Poemas, frases e mensagens de DCM_1978

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de DCM_1978

Um cavalo, um cavalo, o meu reino por um cavalo!

William Shakespeare

 
Durante muito tempo andei chateado com Deus
Era egoísta e achava que ele não olhava por mim
Nem queria saber dos meus problemas

Decidi que ia passar a ser ateu
Agnóstico era demasiado sonso para mim
Depois ouvi falar no panteísmo e disse para mim mesmo, deve ser isto

Porquê esta indefinição sobre este tema
Tenho opinião sobre quase tudo
Sou um dos que querem saber ou um dos que querem acreditar

No outro dia dei por mim a falar com Deus
Fui abençoado por ele
Ainda que seja a minha verdade, fui sempre um defensor da verdade

Apesar de tudo o que correu mal na minha vida
Mantive sempre a linearidade que separa bem e mal
E nunca deixei que o amor que há em mim se transformasse em amargura

Sou profundamente espiritual
E apesar de não me incluir no negócio da Igreja
Acredito em Deus e peço-lhe que me dê força para nunca perder a minha fé.

24 de Julho de 2026
 
Fé

Maria

 
Mulher baixa e de olhar intrépido e profundo
O cabelo moreno e comprido apanhado numa trança
Por perto um carrinho de compras de duas rodas

Conheci-a na rua
Ajuda os sem abrigo e alimenta os animais
Canta como um anjo

Diz de si que é incerta
Foi órfã de mãe e pai
Teve uma vida plena de infortúnios

Tem um pavio curto e espírito aventureiro,
Esta é a minha amiga Maria.
 
Maria

Poesia na BOTA (com microfone aberto)

 
Ás segundas feiras à noite a feira de vaidades
Nunca começa à hora anunciada
O palco fictício pronto para ver desfilar os egos

Poucos poetas geniais e muitos poetas assim-assim
Intelectuais, autistas, gays, inadaptados, debochados e muitas mulheres
O álcool ao dobro do preço

Palavrões constantes para deixar todos à vontade
O lugar na fila para ler
É atribuído pelo grau de amizade

A porta deslizante de separação para o bar
Num vaivém constante
Com entradas e saídas

Um refúgio encantado
Num mundo onde a maldade existe em cada esquina
A poesia está viva e faz-me sentir vivo

O anfitrião talentoso, ardiloso e sarcástico
Fala do gato, da família, dos amigos
Queixa-se habitualmente que a poesia não permite enriquecer

Pelo meio insulta uns quantos escritores ou poetas
Sempre ao jeito de comédia em pé
São duas horas de convívio e entretenimento com intervalo

Finda a sessão, diz, até segunda.

24 de Junho de 2026

Inspirado por José Anjos
 
Poesia na BOTA (com microfone aberto)

O Abismo

 
O ponto de não retorno
À beira do precipício
Um salto para o vazio
Sem dizer um adeus

Escrevi sobre cantoras que não conhecia
Encarei o seu olhar
A nota atingida é só uma parte da história
Ali estavam a liberdade, a partilha, a procura e o afecto

O alcatrão cobre a terra
Para neutralizar a natureza
A mentira cobre a verdade
Para ocultar a realidade

Os demónios que governam o abismo
Escolhem o próximo
A ter que se lançar
Porque ficou cansado de viver

Ainda que com medo
Atiro-me para o abismo
E bato as asas emprestadas pelo meu anjo da guarda
Que nunca me abandonou

E agradeço-lhe por ter escutado comigo a voz de todas aquelas cantoras.

7 de Junho de 2026

Inspirado por Kaê Guajajara
 
O Abismo

Sonho

 
Mulher cabocla linda
Os olhos completamente destemidos
A voz mágica e hipnótica

Transportado para a selva amazónica
Estou no meio dos índios
Escuto o ritmo cadenciado

É perfeito e sensual
A poesia da letra da canção
Faz-me vibrar

Que bom estar aqui agora,
Será que tudo isto foi um sonho?

29 de Abril de 2026

Inspirado por Laya Layá
 
Sonho

Vento

 
Corre uma brisa suave
Qual falcão desenfreado
Voarei até ao infinito

A eternidade vive na obra
História da viagem
Pelas profundezas do ser

Nas palavras do poeta
A essência e a beleza
Do que outrora fomos

Despojado de todas as coisas
Habito o tempo
E aventuro-me no desconhecido

Quando finalmente chegar à porta do céu
E o guarda celestial perguntar, quem vem lá?
Responderei, aqui vem um homem que escreveu poemas simples.

31 de Março de 2026
 
Vento

Dor

 
A dor de ser invadido pela angústia
A dor de falhar
A dor da rejeição

A dor de ser separado de alguém pela morte
A dor de não ser suficientemente bom
A dor de ter chegado ao fundo do poço

A dor de querer chorar e não conseguir
A dor de me sentir a envelhecer
A dor de viver à margem

A dor de achar que sou uma fraude
A dor de querer algo que parece não existir
A dor de presenciar injustiças

A dor de parecer inadequado
A dor de ficar distante e só
A dor de por vezes me faltar confiança

Qualquer que seja a dor que possas estar a sentir, por favor, acredita em ti e não desistas.

22 de Maio de 2026
 
Dor

Pássaro

 
Pousou perto de mim
Ficou algum tempo
Levantou voo e desapareceu

Relembro o olhar límpido
O contraste de cores da plumagem
E o canto inebriante,

Haverá algo mais livre do que um pássaro?
 
Pássaro

Amor

 
Amar é desejar que sejas feliz
Amar é apreciar cada particularidade tua, boa ou má
Amar é perceber que és do mundo e não minha

Amar é abraçar a diferença e despir-me de preconceitos
Amar é ter medo de te perder
Amar é ter um bocadinho de ciúmes

Amar é olhar-te nos olhos e não precisar de palavras
Amar é derreter o gelo e sentir o calor
Amar é saber o porquê de ter nascido

Amar é subir uma montanha e atingir o cume
Amar é levar-te sempre nos meus pensamentos
Amar é dizer-te que és tudo para mim

Amem intensamente e sobretudo, amem-se a vós próprios.

17 de Maio de 2026
 
Amor

Solidão

 
Qual alma solitária
Vagueio pela cidade
No meu jeito errático

No meio da azáfama
Sou mais um na multidão
Uma gota de água num oceano

Um oceano de caras anónimas
Um oceano de histórias vividas
Um oceano de histórias por viver

No local mais recôndito
Desta alma desamparada
E interdito à curiosidade alheia

Sinto-me só
Perdi a tesão e a esperança
Mas não estou na merda

Sei que para chegar à solitude é preciso passar primeiro pela dureza da solidão.

27 de Maio de 2026
 
Solidão

Mar Sereno

 
Outrora um mar revolto
As ondas descontroladas e intermináveis
Reflectindo o conflito interno

Fruto de uma exigência acima de qualquer borrasca
Apaziguou-se o medo e a aversão à mediania
A luz do sol despontou

E perdoei-me por tudo o que a maré levou
Nunca foi sobre o ego beliscado
O desprezo era a melhor resposta

As emoções ficaram no fundo do mar
Tal como a âncora que fixa o barco
A tranquilidade e o silêncio vieram ter comigo

Em tempos tive uma bússola
Ignorava que para lá da técnica vem a emoção
E ser vulnerável não é ser fraco, é ser humano

Agora navego em águas calmas
Guiado apenas pelas estrelas
Hei-de chegar a um qualquer destino e o carinho e o amor vão lá estar à minha espera, sob a forma de um mar sereno.

7 de Agosto de 2026
 
Mar Sereno

Perdido

 
Caminho nas pedras da calçada
Envolto por uma neblina
Sou nada e ninguém

Cruzo-me com o desprezo
Que corrói o talento da alma
E procura a glória do vil metal

No outro dia
Ouvi uma musa cantar
E senti alegria

Naquele momento,
Encontrei-me
E deixei de estar perdido.

5 de Abril de 2026

Inspirado por Alexandra Soulfire
 
Perdido

O Último Beijo

 
As lágrimas caíam incessantes
Caminhámos lado a lado
E chegámos ao destino

Ao dar-te o último beijo
Senti os lábios secos
E um aperto no coração

Sem proferir qualquer palavra
Disse-te que não mais sofrerias
E tudo terminou naquela marquesa,

Perdi o meu melhor amigo, o meu cão Spike.
 
O Último Beijo

Max

 
Na penumbra da noite chegámos à vedação
A amiga Maria chamou por ti
Aproximaste-te abanando a cauda

És um bonito cão preto de porte grande e patas brancas nas extremidades
O pêlo é curto e branco em redor do focinho e olhos
Os olhos são castanhos e bondosos

Comeste com grande prazer
E ficaste deitado a contemplar-nos
Em jeito de agradecimento

Nunca conheceste a liberdade
Confinado toda uma vida a um pátio
Por humanos miseráveis

Com a tua idade avançada
Deixas-me comovido
Por tudo o que superaste, Max.
 
Max

Perguntas Sem Resposta

 
Quem sou eu
Porque existo
Qual o meu propósito

Qual o valor do carácter
Qual o valor da sabedoria
Para quê ser delicado

O amor é real
A amizade é verdadeira
A empatia é genuína

Ganhar ou perder é importante
Ser ou ter
Solidão ou solitude

Optimismo, pessimismo ou realismo
Louras, morenas ou ruivas
Água com gás ou sem gás

E se tudo não passasse de uma ilusão?
 
Perguntas Sem Resposta

Silêncio

 
Hoje estou um pouco letárgico
Sem vontade de falar
Escrevo estas linhas

Ontem espantei a timidez
E declamei para um grupo
Nunca quis aplausos ou fama

Fui surpreendido no final de um poema
Com um riso geral
Essa arma poderosa

Sou um mero anónimo e eterno aprendiz
Que um dia sentiu algo
E o materializou em palavras

Esta poesia é nua e crua
Não tem adornos ou metáforas
Pretende apenas retratar a realidade de forma simples e directa

Foi bom saber que o meu sentir fez outros também sentir
E agora vou continuar neste meu silêncio
Que é onde estou em paz e realizado.

3 de Maio de 2026
 
Silêncio

Insanidade

 
Um cavalo alter-real a galope
O orvalho da madrugada nas ervas
O som das vagas do mar ao perto

O tom cor-de-rosa no pôr de sol da ilha do pico
O cheiro a camarinhas
Tocar em flor de sal

O ritmo e fascínio de uma música soul
Ouvir declamar poesia que toca nos pontos certos
Saborear merengue de limão

Observar a madeira em brasa na fogueira
O abanar de mamas grandes
Fumar uma cigarrilha

Sentir algo e brincar com as palavras
O último reduto da contestação
A negação de conformidade

Um manifesto de convicções que não estão à venda
Uma viagem ao mundo infinito
Uma reflexão sobre a beleza e atrevimento das poetisas

Será que o poeta enlouqueceu
De sensível passou a hipersensível
E começou a delirar

Curioso não ser boémio
Curioso não estar bêbado
Curioso dispensar o bálsamo da validação do ego

De poema em poema, de sentir em sentir, o poeta segue apenas por amor à poesia e a sua insanidade é o seu escudo no mundo dos indiferentes.

25 de Maio de 2026
 
Insanidade

Mar

 
De ti sei o gosto salgado e levemente amargo
Sei a força intempestiva e invernosa
Sei da calma momentânea e enganosa

De ti sei o marulhar constante e doce
Sei o ruído das ondas alterosas
Sei da espuma em flocos brancos na areia

De ti sei o azul e o verde
Sei o frio e calor
Sei das caravelas e das gaivotas

De ti sei os meus olhos em viagens até ao limite do horizonte.

Escrito pela poetisa Malena para DCM_1978
 
Mar

Diferente

 
Desde cedo percebi que era diferente
Nem melhor nem pior
Apenas alguém que não encaixava na norma

Como vidro num mundo de cristal
Como um lobo sem alcateia
Como forasteiro em terra estranha

Em vez de esperto era inteligente
Em vez de extrovertido era introvertido
Em vez de maldoso era bondoso

Em vez de vaidoso era discreto
Em vez de submisso era rebelde
Em vez de mentiroso queria a verdade absoluta

Em vez de superficial era profundo
Em vez de precisar de ter razão era humilde
Em vez de perfeccionista gostava de perfeição

Era diferente, e depois? Está tudo bem.

19 de Maio de 2026

Inspirado por Eva Parmenter
 
Diferente

Música

 
Em noite de lua cheia
Num palacete decadente junto ao rio
Entrei numa sala pintada de preto

O tecto decorado com vários guarda-chuvas
Ela estava no palco a cantar e a tocar guitarra eléctrica
Cumprimentei-a com um aceno de cabeça e ela assentiu

Fui o primeiro espectador a chegar
O rosto asiático e o cabelo com franja
Usava calças com padrão de leopardo

O teste de som terminou
Bebeu vinho e avisou que ia fumar um cigarro antes de dar início ao concerto
O estilo era uma fusão de pop, rock e jazz

A voz tinha uma boa tessitura, era delicada e envolvente
A presença era simples, humilde e empática
Estar ali a ouvi-la foi aleatório

Só que nada havia de aleatório no seu talento ou graciosidade
Nunca cantei, não sei tocar um instrumento
Mas adoro a música

Sinto-a a fluir pelas minhas veias e preciso tanto dela como alguém precisa de água numa travessia pelo deserto.

31 de Maio de 2026

Inspirado por Lika
 
Música

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