HÁ PESSOAS COM O “REI NA BARRIGA” …
Há pessoas com o “rei na barriga” …
vivem do escárnio e maldizer…
cospem, blasfemam, são intriga…
e até invejam o sol, prestes a nascer!...
Dia e noite, noite e dia, a bitola
é sempre a mesma: serem o oposto
de quem aprendeu e tem escola…
caminham p´la vida, a contragosto!...
Olham os outros com sério desdém…
enchem-se de ares, mas não objectam,
quando se deparam com alguém
que lhes faz frente. Então, projectam,
onde ninguém as vê, tudo do pior
que nelas existe, contra quem se fez
gente como às gentes!… Foi melhor -
ignorando todo o fel e desfaçatez.
Jorge Humberto
02/04/2026
AS VOLTAS, DAS VOLTAS DA VIDA
Um grande amor os separou,
para saber do seu tamanho,
quanta a saudade e o que ficou
dos idos tempos de antanho.
Para ambos um recomeço
e o início de uma nova história.
Se vão conseguir, desconheço,
que ninguém cante vitória…
Que, quando bate forte o coração,
mesmo estando separados,
o espanto veste-se de emoção,
a alma e o sangue são esmagados.
E assim, quasi destroçados,
a cada um o seu intento,
ela, ficou em seu país, abençoado…
ele, nem tempo teve, para o lamento.
Chegando então a Portugal,
pelos céus azuis do Atlântico,
trouxe consigo no bornal,
as primícias de um novo cântico.
Hoje, corre estradas e distritos,
numa empresa, de grande porte,
nunca foi dele criar atritos
nem de caminhar ao desnorte.
Quem sabe o dia do amanhã,
dos amores não renegados,
nos caminhos, levados com afã,
na vida destes dois apaixonados?
Se o amor, de ambos, concebeu
filha amada, pelos seus pais,
eis, foi isto, o que Deus prometeu:
sozinhos… nunca, nunca, nunca mais.
Jorge Humberto
23/02/2026
AMAR… AMA QUEM PODE
Se um dia, procurando por mim, só um nome restar,
E a pedra vos pareça fria, como a um quadro sem relevo
Ou traço, verão que, ainda assim, aonde a erva brotar
E a flor for a flor mais viçosa de todas as flores, sou eu quem
Vos sorri, sem grandes pretensões, é certo, na certeza porém
De que continuarei a amar, quem ama por querer bem.
Jorge Humberto
(23/03/2004)
AMIGOS PARA SEMPRE (quadras para Nhô)
(quadras para Nhô)
Que bom é brincar contigo
sorrirmos ao mesmo tempo
se queres que seja teu amigo
de mim nem pena ou lamento.
Gosto de te ver todos os dias
no trabalho a trabalhar
acabam-se-me as agonias
quando comigo te pões a falar.
Que graça tens no teu reino
princesa da noite e da lua
dás-me a volta, mas eu teimo
em ser-te cortês… e continua.
Mas, isto ainda te quero dizer:
quem vê caras não vê corações
mal não tem em disto saber
nem quando há contradições.
Jorge Humberto
17/11/2025
IN MEMORIAM (a minha mãe – lembrança eterna)
Quatro anos de superação
a saudade que não renuncia
o abordar de um novo dia
com o mesmo amor no coração.
Corações distintos, mas só um
que de entre os dois encarnava
afectos iguais, que guardava
o que era nosso e de nenhum.
Minha mãe, sei bem onde vives,
pois és santa no azul celeste;
só a má doença te foi agreste,
mas ainda é aqui que sobrevives
neste reduto e nestes caminhos
onde jamais seremos sozinhos.
Jorge Humberto
17/07/2026
AOS MEUS AMIGOS IDOSOS, BEM-AVENTURADOS
Juntos, olhos nos olhos,
mostramos nossa candura,
com capricho, frescura,
que guardamos aos molhos.
Caíram geadas e orvalho,
dos nossos avós, as histórias,
e ainda nos restam memórias,
preservadas com trabalho.
Na pintura ou no recorte,
(«o hábito que faz o monge»),
fomos ontem e somos o hoje,
e é esse o nosso porte.
Vamos de viagem, excursões,
correr Portugal, lés a lés…
podem arrefecer-nos os pés,
mas nunca nossos corações.
Ser idoso e vivermos sozinhos
não é de todo o nosso lema,
temos de entrar no esquema,
nós não somos coitadinhos.
Eis os anciães da minha Terra,
onde o céu é azul e predomina,
basta termos autoestima,
respeitarmo-nos… e encerra!
Jorge Humberto
09/08/2026
LONGE VÃO OS TEMPOS AMOR, LONGE, MAS A EXISTIR
Oh, ternurento amor, que não esqueci,
por mais que a vida me atormente,
subtraia-me os sentimentos, o que vi
e vivi, não me há-de negar, eternamente,
o meu pedacinho de Céu, junto a ti!
Se recordo em mim, teu corpo quente…
E, nos meus sonhos, acordado, és aqui…
que demónio ou bruxedo, persistente,
teime tanto assim, me queira confundir,
tudo quanto foste para mim, nesse dia?
Longe vão os tempos, longe, mas a existir,
em minha velhice, esta doida teimosia…
Não, não hei-de morrer, sem que primeiro
voltemos à nossa casa, mãos dadas!…
E se tudo isso é agora caminho derradeiro,
basta, já… o continuar de costas voltadas!...
Jorge Humberto
12/04/2026
DE ONDE ESCREVO, PARA O MUNDO
Meu quarto e meu reduto
é onde guardo memórias.
Lá estão a glória e o tributo
de poesias e até histórias
que ao longo dos anos eu escrevi.
Guardo ainda meu coração
amizades com que expandi
coisas mil e muita emoção.
De sua janela todo o espanto
das águas que correm Tejo
afora; mais o doce encanto
dos teus olhos, onde me revejo.
Chão de madeira, tão antiga
como no antigamente,
é bem assim como aquela cantiga:
apela aos sentidos da gente.
Ah, meu quarto, quando te vi
pela primeira de outras vezes,
inda eu não sabia de mim,
agora vou sendo às revezes.
Jorge Humberto
14/11/2025
MANIFESTO
Como num pontinho de luz,
na imensidão do horizonte,
vai o Homem, que produz
a água, que vai buscar à fonte.
Sempre assim foi, no mundo,
a gene humana, quando avança,
através do engenho fecundo,
até à mente, que tudo alcança.
No labor, na arte ou na ciência,
tudo soma e faz erguer,
cresce e cresce sem discrepância,
num sítio bom, para se viver.
Do génio ou do menos dotado,
exige-se igual reconhecimento.
Quem faz e refaz com agrado,
tem o que é seu como alimento.
Jorge Humberto
25/11/2025
Valores como a perseverança, a tolerância, a humildade e o respeito, o sonho, fazem parte da 'gene humana', que aqui lembro num pequeno texto, que espero seja de vosso agrado.
Obrigada por me lerem.
PS: Perdi a senha do meu Usuário, para: Jorgehumberto. Agora, estou como:
JORGEHFRANCISCO.
(* para os leitores, amigos e poetas mais recentes)
Se não nos virmos até lá desejo a todos/as um Natal Feliz & Próspero Ano Novo/2026.
Cumprimentos!
o'poetamigo,
Jorge Humberto
RACIONAL
Quem dera consentir
o descanso que me é devido.
Toda a dúvida
é subjacente à razão.
Ao que fomos
ao que somos e ao que vamos,
sempre se nos interroga:
A marcha lenta
do animal racional à invasão!
Jorge Humberto
13/12/2025