Inicio de uma AMIZADE
As cores difusas do universo nos uniu, até quando ambos não sabemos, da minha parte, apenas sei que me sinto bem a teu lado, não me importa o tempo, mas sim a qualidade e intensidade com que esse é vivido, obrigado.
Diogo Cosmo ∞
03-10-2025
Ah… que bela sincronicidade do Universo!
A perfeita escolha,
Em dar ouvidos a minha intuição querida,
Que me colocou a caminho dessa entidade cósmica.
Ah… belo universo,
Que me empurrou em direção a suas lindas palavras
entoadas,
na suave brisa dum fim de tarde solarengo,
enquanto ao longe se ouvia o comboio das oito, e na minha frente seus olhos verdejante com seus cabelos ao sabor dessa brisa. Complemento perfeito de um deus do mar a me guiar.
Athanís Mesmerri
03-10-2025
Traída por Mim
Traída por Mim
Fui traída.
Traída por mim
em acreditar.
Acreditar em um amor
depois de tantos
“eu te amo”
sobre copos.
Fui traída por mim
em acreditar em seus olhos,
na doçura de suas palavras,
nos gestos gentis,
nas lindas músicas românticas.
Fui traída por mim
em acreditar
que me amava,
que me desejava.
Todos os sinais
tão visíveis a olhos nus.
A falta de atração física.
A falta de presença.
As desculpas.
Os tantos afazeres.
Os tantos compromissos.
Uma ligação.
Duas.
Três.
Todas rejeitadas.
Por um compromisso.
Por falta de ver.
Por falta de ouvir.
Por falta de crer.
Um amigo.
Uma amiga.
Um cliente.
Uma social.
S O C I A L I Z A R.
Afinal,
cadê nosso olhar?
Mas um copo.
Dois.
Três…
Sequência.
Contacto?
Depois de dois, três…
pausa.
Romance
intermitente.
Calor?
Não depois de dois,
três…
Já não há calor.
Sabor.
Ardor.
E eu…
Definhei.
Desejei.
Decidi.
Deduzi.
Quero amar.
E quem sabe
se eu…
Um copo,
ou dois,
três…
Ah,
não dá.
Não sou eu.
Talvez
não haja nós.
Me iludi.
Ou estraguei tudo.
Vamos deixar assim.
Condiz mais
com o que veem de mim.
Ah, doce vítima.
Doces circunstâncias.
Não, nobre caro observador.
Doce roda.
Rude roda.
Ah…
livrei-me da roda.
Não tive amor.
Tive, talvez,
dor.
Mas arrotei,
falei,
e salvei-me
da mentira
disfarçada de realidade.
Preservei-me.
E dessa roda
não levo talvez o amor,
mas levo
a certeza
de quebrantar
o dissabor.
Entornou-se o café
Sentada a mesa
Cabeça um turbilhão de pensamentos
Tento silenciar a mente ao olhar pela janela
Sirvo minha xicara com o café passado pela manhã
Busco meu grimório de pensamentos e deixo aos meus olhos para escrever o que turbilha a
mente
Ao toque esta meus sonhos?
Sim em palavras energeticamente expostas em folhas modestas tão brancas
Debussy toca suavemente suas melodias magicas,
E a xicara entorna derrubando o café em minhas páginas em branco
O desenho a mesa seu líquido escuro
Afasto meu grimório já manchado para o lado
Olho para o café que já não o poderia beber
Como a vida esta representada e poética
Uma vez manchada jamais recuperada
Porem com a experiência do líquido quente e aromático em seu corpo que não é mais o que
era antes.
Áthanys Mouro
Escolhas
Não se engane,
todas as escolhas ao qual se toma
ao abrir os olhos pela manhã,
no momento agora
que é o único que existe
têm um preço.
Esse preço não é pago no agora,
elemento factual de que a fatura desse crédito
será lhe cobrada
na desassociação do tempo,
até que você tenha a consciência do mesmo.
Essas inúmeras escolhas
são as inúmeras possibilidades
ao qual a física mostra-lhes.
Mas, claro,
ter o diploma da ilusão
e as lentes coloridas da miopia em seus olhos
jamais lhe permitirá enxergar tão longe,
e ver que a perspectiva do amanhã
será inútil.
Digo-lhes, amados:
qual a esperança?
Esperar pelo Salvador
a descer do céu?
Se esse habita em você…
Acreditar…
ah, temos que acreditar então
no senhor Dinheiro.
É a ele que se dá
cada segundo do tempo.
Então trabalharemos incansavelmente
para termos tempo
em troca,
daremos o Agora.
Suicidar-se-á nesse ciclo vicioso e quando, claro,
lá chegar,
talvez não tenha mais tempo.
O café já terá esfriado,
a paixão do matrimónio já terá esfriado,
e os meninos já terão crescido.
Me despeço de vós, irmãos.
Espero encontrá-los logo mais
no oceano onde habitam as estrelas.
“A que nasceu poeta
e obra-prima do universo,
a que escreve por você
e de você.”
Athanís Mesmerri
Luxemburgo - 10:20am
Observo
Sinto o aroma…
já paro.
Ah, forte lembrança
de tempos já esquecidos,
que relutam
para rasgar o meu âmago,
distorcido
pela realidade distópica
e tão real.
Assim dizem…
Pois…
ouço-lhes.
Recuso-me a escutá-los.
Como fez José Régio:
“Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
por que me repetis: ‘vem por aqui’?”
Paro.
Olho não me importa.
Logo sento-me.
Ah… que aroma.
Delicioso.
O tabaco.
O charuto
que ainda não fumei
para o propósito esperado.
Breve…
Eis-me aqui:
a ouvir vozes
não ruídos.
Vozes
de todo o mundo.
Ah, linda, doce menina…
Que menina?
Linda, doce mulher.
Sou eu
a poeta.
De volta,
rasgando o útero,
a voz
e a escrita.
Aqui,
a observar.
Athanís Mesmerri - Luxembourg 24/04/2026 - 16:50
Olá Tempo
Olá tempo.
Olá, tempo.
Estou hoje aqui a sentir-me a mim,
A apreciar minha própria companhia,
Sem ruídos,
Somente a mim.
Ouvindo o som das ondas a bater nas rochas,
A ver o fim do sol a se cansar e, às escondidas, encontrar com a lua.
Virei em sentido contrário e vejo ela,
Tão linda,
Quase cheia,
Assim como eu.
Olho a minha rosa,
Rosa vermelha.
Me presenteei.
Almejo flores em vida,
Talvez por ter vivido um grande período em morte.
Hoje assumi a mim mesma,
Como testemunho, o sol, a lua e o mar.
Ah, claro,
E as rochas,
Assim como eu!
Assumi.
Sou uma romântica,
Lapidada pelo tempo,
Pelas águas
E pelo fogo.
E, sozinha nesse momento,
Brindo a mim,
Às minhas sombras,
E também à minha luz.
Athanís Mesmerri
Sentada ao ver o fim do dia se pôr a melodia do mar a bater nas rochas.