Poemas, frases e mensagens de Gabriel-Tavares

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Gabriel-Tavares

Desvairado

 
Desvairado
 
Eu amei um anjo

que me carregava com suas asas,
me guiava pela vida
e no fim me soltava.

Eu não pude jamais culpá-lo;
estava desvairado,
propositalmente culpado,
amarrado nas correntes da mente
com a chave ao lado.

Sem escrúpulos,
sem viés,
eu implorava por isso
e ressuscitava novamente.

Me afoguei lentamente
na poça de sofrimento
de alguém que sequer houve lamentos,
mas que brilha sem ligamentos

com sua auréola adjacente.
eu pude seguir em frente.
Mas com ele em minha mente.

Agora vejo:
ele não era anjo, nem demônio,
era apenas humano
com asas emprestadas
e medo de voar junto.
 
Desvairado

Nas minhas notas, ele vira poesia

 
Nas minhas notas, ele vira poesia

Transformo seus traços em liberdade.
Acentuo meus travessões em seu nome.
Cravo minhas vírgulas em seus detalhes.
Te descrevo impetuosamente, sem ressentimento.

Em seguida, te apresento o resultado,
clamando por resiliência.

Seus olhos revelam a verdade,
entregando sua verdadeira face.

No espaço entre as linhas,
percebi que já era eu quem pedia pra ficar.

Eu sei — teu amor nunca existiu fora de mim.

Mas, ainda assim, te amo.

Não por esperança,
mas porque é tudo o que me resta de bonito.
 
Nas minhas notas, ele vira poesia

Corpo em Ruína, Amor em Fogo

 
Te sinto tão perto que chego a sangrar,
como se cada respiração fosse lâmina.
Teu olhar perfura minha alma nua,
teu silêncio rasga minha pele por dentro.

Amamos e nos despedaçamos ao mesmo tempo,
cada abraço negado é martelo no meu peito,
cada gesto teu é faca que gira, lenta e precisa,
cada palavra tua é ácido queimando veias.

Estou preso a ti, como cão acorrentado,
mas tu és vento, imaterial e cruel.
Não posso tocar, não posso possuir,
mas cada célula minha te sente e te implora.

Meu coração é trincheira de dores repetidas,
onde prazer e tormento coexistem,
onde desejo se mistura à destruição,
onde amar é sangrar mil vezes sem fim.

E ainda assim, meu apego me corrói:
te quero inteiro, ainda que me fendas,
te quero mesmo que me dilacere,
te quero mesmo que eu morra um pouco a cada olhar.

Amar-te é suicídio cotidiano,
um amor que corta, que consome, que destrói.
E, mesmo assim, sou prisioneiro desse veneno,
porque um amor de mil facadas
não escolhe coração — ele o devora.
 
Corpo em Ruína, Amor em Fogo

Partes de mim

 
 
Não me deixe que suma!

Me coloque em um molde em seu quarto,
conte ao mundo que existi.
Repita os versos que escrevi sobre a vida,
decore meus pequenos gestos,
espalhe ao vento a minha melancolia.

Fale de mim, ainda que sem amor,
para que reste algo,
nem que seja uma sombra
daquilo que sonhei sozinho.

Pois assim não serei desarrazoado,
não serei papel em branco,

mas sim resquícios
de alguém atormentado.
 
Partes de mim

UM DIA VOCE LEMBRARÁ

 
Quem sabe um dia.

Você olhara para aquele espaço da sua mente,
Aquele escondido no fundo da sua alma,
E se lembrará de min.

Dos presentes que eu te dei,
Da minha intensidade mais que intensa,
Das palavras que eu dizia.

Confesso, fui demais,
Afoguei você neste processo.

Coloquei você nesse redemoinho louco do meu amor, e te baguncei mais do que já estava.

Eu me permiti mais do que devia,
Por achar que era você.

Me arrependo de tudo, mas faria tudo de novo, e aproveitaria cada momento que parecia ser reciproco.

Releio os poemas, as fotos, te descrevo em minha mente, mas, vejo que é tudo em vão.

Hoje, você nem deve se lembrar de min.

Apenas resquícios de alguém que passou por você.

De minha parte você nunca foi embora,
Se Instalou nas raízes profundas da minha mente, e de lá não quis mais sair.

De alguém que jamais te esquecerá
 
UM DIA VOCE LEMBRARÁ

Partida Serena

 
 
Brilhaste em meu senso
Juntando a pressa de algo,
Desesperado pelo inesperado,
Sigo inquieto com o que tenho
E obcecado pelo que se foi.

Não te julgo pelo que fizeste,
Nem te culpo pela extensão do breu.
Deixei-me levar pelos sentimentos,
E fui coberto pela melancolia.

Deixe-me partir rumo à sina,
E de lá seguir em frente,
Para apagar os meus pecados
E racionalizar minha mente.

Quero que sejas livre de mim,
E te abstenhas de minha ausência,
Pois caminharei por um chão de lágrimas,
Tudo para que você cresça.

No canto, esconderei
Essa dor que mora em mim,
E te mostrarei as flores carmesim
Com o sorriso de quem deseja ser feliz.
 
Partida Serena

Quando o Silêncio Não Me Cabe

 
Eu sou feito de emoções

Minha arte é o que sinto quando o silêncio não me cabe.

Eu transformo desejo, dor e amor em palavras—
pra dizer o que não sei dizer, pra amar sem precisar falar.

Para reformular coisas impostas em verdades.
Para transmutar consciência em inquérito.

Sou água — fluida e impetuosa,
mas moldam-me com seu espaço.

Diga-me inverdades e mostrarei o desconexo,
trarei luz ao que não pode ser dito.

E quando tudo for sombra,
me farei verso —
porque só assim continuo existindo.
 
Quando o Silêncio Não Me Cabe

Os que ficaram em mim

 
Os fantasmas me perseguem.
Eles me assombram,
me atormentam.

Não se vão — permanecem.
E eu já não consigo enxergar o mundo,
nem as pessoas.

Eles se aconchegam diante de mim,
ofuscando a minha visão.

Tudo o que vejo são eles:
ecos de pessoas que idealizei em silêncio,
fragmentos de rostos que inventei para preencher o vazio.

Resquícios de seres que mal sabem
que existe uma versão deles me acompanhando.

Perdi-me dentro da minha própria criação,
e agora não há mais saída.

Talvez…
seja esse o meu fim.
 
Os que ficaram em mim

O que fica do quase

 
Te conheci num acaso tão breve
que quase parece cena ensaiada:
um sorriso entregando página,
um gesto simples abrindo universo.

foi pouco tempo, eu sei,
mas houve verdade ali —
daquelas que não pedem licença,
apenas acontecem.

você, com seus silêncios cheios,
com o cansaço escondido nos olhos,
com o coração meio bloqueado,
mas ainda capaz de pensar em mim
ao fotografar a lua às três da manhã.

eu, com essa estranha coragem de sentir,
com palavras que sempre encostam
na PONTA DA LÍNGUA,
tentando não dizer demais
e, ao mesmo tempo, sendo inteiro.

fomos quase.
quase encontro,
quase começo,
quase destino.

mas dentro desse quase
houve algo inteiro:
o instante que vivemos,
o gesto que guardo,
a memória que não pesa.

talvez se fosse outro dia,
outro tempo,
outra versão de nós,
o caminho tivesse sido mais longo.

mas hoje eu entendo:
a beleza do que não continuou
ainda assim valeu a pena.

porque eu aprendi a me proteger,
e você me viu sem que eu precisasse
pedir para ser visto.

e no fim,
fica só isso —
a leveza de ter conhecido alguém raro
no momento errado,
e a certeza de que, mesmo breve,
foi verdadeiro o suficiente
para nunca ser esquecido.
 
O que fica do quase

Mausoléu de Cores

 
Me inspire a encontrar-me,
a esgueirar-me pela roda da minha mente,
a descobrir um sentido em tudo isso.

sem que eu perca a identidade,
sem que eu abandone a sagacidade.

Que pelo nexo eu diga o que tenho,
e te conte o que tenho a dizer.

Pois sem você eu me calo,
viro bicho,
explodo em algo cheio e confuso.

Guardo o que deveria ser dito,
e falo o que não podia ser falado.

Até que arranco as cores da minha vida
e te entrego

um mausoléu de cores.
 
Mausoléu de Cores

O Eco de Ti

 
 
Você me assombra.

Me revira pela mente, explora meus pecados,
Sem pudor, me torna caótico,
Transforma-me em alguém pior, melancólico.

Fico solto no relento,
Sem desejos, sem almejos.

Você se apossou de mim
Sem qualquer arrependimento.
Observou meu declínio,
E julgou meus lamentos.

Hoje sou insuficiente,
Totalmente dependente.
Arranquei meu “eu” do coração
Para dar espaço a você.

Agora, vagueio em silêncio,
Num vazio que ecoa teu nome.
Sou ruína do que fui,
Prisioneiro de uma sombra que não parte.

Esse poema descreve o sofrimento de alguém que foi usado... que serviu como hospital a outra pessoa e depois foi largado como nada.

Descreve os sentimentos da pessoa que passou e passa por essa dependência emocional.

O sujeito causador, apenas observa o declínio, se beneficiando da entrega da vitima.

O poema explora todas as feridas que são revividas pelo sujeito causador, todas vez que ele aparece e some.
 
O Eco de Ti

Pele de memorias

 
Recebi a flecha mais uma vez
Morri de dor, calejei.

Mas não sentirei novamente
Minha pele já guarda consigo as memorias dessa dor, desse rasgo...

Meu peito já sabido se ergue.
Grita e se recorda do que foi.

E agora me preparo para a luta.

E no silêncio que resta, me refaço.
Não por ausência da dor, mas por respeito ao que me tornei depois dela.
 
Pele de memorias

Carta ao desconhecido

 
Querido alguém...

Venho através dessa carta te informar o seguinte ocorrido.

Me sinto alguém só, meu coração esta deitado ao alento e parece não mais se importar com nada, ele esta cansado, sem forças, não enxerga coisa alguma.

Desde o ultimo ocorrido ele se recusa a abrir os olhos, se martiriza, se fecha.

Não consigo ajuda-lo e ele também parece não querer ajuda.

É como se estive-se em transe com algo que sabe que é a melhor opção
Ele sabe que não há escolhas, que não tem mais motivos...

Confesso tenho medo, medo de perde-lo, de não conseguir mais acessa-lo
De esfriar e perder a chama que sempre foi sua característica.

Eu até entendo ele, sei mais do que ninguém o quanto foi difícil
E mais do que ninguém de como será difícil se curar.

Sábado passado chamei um medico para examina-lo,
O medido deu o veredito, não há chances, não há cura, eu sem chão apenas pude aceitar, não há o que ser feito,
Ele se entregou ao alento e de lá não quer mais sair.

Por isso venho através dessa carta te informar,

Eu tentei...

Fiz o máximo que pude,
Nada conseguiu tirar os monstros que lhe atormenta
Ele foi envenenado, massacrado e não quer se recuperar.

Eu juro que fiz tudo ao meu alcance
Mas, foi tudo em vão.

Espero que quando esteja lendo isso, saiba que eu nunca fui covarde.

Nunca foi metade, sempre fui inteiro,
e mesmo assim.

Aconteceu o que aconteceu.

Lamento por ter me conhecido.

Do seu querido nada...
 
Carta ao desconhecido

Mortes em Mim

 
Arranco do peito
Esse fulgor de alguém
Do alguém que me faz
Do alguém do além
Que me tira do terço
E me joga também.

Se eu te escrever isso
Arranco minhas palavras
E sigo pela penumbra
Mantendo em véu o que é meu.

Noite adentro termino meu jaz
Remonto minhas peças
E faço um jardim
Em outro dia, lamento as mortes
E clamo por todos que não tiveram o meu fim.
 
Mortes em Mim

E Ainda Assim, Fico

 
Eu trago te em minhas mãos o inesquecível
Fraturo os ossos que me sustentam
Meus gestos são fatos finais de um livro
Repondo as dores que me atormentam.

Meu poema lúdico repassa o sofrer
De uma coisa inerte ao sofrimento.

Te declaro não tenho culhão
Deixo me levar pela linhas de um Inato
E entrego o controle sobre meu ser.

Fiquei solto pelas entrelinhas
Amargurado pelo gosto do talvez
Embriagado pelas possibilidades.

E ainda assim, permaneço.
Mesmo sangrando, mesmo ciente,
fico aqui — amando-te nas ruínas,
como quem encontra beleza no próprio fim.
 
E Ainda Assim, Fico

Renascer Dói

 
Cravei o mastro no chão.
Lancei ao vento minha chegada.
Deixei a vista completa e inata.

Me olhei no reflexo e enxerguei o absoluto.
Brilhei como nunca — ao me ver.

Fiz histórias com minha conquista,
clamei ao pódio que eu nunca alcancei.
Soltei as amarras que me prendiam,
absorvi a luz como se fosse a primeira vez.

Mas há dias em que o brilho me cega,
e volto a temer minha própria claridade.

Ser luz dói —
porque, pra brilhar, precisei morrer muitas vezes.

E às vezes me pergunto
se ainda sei existir
sem a dor que me criou.
 
Renascer Dói

Amanhecer

 
Ao amanhecer

Senti o primeiro abraço do sol.
Coloquei meus pés no chão
e andei pela primeira vez.

Sem corda bamba,
sem pisar em ovos,
sem pesar o caminho.
Eu apenas escolhi o caminho e segui adiante.

E agora, não duvidarei, não tropeçarei.
Meus caminhos eu mesmo farei,
e ao fim mostrarei minha façanha.

Eu irei crescer, serei gigante,
completamente invicto.

Sem corda bamba,
sem pisar em ovos,
sem pesar o caminho.

Pois eu escolho a vida,
a luz, o renascimento.

Voltarei masterizado.
Recolherei meus artigos,

e viverei o impossível.
 
Amanhecer

Espelhos d'água

 
Que vontade de ter você.
Que vontade de perguntar
se ainda é cedo.

Que vontade de merecer
um canto do seu olhar.
Mas tenho medo.

Deixe-me te olhar mais um pouco,
quero te amar —
deixe-me te amar.
Serei plenitude, inteiro.

Teus olhos são espelhos d’água,
refletem o que há
de melhor em mim.

Estou preso nessa teia
entre medo e decisão,
coerência e imensidão.

E essa vontade, que não cessa,
volta mansa, quase prece:
será cedo te amar?
 
Espelhos d'água

Aqui jaz alguém que não pode ser metade.

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