Poemas, frases e mensagens de O-tavico

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de O-tavico

No silêncio da noite

 
É no silêncio da noite
Que eu chego a uma casa Abandonada
Cheia de nada
Nem bato à porta
Ninguém se importa
E fico-me pela entrada
Dois metros quadrados de solidão
Em céu aberto
Bem assoalhados de papelão
Onde me deito e ajeito.
É no silêncio da noite
Que me liberto da pressão
De vos fazer confusão
Porque ninguém me vê
Ninguém me lê
Logo, ninguém me ignora
E completamente vazio
O sentimento é de frio
Por dentro e por fora.
É no silêncio da noite
Que sou igual a toda a gente
No silêncio da noite
Até podia chorar
Mas estou seco
Até podia sonhar
Mas como saio deste beco
É no silêncio na noite
Que eu me encontro
E depois do sono
Quando acordo me abandono .

otavico
 
No silêncio da noite

Porquê?

 
PORQUÊ ?

Porquê!? só a morte de um amigo
Nos confunde em marés de emoções
Emolduradas com tantas questões
Numa partilha de tamanho castigo

Numa impotência que nos condena
Nuns olhares de palavras mudas
Num apaziguar de bocas linguarudas
Ao pesar aquilo que não vale a pena.

Numa raiva onde desmoronamos
Numa vida tão injusta e atroz
Em lágrimas que nos abafam a voz
Na verdade em que não acreditamos.

É essa a verdade que se atrasa
E nos encontra bem mais tarde
Quando nos aperta a saudade
E por uns momentos nos arrasa.

É com muito amor que as evito
Essa verdade e saudade em mim
A vida de um amigo teve um fim
Mas em minha alma o ressuscito.

Tenho-te bem vivo na memória
E apraz-me rever cada passagem
Com o mundo ouvinte da história
Que conto em tua homenagem.

O-tavico
 
Porquê?

Olhos nos olhos

 
Olhos nos olhos
Os teus
Que entram nos meus
De mansinho
Com sonhos envoltos
Nos meus
Em mistérios soltos
Que adivinho
Tão fascinantes
Aos meus
Mas algo distantes
A medo
Com sede do amor
Dos meus
Guardando essa dor
Em segredo.

Olhos nos olhos
Os teus
Dizem que amas
E para ti reclamas
Da ilusão
Uma hipotética
E quase poética
Paixão.

Olhos nos olhos
Em palavras breves
Dum poema que escreves
Harmonioso
Vou-te lendo
No olhar que entendo
Silencioso.

Olhos nos olhos
Nos teus
Um negro adocicado
Nos meus
Um verde encantado
Por ti
Que me provocas e recordas
Do amor e me acordas
Da tristeza onde caí.

O-tavico
 
Olhos nos olhos

Duvido

 
Ai se eu pudesse ausentar-me de mim
Para me encontrar comigo e a sós
Dar ouvidos à minha voz
Para me rever em carne e osso
Poder me entender
Mas duvido se posso.

E só cá entre nós
Se eu pudesse voltar para mim
Estalar os dedos e assim
Recuperar um velho amigo…
Mas duvido se consigo.

Ai se eu pudesse apagar a distância
Do tempo que me separa
Entre a tristeza e a infância
A felicidade coisa rara
Vê-la-ia na minha cara
Mas o meu presente não pára.

Ai se eu fizesse caso daquilo que digo
Nunca fiz e talvez nunca faça
Pode ser até que me aconteça
Para minorar o meu castigo
Pode ser até que eu apareça
Para falar a sós comigo.

Otavico
 
Duvido

Fujam de mim

 
FUJAM DE MIM

Fujam de mim, porque estou a ficar louco
Dizem-me agora que não tenho futuro
Que já não bato muito bem do coco
Por crer em valores que em mim apuro.

Por crer no amor, por crer na amizade
Que poisam no mundo como pó
Mas eu não sacudo a sinceridade
Mesmo que a mentira me veja tão só.

Podem achar que não alcanço a cura
Mesmo que me considerem condenado
Deixem-me seguir nesta minha loucura.

Vejam-me perder por ser bem educado
Ganhando outros com outra postura
Pois o que perco não me tem faltado.

Otavico
 
Fujam de mim

Velha amiga

 
Eu sou uma velha árvore erguida
Mãe de tantos filhos sem parto
Se quiseres posso simbolizar a vida
Que espreita pela janela do teu quarto.

Meus ramos são teus sonhos que se erguem
Aos céus de onde vem cada resposta
Ás muitas perguntas que te perseguem
Enigmáticas na realidade que te é imposta.

Minhas folhas são a esperança que floresce
Em ti e por cada ano que consomes
E guardam cada sonho que te remexe
No teu leito aconchegante enquanto dormes.

O meu tronco grava os teus momentos felizes
E preserva-os bem entranhados na terra
Onde absorvem felicidade as tuas raízes
E as separam do joio de quando se erra.

Minha sombra são os teus infundados medos
Que isolando só te escurecem na silhueta
Desta amiga que transforma os teus segredos
Em folhas brancas ansiosas por um poeta.

O-távico
 
Velha amiga

Quando a noite cai

 
Quando o dia namora
A noite, ainda criança
Há um fascínio que lança
Felicidade nessa hora
E vai a luz na esperança
De voltar pela aurora.

Aos passos da luz se aliam
Sentidos, saudosos por ver
E ouvir ao entardecer
Cantos que em coro, desciam
Lembrando o recolher
Que os pássaros anunciam.

Enamorados trocam de sons
Olham-se, fazem caretas
E desenhando silhuetas
Sorriem, coram-se de tons
Para inspiração de poetas
E tantos com outros dons.

Neste céu, feito lençol
Transparecem emoções
E amparando solidões
Beijam-se no velho farol
As iluminadas paixões
Por um lindo pôr do sol.

Partiram entre ruelas
Passeando pensamentos
E deliciando momentos
Vão espreitando janelas
Subindo aos monumentos
Produzindo vistas belas.

Para esse passeio bonito
Convidaram-me, quis ficar
A ver onde acaba o mar,
Onde se esconde o infinito,
Onde a noite cai a sonhar
E o dia dorme, bendito.

O-tavico
 
Quando a noite cai

Lilás

 
L I L Á S

Juntei, com um desejo audaz,
Um pouco de azul do infinito
Ao imenso branco da paz
Em que acredito,
E ao azul claro
Que compreendo
Juntaria o verde esperança,
Que ainda é do meu amparo
Desde o tempo de criança,
Mas, não te vendo,
Logo hesitei,
Porque o marinho raro
Seria apenas o do teu olhar
E não o todo que sonhei
Para me entregar,
Então, num derradeiro preparo
Ao tal azul claro
Dou uma gota de mim
Em vermelho de vida
Sentindo que assim,
Compreendida,
Estonteante virás
Para o meu amor
Na tua cor
Preferida
Lilás.

O-tavico
 
Lilás

Enfim só 1

 
Sem motivo ou porque não tive
Um momento meu neste dia
Quero ir com a alma livre
Ser da noite companhia
E se algo houver que me avive
A inspiração, ou talvez não
Faço desta vida o meu livro
Que quero ter sempre à mão.

O-tavico
 
Enfim só 1

Grito

 
O ínfimo lado louco
Não me entrega
Com tão pouco,
O que há na terra não me chega
Já me cansa
E numa noite nua
Esta ambição avança
Até á lua,
Também sem graça,
E a trespassa
Até ás estrelas
Onde no meu sonho
Me desavergonho
Pelas suas janelas
E contemplo
Cada exemplo
Que a imaginação
Me oferece
E na absorção,
Como quem merece,
Uma breve fuga
Á tristeza
Ou com subtil leveza
As lágrimas enxuga,
Um enorme grito
Eu debito
Mas insaciado
Não me impeço
Ao regresso,
Aliviado.

O-tavico
 
Grito

Á luz do amor

 
Tomo posse
De ti, meu doce
Que te derretes
Como um suspiro
Ao calor de minha boca
E te repetes
Se eu respiro
Nesta sede louca .

Sede que mato
E te arrebato
Com beijos molhados
De água crescente
Nos meus lábios atrevidos
Sentindo, delicados,
O prazer ardente
Nos teus rendidos.

Em cada poro
Que te exploro
Dás-te um pouco mais
Como uma flor
Que á luz se deleita
E em arrepios sensuais
Á luz do amor
És paixão perfeita .

Faço poética
A partilha frenética
De prazer consumado
Com um olhar terno
De respiração gemida
E meu coração saciado
Como se fosse eterno
O amor na vida .

O-tavico
 
Á luz do amor

O Sino

 
O Sino

Incessantemente lá do alto
Já toca o sino pela aurora
Solta-se um breve sobressalto
Cá, por quem teve a sua hora.

Quem será? Pergunto ao vento
Que nos transmite com perícia
O que é. de morte em sentimento
E que a igreja faz em notícia.

Toca o sino já alguém chora
Oiço aqui, vem do vento norte
Um pesar por tão triste sorte,

Mas quem a morte sente por fora
Sabe que há vida depois da morte
Não perde tempo, não se demora.

O-tavico
 
O Sino

Dilema

 
Com franqueza!
Fujo do egoísmo
Sem pragmatismo
E cansam-me a beleza!
Mas em minha defesa
Com a solidão á vista
Encontrei uma pista
Entrei num dilema
Criei um poema
Fui egoísta.

Otavico
 
Dilema

Alívio

 
Há uma arrogância aparecida,
Espontânea e indesejável amargura
Num gesto desta, já gasta, vida
Que me distrai uma ténue ternura.

Condeno-me na tristeza de um dia
Pela arrogância irrefletida que saiu,
O controlo do momento que me fugia,
E o arrependimento logo me perseguiu.

Uma pressão, por isso, acumulada
Escorre-me, em lágrimas, pelo rosto
Como um grito duma alma aliviada.

Abre-se no meu perfil recomposto
Um sorriso de companhia agradada
E uma expressão de gentil no rosto.

tavico
 
Alívio

Homem vazio

 
Homem vazio

Noutro fugaz intuito
Meu, de alcançar o horizonte
Alguém que anda a monte
Dá-me um encontro fortuito,
Um ser, nunca vi, tão vazio
Que, sem eu querer, me dá pena
Ver esperança tão pequena
E só, em tal desvio.
Quero tratá-lo de amigo
Ao homem que não me dá mão,
Desconfio de solidão
Que não tem o coração consigo,
Literalmente me disse
Que dinheiro já não tinha
Nem um emprego lhe vinha
Nem nada que lhe sorrisse,
Que morreu para a amizade,
Numa família onde está a mais
É órfão de deus e dos pais
Com saudades de ter saudade.
Ó homem de coragem louca
O que eu disser às condições
Em que vives, serão palavrões
Pois sem palavras me fica a boca.

O-távico
 
Homem vazio

CHUVA

 
A Chuva

Não sei porquê,
A chuva alvitra-me o passado
Talvez no acizentado
De ambos, me dê
Uma leve sensação
De ver o tempo parar
E nessa breve ilusão
Me deva reencontrar
Com a inevitável nostalgia
De onde vive a alegria
Que lá teima em ficar

Não sei porquê,
E não somente
Com a chuva bonita,
A vida me mente
E a alegria me evita
Mas sei que transbordo
Páginas de ânsia
Porque do que recordo
Uma curta distância
De mim se prevê
E me comove,
Mais quando chove,
Não sei porquê .

O-tavico
 
CHUVA

Em contramão

 
O amor não me abandonou
Ainda me vem a sede de amar
Foi a vida que me amargurou
O coração, que saiu do lugar
E me fez assim como sou:

Um viajante num deserto
Entregue a desvarios
Com o horizonte encoberto
Onde não há caminhos nem desvios
Onde o rumo é tão incerto.

Um apaixonado em contramão
Que se vê agora perdido
Em busca duma paixão
Que corre noutro sentido
A par da vida e da razão.

Vou ainda a par de nada
E me tarda o que procuro
Pois a vida não é uma estrada
Nem a sede que descuro
Vem de esperança saciada.

Porque o erro em que estou
E me deixa assim triste
Vem do amor que não dou
Pois é em dar que ele existe
E é para lá que agora vou.

O-tavico
 
Em contramão

Mulher

 
M U L H E R

M ulher pode ser flor,
U m sinónimo de amor
L uz, paixão e perseverança.
H umanamente protectora
E é por ser tão lutadora
R azão para ser esperança.

R i e por dentro chora
O uve e com alma sente
S ofre e não se vê por fora
A ma e ao coração não mente.

F ilhas, mães e avós
L igadas pelo destino
O rgulhosas trazem na voz
R estos dum parto divino.

O-tavico
 
Mulher

Cabisbaixo

 
Ò Pedras da Calçada
Sois filhas de rochedos,
Que tão bem guardam segredos,
Ò pedras da calçada
Chão desta passada
Que se esvai,
Também guardai
Deste que aqui vai
E não contem nada
A quem lá vem.
Sabeis bem
Que em vós nada perdi,
Tão pouco acho
Nem nunca vos sorri,
Cabisbaixo.
Sei que me ouvem
E que calam
O que os pés falam
De quem tropeça
Numa arrelia
E sofre à pressa
Baixando a cabeça.
Sereis vós sem alegria
Dos passos que ouvistes,
Do esvoaçar duma folha,
Duma rua vazia
Como as vidas
Da tristeza que vos olha
E que assistes,
Desinibidas,
Sussurrando melancolia
Num passeio dos tristes
E sem escolha.
Eu já vos vi,
Não aqui,
Outras
De outra sorte
Espreitando montras,
Gemendo com carros,
Em moradas de morte,
Fumando cigarros,
Enfim…
Mas, feliz por elas
Lembro aquelas,
Outras,
Pousadas num jardim,
Rodeadas de flores
Testemunhando amores
E sorrindo para mim.
Serão todas assim
Quando eu, já
De cabeça levantada,
Voltar cá
A pisar a calçada.
Em boas marés
Posso nem as ver
Mas irão, elas, entender
Porque os meus pés
Vão-lhes dizer.

O-tavico
 
Cabisbaixo

Simpatia

 
Passou por mim sorrindo
Trocámos um leve bom dia
E então lá fomos indo
Semeando simpatia.

A Saudação de magia
Veio sincera e sentida
Ofereceu-me um bom dia
Apaixonei-me pela vida.

Com a alma rendida
Pelo aroma de mudança
Numa paisagem florida
Vi o amor ainda criança.

Meu coração vai atento
Com um olhar apaixonado
Acho lindo o cinzento
Já o azul vejo dourado.

Sem varinha de condão
Não é segredo, revelo
O milagre da paixão
Mostra-me tudo tão belo.

A monotonia é pintada
Dá cor à minha sina
A tristeza vai cansada
A alegria vem rotina.

Tal gesto se resume
E retribui num concelho
O jeito vai no costume
Cola o sorriso no espelho.

O-tavico
 
Simpatia

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