Poemas, frases e mensagens de fracafigura007

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de fracafigura007

mordaz vontade

 
 
uma e outra vez,
a mordaz vontade
de dizer mal,
um jornal por ler,
a mão em cima
da barriga descontrolada,
a outra mecanicamente
 a ordenar ao cérebro,
que permaneça adormecido,....

a mordaz vontade
de planear,
quando nem
respirar é possível,
e menos ainda amar,....

há de ser o tempo,
a resolver o imprevisto
 
mordaz vontade

O anonimato

 
 
É assim caro amigo,
Nada de perguntas complicadas,...

Só mesmo apenas mais um esforço desnecessário,
Sim,
Fora do normal, ...

Porque a ideia é sair do conforto de pensar em nada,
Sabendo que domamos a arte da cabeça vazia,
E deslizar pelos gritos das ruas que conhecemos,....

Os cantos,
Os vértices,
As esquinas,
As retas sujas e perigosas,
Cheias e impossíveis de replicar,....

E isto tudo porque queremos refúgio,
Comprar ao preço que for,
A medida certa de qualquer coisa parecida com,
O anonimato
 
O anonimato

Apresento te um poema,...

 
Apresento te um poema,...
 
Todo o poema começa com o sol,
Um pingo de água tépida,
De cheiro inconveniente,....

São as pessoas a dize lo,
E assim que a manhã
sai pelo arco de outros triunfos,
O poema insulta,
Renova se no calor
apropriante da tarde,
Com decisões esforçadas,
Um lavrar de ideias sem corpo,
E que contam de formas diferentes,
A quem o poema toca,....

E na noite,
Na toalha bordada do escuro que nos envolve,
O poema adormece,...

Vou agora mostrar to,
Como se do meu
recém nascido te falasse
 
Apresento te um poema,...

Poema em escada

 
 
Olha o meu pulso,
A minha pele,
Os
Tons diferentes de sonho,
Que a luz me namora,...

Pensa no que fui,
E mais ainda no que,
Estando para vir,
Se recolhe
Como a vontade da fala,
Acanhada e de dúvida,....

Dá me a água,
Como se do teu pensamento,
Brotasse a próxima linha
Do
Meu capítulo por acabar,...

Já é tarde,
O sono joga ao desejo comigo,
E a derrota faz de ressonância
do que
Deixei por fazer quando estava frio
 
Poema em escada

....do verbo de fogo

 
 
afogueei-te,
de dedo
em riste,
conjugado do
verbo de fogo,....

 explico como o calor,
se senta à mesa
connosco,
e há roupa
espalhada,
sem sentido de erotismo
forçado,...

apenas a crueza
dos sentidos realçados,
postos à disposição
de sentidos cúmplices,....

e tiro-te o ar,
a morte não
virá,
mas afogueio-te,
pela simples vontade
de conjugar verbos
 
....do verbo de fogo

Onírico e presente

 
 
Falo de ti,
E peço te,
Com os dedos fincados no nada,
Fica,....

É de um livro,
O olhar que deixo,
Nos sítios em que há pedaços de ti,...

De um livro embrutecido,
Limado nas arestas,
E sem amor,....

Só o avulso de personagens,
Que foram as nossas,....

Falo de ti,
E adormeço,
Amansa me o caminho para o eterno,
Peço te
 
Onírico e presente

Conversa de um casal de meia idade de madrugada

 
 
Ele tem um cargo de destaque a espera,
E os teus olhos explicam me o nada,
Haverá a luz,
E uma conta de somar escondida nesta sala,....

Ele adivinhou o sitio certo,
O polígono da felicidade,
Sabe falar de desejo,
Da vontade humana de brilhar a um canto do mundo,...

Ele terá sucesso,
Estou certo,...

E que nos tapemos agora,
A urgência de unir corpos,
Supera a do sangue encontrar o caminho certo nas veias
 
Conversa de um casal de meia idade de madrugada

Desabito na minha pele

 
Desabito na minha pele
 
em várias vezes,
de todas as formas,
os sonhos que deixava,
arrastados,
prendiam-se à pele
como arrependimentos,....

e voltava aos papéis,
ao que fui reescrevendo
por medo,
por sombra recortada
do sol,
e fazia embrulhos
de realidade,
que depois deixava,
ao sol,
para que se me
moldassem,
como acrescentos
de carne sem idade,
e sem forma,....

e por isso,
os sonhos vão
habitando em mim,
tanto como
desabito da minha verdade
 
Desabito na minha pele

eu era quem talvez já tenha sido

 
quando me despedi,
a palavra descrita
era inevitável,....

um quadro de pedra,
ténues contornos
de um rosto,
e chuva de tom
crescente,
que fecundava a terra seca,....

amanhã seria outro,
de hoje levei o presente,
e nu,
de passos curtos,
e com o mundo
a aproximar-se,...

eu era quem
talvez já tenha sido
 
eu era quem talvez já tenha sido

Os anónimos de fim de dia

 
 
Poderia procurar se pelo número de vezes que diziam amor,
Ou até por roupas estranhas,
E um contorno irregular de boca,....

Semelhante às pessoas imperfeitas e comuns,
Dos dias de semana à tarde,....

Podia haver maldade em como se analisava a forma
como resistiam,
Até como as frases
brotavam,
Tipo a chuva de inicio
de estação,....

Mas era tudo ficção,
Nada existia,
Apenas insistiamos em traze los connosco,
Como um final de trama literária,
Em que ninguém vence,
E todos se conformam com sopas quentes,
E roupas de padrões diversos
 
Os anónimos de fim de dia

Jihad

 
 
Uma ou duas vezes maior
que um abraço,
E quem escreve,
Defronte do museu,
Está abraçado a si
mesmo,...

E a olhar para
vários livros,
De capa esbatida,
E com figuras de
tradição questionável,....

Dali a várias horas,
Alguém irá tentar
traduzir partes do Alcorão,
Com receio e
uma roupa
escurecida pelo
uso em excesso,...

Esta é a curva,
Menos apetecida
do Mundo
 
Jihad

Elderly man behind a counter in a small town

 
 
Havia quase tudo,
a cerveja por beber,
nuvens irregulares
de pardais velhacos,
a devassarem o trigo
que pululava ao sol de agosto, ....

este homem deixou
de planear,
de escrever,
deixou para trás
a harmonia,
empacotada em pequenos
sacos de gelo,....

e estava agora sentado,
costas encurvadas,
nariz engilhado,
mãos em concha sobre
o tampo da mesa,
repleta de nós irregulares ao tato,
a observar,...

contava sem
que o contar,
fosse uma imposição,
apenas viver
sem horas marcadas
 
Elderly man behind a counter in a small town

Dancer

 
 
É lento,
E despe se como um processo,
Aviltante,
Desesperado,
Com ela a observar a uma distância que varia,...

E de ti espera se que dances,
Que o teu corpo se
contorça a ponto de
quase quebrar,
E que te vejam,
Mais pessoas do que ela,....

Que ofertes a loucura
que sabes esconder,
Servida em passos
desordenados de ballet clássico,...

E pronto,
Vais deixar um anonimato desejado,
E seres a próxima anulação do medo,
Representado como melhor entendas
 
Dancer

Escrito numa quente noite no centro da Europa

 
 
Podem beber,
Autorizam nos enquanto o silencio se sobrepor aos loucos da recitação,
E não houver nem sombra de vitalidade no desespero da memória,
Face ao presente enevoado,....

Aproveitemos,
Nada de brindes,
Nem promessas vãs de entrega ao Nada,
Vejo nos sentados na praça publica de todos os dias,
Com ou sem álcool,
Isso esconde se na irrelevancia,....

Mas alegres,
Como confidentes de uma alegria mediana
 
Escrito numa quente noite no centro da Europa

O tempo descalça-se,...

 
 
Com frequência,
À noite,
Olhamo nos como estranhos,
De frontes depois encostadas sorrateiramente,....

A novidade não se nota,
Pois de resto
como a inteligência,
A pressão de fazer melhor
do que o instante anterior,
Tira a memória reprodutiva
ãs pessoas,...

E à medida que o tempo se
descalça,
Se despe,
Apercebemo nos
que mais ou menos,
Mais mão reconfortante,
Menos suspiro de conforto,
O ficar tudo na mesma,
Devotadamente se deita,
No espaço que nos
sobra na cama
 
O tempo descalça-se,...

Aurora, podias ser maria, sara

 
a esperança,
 aurora,
podias ser maria, 
sara, 
não teres nome, 
a esperança está 
em deixares correr 
a cortina, 
salvaguardares a memória,
 a morte que o sol traz, ...

a esperança chama-se amor, 
e penas de cisne
 à beira de um lago dourado,
 pelo enrolar dos dias,... 

amorosa a comparação, 
mortal a vontade de mudar
 
Aurora, podias ser maria, sara

Anjo caído,...

 
 
quando amanhã,
de asas escondidas
 por dentro de
um manto invisível
 de poeira,
deres os passos
certos,
por entre as palavras
erradas,....

 uma luz inocente,
desmaiada,
terá de mim
 o amor que merece
 
Anjo caído,...

Sozinho em casa com a minha poesia

 
 
a minha poesia,
um lugar sentado
naquele sofá,
com cheiro dos que partiram,...

dois sons,
um moribundo,
o outro que pula
à chuva de primavera,...

a minha poesia,
parceira da recordação
das roupas rasgadas,
e ela assenhorava-se
do espaço nuclear,
entre os verbos,...

para que a minha poesia,
acordasse,
já casada comigo
 
Sozinho em casa com a minha poesia

Suor recordado

 
 
Ela fez as perguntas,
tinha deixado o porquê,
a vontade de ser diferente,
a demissão de respostas,
naquele local onde o sol
brilhava,
como o reflexo de uma camélia,
no chão de si própria,…

e não era talvez a mesma,
sabia-o das flores,
as suas queridas flores,
sabia-o do embalo que
o vento lhe dava,
quando percorria rua
atrás de rua,
para espantar a solidão,…

E agora queria tudo de volta,
mais ilusório,
com capa de livro
renascentista
 
Suor recordado

Poema treze

 
Nós criamos medo,
Coisas desnecessárias,
Vestidas como se de um comboio a passar se tratasse,
Sem pessoas amarguradas na estação para contar os momentos,...

E esperamos que a verdade surja,
Não que confiemos no que ela tem para nos dizer,
Mas porque,
Talvez fique sempre bem em histórias como esta,
Que começam sem personagens,....

E depois,
Depois vem outro dia,
E o medo continuará a vestir de transparente
 
Poema treze

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