Jihad
Uma ou duas vezes maior
que um abraço,
E quem escreve,
Defronte do museu,
Está abraçado a si
mesmo,...
E a olhar para
vários livros,
De capa esbatida,
E com figuras de
tradição questionável,....
Dali a várias horas,
Alguém irá tentar
traduzir partes do Alcorão,
Com receio e
uma roupa
escurecida pelo
uso em excesso,...
Esta é a curva,
Menos apetecida
do Mundo
Elderly man behind a counter in a small town
Havia quase tudo,
a cerveja por beber,
nuvens irregulares
de pardais velhacos,
a devassarem o trigo
que pululava ao sol de agosto, ....
este homem deixou
de planear,
de escrever,
deixou para trás
a harmonia,
empacotada em pequenos
sacos de gelo,....
e estava agora sentado,
costas encurvadas,
nariz engilhado,
mãos em concha sobre
o tampo da mesa,
repleta de nós irregulares ao tato,
a observar,...
contava sem
que o contar,
fosse uma imposição,
apenas viver
sem horas marcadas
Dancer
É lento,
E despe se como um processo,
Aviltante,
Desesperado,
Com ela a observar a uma distância que varia,...
E de ti espera se que dances,
Que o teu corpo se
contorça a ponto de
quase quebrar,
E que te vejam,
Mais pessoas do que ela,....
Que ofertes a loucura
que sabes esconder,
Servida em passos
desordenados de ballet clássico,...
E pronto,
Vais deixar um anonimato desejado,
E seres a próxima anulação do medo,
Representado como melhor entendas
Escrito numa quente noite no centro da Europa
Podem beber,
Autorizam nos enquanto o silencio se sobrepor aos loucos da recitação,
E não houver nem sombra de vitalidade no desespero da memória,
Face ao presente enevoado,....
Aproveitemos,
Nada de brindes,
Nem promessas vãs de entrega ao Nada,
Vejo nos sentados na praça publica de todos os dias,
Com ou sem álcool,
Isso esconde se na irrelevancia,....
Mas alegres,
Como confidentes de uma alegria mediana
O tempo descalça-se,...
Com frequência,
À noite,
Olhamo nos como estranhos,
De frontes depois encostadas sorrateiramente,....
A novidade não se nota,
Pois de resto
como a inteligência,
A pressão de fazer melhor
do que o instante anterior,
Tira a memória reprodutiva
ãs pessoas,...
E à medida que o tempo se
descalça,
Se despe,
Apercebemo nos
que mais ou menos,
Mais mão reconfortante,
Menos suspiro de conforto,
O ficar tudo na mesma,
Devotadamente se deita,
No espaço que nos
sobra na cama
Aurora, podias ser maria, sara
a esperança,
aurora,
podias ser maria,
sara,
não teres nome,
a esperança está
em deixares correr
a cortina,
salvaguardares a memória,
a morte que o sol traz, ...
a esperança chama-se amor,
e penas de cisne
à beira de um lago dourado,
pelo enrolar dos dias,...
amorosa a comparação,
mortal a vontade de mudar
Anjo caído,...
quando amanhã,
de asas escondidas
por dentro de
um manto invisível
de poeira,
deres os passos
certos,
por entre as palavras
erradas,....
uma luz inocente,
desmaiada,
terá de mim
o amor que merece
Sozinho em casa com a minha poesia
a minha poesia,
um lugar sentado
naquele sofá,
com cheiro dos que partiram,...
dois sons,
um moribundo,
o outro que pula
à chuva de primavera,...
a minha poesia,
parceira da recordação
das roupas rasgadas,
e ela assenhorava-se
do espaço nuclear,
entre os verbos,...
para que a minha poesia,
acordasse,
já casada comigo
Suor recordado
Ela fez as perguntas,
tinha deixado o porquê,
a vontade de ser diferente,
a demissão de respostas,
naquele local onde o sol
brilhava,
como o reflexo de uma camélia,
no chão de si própria,…
e não era talvez a mesma,
sabia-o das flores,
as suas queridas flores,
sabia-o do embalo que
o vento lhe dava,
quando percorria rua
atrás de rua,
para espantar a solidão,…
E agora queria tudo de volta,
mais ilusório,
com capa de livro
renascentista
Poema treze
Nós criamos medo,
Coisas desnecessárias,
Vestidas como se de um comboio a passar se tratasse,
Sem pessoas amarguradas na estação para contar os momentos,...
E esperamos que a verdade surja,
Não que confiemos no que ela tem para nos dizer,
Mas porque,
Talvez fique sempre bem em histórias como esta,
Que começam sem personagens,....
E depois,
Depois vem outro dia,
E o medo continuará a vestir de transparente