Poemas, frases e mensagens de Poeta.sem.Alma

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Poeta.sem.Alma

Nada revelante, nem relevante. Sou apenas um "rascunhador" em folhas de papel amarrotado.

O autor recusa-se a escrever usando o "nojento" novo (des)acordo ortográfico e não permite qualquer correcção.

Cuidado, Poetas!

 
Cuidado, Poetas!

Cuidado; poetas, andam nesta selva
Hienas a ulular famintas de carniça,
Despojos d’ almas e desventuras alheias.

Atentai, poetas! São serpentes nojentas;
Injectam venenos pútridos de mal-amadas,
Juntas em ninho, vomitando ascos enredos.

Vigiai, poetas, as vossas paixões pueris;
Que nunca caiam em pântanos lamacentos
Pejados de predadoras que devoram emoções.

Defendei-vos, poetas, Das setas e dardos
Que lançam maldição; as traições e enredos,
Dos mais escabros jamais passíveis de sonho.

Atacai, poetas, mitos e suposições
Das infelizes, na sua impossibilidade
D’ amar. Vomitam excertos e imundícies.

Ensurdecei, poetas, aos cantos de carnais sereias!
São matéria aviltada e ciúmes, nas almas ocas
Que lhes foram sonegadas por mera piedade!

Acordai, poetas, na noite do vosso encanto!
Acordai! Podeis sonhar as vossas musas eternas,
Mas não lhes oferteis a vossa poesia de mortais.

Estilo Alexandrino (12 sílabas poéticas)
 
Cuidado, Poetas!

Amar-te Eternamente

 
Amar-te Eternamente

Liberto da densidade das trevas,
envoltas em tenebrosos pesadelos,
redescubro-te nos meus sentimentos
efervescentes de ternura e sonhos,
e d' emoções vividas em cada dia.

Meu amor por teu amor é eterno!
Gera os sentimentos mais audazes
que meu coração ousam enamorar
na perfeita união da sensualidade
transcrita de nossos corpos e almas.

Amar-te tão densamente,
eleva-me ao desejo
de ser teu amante sedento,
de doar ternura e paixão infinitas,
vivenciar a empatia dos sentimentos
e, cativos no tempo, intemporais.

Amar-te é delinear um poema d' amor!
Ritmar o coração com as ondas do mar
de teu corpo em turbilhão de saudade,
inquieto de humores, exalando o sal
do desejo não saciado, apenas tecido.

Amar-te é reconhecer-me teu amante!
Beijar a tua boca, tocar teu corpo,
reter-te no frémito de nós mesmos,
voar para além do sonho partilhado
e pousar na serenidade dum rochedo.

Amar-te, meu amor é dar-te vida!
Caminhar de mão dada em jardim,
renascido de cor, som e odores,
vogar na noite de luar enlaçados
e sorver a paz dum banco de pedra.
 
Amar-te Eternamente

Amor Renascente

 
Amor Renascente

Nosso amor, são rios que fluem
Em fios soltos de águas nascentes
E se espraiam vivos e vagarosos
Pelos leitos de terra que escolhem.
Ora, um, em plácido murmúrio,
Ora, outro, numa troante cascata.

O nosso amor se sobressalta,
Revive em cada momento,
A montante, verdes sem fim,
A jusante, o azul celeste
Que lhes dão cor envolvente.

Nosso amor gera as fontes
De frescura da sede de nós
E nos renova de mil desejos,
Dum abraço feliz e eterno,
Onde os leitos serão só um,
Que jamais alguém separará,

Nele, esse amor se renderá
ao encanto de melódica paixão,
até que o mar nos arrebate,
revolto pelos ventos e ondas.
 
Amor Renascente

Bailado

 
Bailado

Que cada passo de dança seja
um toque de minhas mãos
em teu corpo em evolução.

Que o fremir do ritmo seja
o prazer que te penetra
até ao mais intimo de ti.

Que o rodopiar e o salto sejam
beijos meus que te acariciam
e te fazem suspirar por mais.

Que o crescendo da dança
seja o sonho, o fértil jardim;
as nossas mãos dadas, os beijos,
os gemidos e os gritos de êxtase.

Que o aplauso final seja
o orgasmo que nos liberte
e nos prenda, tu em mim
e eu em ti, para sempre.

E no fim, as flores lançadas
sejam o repouso sereno
e uma eterna jura de amor
e de doação até à morte.
 
Bailado

Rimas à Toa

 
Rimas à Toa

Pobre, minha senhora,
não trago a vós rosas,
só um ramo de alfazema...

Senhora de mim, sedutora,
se não aceitais prosas,
tomai vosso este poema.
 
Rimas à Toa

Cantiga d' Amigo

 
Cantiga d' Amigo
Que ventos me lançam desgraça,
de meu amor, não verei graça,
Cativo de peste cruel?

Que luas banham de luar
meu amor, olhos a chorar,
Cativo de vil infiel?

Quantos sóis lhe ornam de ouro
De meu amor, o rosto mouro,
Cativo de mulher perversa?

Que montes ciciam encantos
a meu amado, os seus cantos,
Cativo de bruxa adversa?

Que cristalinas águas vão
A meu amor, dar o coração,
Cativo de vil cortesã?

Aves cantarão na manhã
A meu amor, poemas d' amor,
Cativo de imprópria dor!

octossilábica: 8 + 8 + 8
 
Cantiga d' Amigo

Cobardia

 
Cobardia

Qu' a morte não tarde,
que venha já e sem desdenha,
à amante tão cobarde.
 
Cobardia

Casebre

 
Casebre
Pequena casa de campo,
Escavada por mão sábia,
Sobre a granítica rocha,
É, hoje, mansão dos sonhos
E nós, os ditosos castelões,
Erguidos de cinzas funestas.

No monte, o olhar se perde
No multicolor da paisagem,
Terras de cultivo e pomares,
Castigadas de sol abrasador,
Saciam fomes e compaixões,
De corpos dolentes do labor.

E a tez se escurece, moura,
Ansiando a frescura do rio,
Que serpenteia pelo vale,
E renova a vida e ânimos,
Paixões, ódios e amores,
Pela parcela de herança.

E quando a noite se abeira,
Serena, o luar nos recorta
Na silhueta dum beijo dado.
Logo se refugia por pudor,
Na casinha das mil sombras,
Para que o amor seja eterno.
 
Casebre

Amar

 
Amar

Amar é um círculo que, de mansinho, se vai encerrando em torno de espaços individuais e gera uma união perfeita de dois seres opostos, numa osmose eterna e numa fusão de emoções que não permite qualquer dissolução.
 
Amar

Amei-te

 
Amei-Te um Dia…

Amei-te, desesperadamente,
sôfrego de te sentir meu ser.
Amei-te, mulher, no esplendor
total da tua maturidade.

Amei-te, menina, docemente,
abri-te como livro a reler.
Bebi cada estrofe com frescor
d' água refrescante da vontade.

Amei-te sempre d' alma exposta
aos perigos da perda sem futuro,
em avidezes quiçá esgotantes,
Amei-te, louco, de coração.

Amei no desprezo, sem resposta -
silêncio atroz - esbarrei no muro
de masmorras frias, sufocantes
d' indiferença, sem compaixão.

Amei-te mesmo nesse negar,
de ti para mim, acusador
d' erros cometidos, de traição,
mentiras fúteis, promessas vãs,
que teu ego teimou inventar.

Amei-te, poeta sonhador,
respeitei-te na contemplação
d' outras querelas temporãs.

Hoje? O Hoje não existe mais;
nem os sonhos, nem os pesadelos,
felicidades ou mais venturas.
Finaram-s’ os poemas d' amantes.
O olhar não chora, a boca sem ais,
e mãos que não se tocam em desvelos,
qu' a raiva consome em desventuras...

Amar? Hoje? Só como farsantes!
 
Amei-te

Chora-me, Tarde

 
Chora-me, Tarde!

Na tarde chorosa,
De bruma espessa,
que sendo avessa,
gotejou desgostosa,
talvez furiosa,
sem a promessa,
de felicidade confessa;
e ei-la chorosa!

Chorou de desdita,
ao fastio amoroso
do homem invejoso,
que só acredita
- vaidade maldita –
no "todo-poderoso"
ouro, bem valioso,
chão ou fato catita.

Chora Tarde! Caridade!
Chora-me Tarde! Já não arde,
no meu coração, a amizade
que matei, por loucura e avareza.

De tanta pobreza,
de alguma ternura,
dei-te apenas secura,
doce amiga, e tristeza
em permuta de bondade.
Chora-me, Tarde!
 
Chora-me, Tarde

Amor Cruel

 
Amor Cruel

Ah, este cruel amor,
que feroz me tortura
minha alma de dor;
meu ser de loucuras!

quadra em versos hexassílabos.
 
Amor Cruel

Amor Sentenciado

 
Amor, Sentenciado!

Deixem vós que "Amor" fale,
diga que tormentos m' impôs,
que palavras usou d' enganos?
Deixem vós que "Amor" declare
porque trapaceou meu coração
e me raptou a alma e a razão?

Porque "Amor" me subtraíu sonos,
me contranbandeou todos os sonhos,
e me feriu no meu ser, fatalmente?
Porque m' entregou infeliz cativo
no abraço carinhoso de minh' amante
e me saciou de seus doces beijos?

Que "Amor" seja sim, um sentenciado,
em perpétuo esforço e viço empenho
na união dos amantes, eternamente.
Que "Amor" transforme horas em dias,
dias em meses e anos de felicidade.
Jamais "Amor" poderá ser perdoado!

Deixem que "Amor" sofra julgamento,
não me façam juiz em causa própria,
nem júri de acusação com fundamento.
Eu, "vítima", retiro todas as queixas,
esqueço humildemente as suas afrontas,
porém, jamais inocentem este "Amor"!
 
Amor Sentenciado

Trova de Amor

 
Trova d' Amor

Ah! Minha senhor distante,
Bela donzela do aquém,
me caluniais de tratante,
de triste, um "zé-ninguém"!

Ah! Minha bela senhor,
dama de todos meus sonhos,
Quando ditareis amor,
de vossos lábios risonhos?

Ah! Minha doce senhor,
Amada de coração,
Por que me dizeides traidor.
E me negais tanta paixão?

Nota: No tempo do trovadorismo, não existia o feminino de "senhor"; era formado pelos pronomes adjuntos possessivos.
 
Trova de Amor

Bobo

 
Bobo
Oh, bobo! Oh, Oh, bobão!
Que não tens nem um tostão,
De riso tão forçado,
Fato mal amanhado...
Oh, bobo, que bobagem!
Nessa triste imagem,
Pobretanas errante,
Que piroso e vil tratante!...

Oh, bobo, oh, trapalhão,
Oh, bobo sem coração,
Canta o fado magoado,
De dor funda e pecado.
E nessa breve mensagem,
Ousa mostrar tua coragem,
Não sejas mais um pinante,
Fala em tom forte, troante.

Bobo, canta a paixão,
Diz sim, mas nunca um não,
Ao amor desejado,
Sublime, tão clamado.
Toma nesta viagem,
A fé de quem, em romagem,
Suplica, delirante,
Um terno ai d’ amante!!

Redondilha Maior, 7 + 7 + 7, etc...
 
Bobo

Carta de Amor

 
Carta d’ Amor

Bela donzela,
matizada d' Outono,
imagem singela,
menina em sono.

Desejo d' água,
Ornado d' inverno,
Louca fuga, mágoa,
Amante eterno.

Osmose de cores,
folhada de estio,
prenha d' amores
e saciar do fastio.

Ais de coração,
Doce primavera,
Serena paixão,
Enlace, nó, d' hera.

Tela d' ilusão,
Éter do desejo,
Vinho, fruta, pão,
Poema e ensejo.

Coração fremente,
Formusura em nu,
Num beijo dolente,
Fada, ninfa - TU!
 
Carta de Amor

Correntes

 
Correntes

Correntes nos unem
No torpor da noite
Tento lhes tocar...
Sem toque!
Tento as ouvir tinir...
Sem som!
Falo para ti, a meu
lado... sem voz!
Tento te sentir
E tocar...
Acorrentado!

Mergulho no sonho.
Do afastamento,
Da negação,
Da sede.
Do desespero,
E trago-te a mim...
A ti suplico;
- Liberta- me!

Sinto a tua mão,
Desesperada,
Frenética,
Sem sucesso,
Me desencadear
De elos cruéis
Que não conheces...

Sinto até lágrimas
Salgadas
Tentando corroer
Com sal amargo
As cadeias.
Em vão…Em ilusão...

E a dor da separação,
no despertar, é tão real…
 
Correntes

Almas Gémeas

 
Almas Gémeas

Cinco horas e treze minutos...
Madrugada!
Olho, pela minha janela, o mar.
O mar majestoso e manso,
por vezes cruel e traiçoeiro.

Raios obscuros numa metaforse de luz
se projectam no seu seio fazendo
parecer mais um mar de pirilampos
que líquido salgado em repouso.

Algo me ocorre no pensamento,
como tantas outras vezes,
(que) deixo vaguear o espírito:
- Se o mar tem alma?

Como nós...

Se ela é igual à nossa?
Alma com a mesma paixão
e defeitos de nós humanos,
de matéria também...

Mas porquê alma?
Porque não espírito,
uma força motriz qualquer
provocada por nervos em vibração!

Porquê alma?
Porque não coração?

Apodero-me do pensamento
bem quente, em ebolição.
Toda a reacção de um cérebro ao rubro
me rebentam na pele, nos dedos,
na boca, nos olhos cheios de maresia.

Ordeno as ideias e transmito
à mão mensagens sem fim.
E escrevinho letras a fim...
Sem tino, palavras que não atino.
Mas escrevo o que penso, que sinto.
Sou louco pensando como agora
em algo sem nexo, descabido...

- UMA ALMA GÉMEA!
Parecidas como duas gotas d' água,
que se encontram e se reproduzem.
Algo utópico...
Seria destino, ou uma força
estranha e poderosa?
Mas para quê lamentar?
Tudo o que resta é sonhar!

Só passar por esta vida deixando
apenas impressa a nossa presença
numa reles fotografia que temos
então "matemo-nos"!

Almas gémeas!
Quem as viu ou as sentiu?
Se conhecerem alguma,
digam-me...

- Diz-me mar!
- Diz-me céu!
- Diz-me chuva!
- Diz-me vento!

Nada? Nada!

Não haverá amor, um par sequer,
para formar uma alma gémea?
Nada? Nada!

Oh! Seis horas e vinte e um minutos.
Vai despontar, da madrugada,
um dia mais. E eu???
Vou voltar à realidade...
"Almas gémeas"?...

A uma "Alma Gémea".
 
Almas Gémeas

Alegria de Te Amar

 
Amar-te

Ah, se um sorriso teu
aflora em teus lábios
em promessa de beijos,
é a ventura de te amar!

Ah, se um olhar teu
se esvai radiante
de teus olhos de mel,
é a alegria de te amar!

Ah, se um sussurro teu
se evade de tua boca
ornada de mil desejos,
é o prazer de te amar!

Ah, se com as tuas mãos
me afagas o rosto
e se perdem no toque,
é o desejo de te amar!

Ah, se teus braços lestos
me envolvem em abraços
terna e infinitamente,
é o êxtase de te amar!

Ah, se teu corpo amante
ao meu se entrega afinal
exigindo mútua doação,
é amar-te eternamente!
 
Alegria de Te Amar

Amor

 
Amor
Não fosses amor,
poesia, fado, maresia;
vida um agror.

Estrutura de haiku (5–7–5)
 
Amor

Poeta sem Alma

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