas, oh insolente,
espadachim de papiros
e penas... Escriba demente,
de palavras e suspiros!

"Meu amor, meu amor terno ,
de meu coração, fugido
em trevas rubras d' inferno,
meu doce amor perdido..."

Mato-te, bastardo vil,
que me danas de tristeza!
Poupa-me teu choro servil
de lama, cinza e pobreza.

Vivo p' ra além da morte
anunciada, prematura.
Vida é mera aventura
de guerra, donzelas e sorte.

"Beijo, meu amor desejado,
minha lágrima vertida,
em teu licor adamado,
bebo-te, em despedida!"

Vai-te! Vai, morre, parte
de mim, louco mendicante.
Não me condenes, por arte,
aos grilhões duma amante!
 
Duelo Pessoal

Se

 
Se…

Se meu olhar,
se quedasse
no teu, perdido,
Se nesse mar,
navegasse,
destemido...

Se minha boca
A tua beijasse.
De ternura,
Se ávida, louca.
Nesse enlace.
Fosse doçura...

Se minha mão,
Te afagasse,
Desejando amor.
Se, com paixão,
Te sombreasse.
Do nascer ao sol-pôr...

Se minha alma,
Só vivesse,
De luz imortal,
Se a tarde calma,
Não trouxesse
Nuvens de temporal...

Se por ódio teu
Fosse amado,
Sangrando,
Se esse amor teu,
ornando doado,
Meu temor nefando...

Se juras de amor
Me negasses,
Em insano delírio,
Se à morte, não à dor,
Me libertasses,
Feliz meu martírio...
 
Se

Alucinação

 
Alucinação

És a minha realidade e o meu sonho,
a íngreme montanha escalada.
És o meu mais belo desejo secreto,
e eu a verdade que tanto almejas.

Permaneces irredutível,
mas não totalmente distante,
porque és um sonho de felicidade
e muito mais do que mera sorte.

És a minha mais bela ilusão,
és o pólo da minha juventude!
E na tua sombra está o eco
de tudo o que evocámos.
O meu coração tem uma história restrita,

Abandonado na dor e por desejo
no grande amor que te dedica.
A verdade é a tua alma de poetisa.
Onde nos beijamos, amantes
Perfeitos, no mundo do encontro
e de um desditoso adeus.

És a minha alucinação tecida,
A tua aura cheia de sol girou
fora deste meu inebriado sonho.
Que disse que serias, cruel,
apenas um volúvel encanto,
um símbolo farto de vaidade,
esmagadora, fria, desdenhosa.

Assim não existirias mais,
nem viverias dentro de mim,
pelo que choro no silêncio
do meu caminho errante.
Mas espero-te como o sol
no meu coração ferido.

Porém, és a chama que me abrasa
porque tudo que nós amamos,
teimosamente, nós vivemos!
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Alucinação

À Árvore

 
À Árvore

És a andorinha,
que o ninho
faz no caminho,
mesmo à beirinha.

Mais dia, dia irás
e morto,
sem raiz, torto,
aqui me deixarás!

Sou o ser mais feliz
do mundo!
O amor se desdiz
em ódio profundo.
 
À Árvore

Despedida

 
Despedida

Entre o penhasco e a floresta,
subo o íngreme monte pejado
de flores silvestres matizadas.
E nas trilhas ladeadas de giesta,
arfa-me erróneo o peito cansado
na teimosia destas caminhadas.

E, no penhasco, estaco atento
ao feroz fragor do mar na fraga,
ao piar das gaivotas esvoaçando.
E as ondas em renovado alento,
num vai-vem de perdida saga,
de laivos de espuma, chorando.

E o sol se refugia no ocaso fusco,
doando seu reino à noite estrelada,
que avança lenta, húmida e fria.
E eu, hirto, com meu olhar busco,
entender esta fusão tão arrimada
e perco-me na ilusão falsa de acalmia.

Do meu corpo dolente, se esvai a vida,
e, só, por última vontade, me despeço
sem regatear paixões frívolas de outrora. Amores foram ilusões de gente sofrida;
nada mais desejo, nem poemas ofereço,
fim - aqui me quedo - chegou a minha hora!
 
Despedida

Viseu, Terra Paterna

 
Viseu, Terra Paterna

Viseu, Terra Paterna,
Minha terra de maravilhas,
de pão, de lenho e vinho,
recortada no verde granito,
de gente esforçada de suor.
Terra bendita, meu solar berço,
Meu serrano quinhão d' amores.

Bela Sé de minha vontade cristã,
romana de raiz, elevada no gótico,
de claustros e azulejos teotonais.
Prisão imortal da moirama vencida,
ornamentados tesouros de cátedra,
Meu templo de amor divino e oração.

Viseu, terra de pastoris cenários,
de caçadas imemoriais em estátua,
a força da resistência de Viriato.
Viseu do Rossio dos meus mil amores,
do parque copado em fechado coração
abrigando cultos e danças eternas.

Minha Viseu embutida de carvalhos
e buxo, de jardins dignos d' alma,
padrão de Deus ornado p' lo homem.
Viseu, cava de trincheira entre rios,
fortaleza do ideal do guerreiro
caído pela traição de seus pares.

Viseu fortalecida de muralhas,
p' las suas gentes de torreão leal,
e dos seus moledos lajados de trigo.
Viseu, minha terra paterna de sonho,
de minha adoptada e feliz infância,
onde, férreo querer, me fiz escudeiro.

A meu pai.
 
Viseu, Terra Paterna

Triste Poeta

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