Poemas, frases e mensagens de uma_desconhecida

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de uma_desconhecida

Bendito seja, em nome de Ti

 
bendito seja, em nome de ti,
os gestos provocantes de beijos, que invade a alma,
e o sopro que me vai pela nuca,
quando faceiro me desnudas ao luar...

bendito seja, em nome de ti,
os cabelos que emaranhas e que não soltas,
quando fociferas o meu nome, antes do badalar do relógio à meia-noite,
e o peito arfa em cansaço e suor.

bendito seja, em nome de ti,
a palavra não dita,
toda ânsia maldita,
a fúria escondida,
e aquele querer, que nunca se ajusta.

bendito seja, em nome de ti,
os caminhos que me empurram pro’s teus afagos,
a estrada passeante dos teus lábios em meu contorcido ventre,
e o gemido sibilante que corta tod’uma madrugada.

bendito seja, em nome de ti,
o que nunca me darás,
a dor que não tirarás do meu corpo,
e a água santa e morna,
que jamais limpará os meus pecados…

bendito seja, em nome de ti,
essa maldita sina, de um dia, me perder em teus braços

e a fraqueza que tenho de nunca mais te esquecer….

Bendito seja….
 
Bendito seja, em nome de Ti

Algum Lugar

 
….tudo, por certo, é tão comum…

O dia que nasce,
O sol que aquece,
A frase que nada diz,
A navalha trazendo a cicatriz.

O mundo parece chover – dentro, e não fora.
A procura das coisas, que não se encontra.
O despreparo para as lágrimas.
A confusão entre o ser e o não dizer (para que?).

Sigo o instinto.

Ele me levará a algum lugar.

Nem que seja a lugar nenhum.
 
Algum Lugar

Certas incertezas

 
...o sol parece esconder-se hoje,
embora esteja lá fora, em plenitude…
mas ausente da visão dos considerados normais…

por vezes, o mundo pára…

sinto que preciso descer as escadas,
um pouco mais,
mais…
mais…
e mais…

ficando bem no fundo…

no fundo do meu próprio peito,
das misérias,
das feridas,
das cicatrizes que insistem em doer…
e que teimam em me dizer “olá”,
...dia após dia…

...nunca estou ou chego na hora certa…

...essa hora que a vida sinaliza, registra,
sem que seja necessário haver ponteiros de um relógio,
e que marcam cada instante,
levantando tormentas,
aproximando tempestades,
colocando o astro rei fora do alcance…
(...uma errônea percepção?)…
(...uma estranha certeza de estar sempre atrasada?...)

...espreito de soslaio fora de mim…
...lanço mão da algibeira…
...e sigo…

...sigo aqui, ali e acolá...
...pra lá e pra cá...

...tendo somente as pedras,
como minhas únicas companheiras….
 
Certas incertezas

Lembra-te de esperar

 
E quando ficares a sós
lembra-te que as cotovias ainda estarão a gorjear
e que do céu nada cairá, além das gotas de chuva,
despencadas dos teus olhos murmurantes…

Aquele além não tão distante, em que ficas a espera,
(E que bem poderia ser somente um vocábulo – ainda que mal pronunciado)
Tão logo chegará,
Sem avisos,
Sem melodramas,
Sem nexo qualquer…

Enquanto o tempo teima em passar distraído,
Esqueça-te do amor mal amado,
Das dores infiltrantes na alma,
E dos pequenos sonhos – são pequenos, ilusórios, cambaleantes

Arriba-te e firma-te para a próxima batalha…

A vida – com certeza – tem muito a te dizeres
No silêncio inócuo de tua breve passagem….
 
Lembra-te de esperar

Santuário

 
Meu pensamento é o meu santuário,
Lugar onde me escondo e posso emudecer,
E mesmo,às vezes, sem querer,
Dou de frente com meu adversário.

Prolongo os dias sem a mínima noção,
De que o tempo se esvai levando o meu melhor,
Fatigado fica o meu coração,
Restando-me apenas uma prece ao Criador.

Nas pele enrugada revejo as marcas,
Da vida vivida e não sonhada,
Pouco a pouco vou removendo as farpas,
Prevendo outra vez a triste partida.

Não ouso querer mais um doce porvir,
Ficando quieta no meu santuário sagrado,
Por fim meu corpo se deixa cair,
Aceitando o adeus de muito bom grado.
 
Santuário

Quando chegaste

 
...porque chegaste assim,
com liberdade nas asas,
sorrisos nos olhos,
e no céu da boca,
o cintilar de estrelas,
que no firmamento nunca caberiam

...tua vinda precipitou-me os dias,
em alegrias que só a alma consegue compreender,
e arrancou-me do chão, virando-me de ponta cabeça,
de pernas pro ar…

...quando chegaste acolheu-me em tuas mãos,
povoando o meu caminho – já tão cansado,
com alardes de festa e coloridos adornos

...decidiste ficar – por um tempo breve…

mas a este tempo, despertaste-me do sono,
e trouxeste-me pássaros na palma da mão,
que chilreavam ao notarem a tua presença…

...sem saber-te ‘Amor’,
dignifiquei as horas que comigo passaste,
busquei nos dias a eternidade em palavras,
e prenunciei a estação que por fim já findava…

e, miseravelmente, ao sentir-te tão distante da minha noite enluarada,
pousei a cabeça no meu próprio colo,
lancei mão do meu lenço bordado,
pronunciei uma rogativa aos céus
e despedi-me da aurora,

que, em minha janela,
nunca mais ousou a brilhar...
 
Quando chegaste

E que seja assim

 
Se me deixares ir,
Saberei com exatidão onde as ondas do mar tornar-se-ão espuma,
E falarei às águas do tormento vivido a cada respiração (tua) ausente.

Se soltares os meus grilhões,
Empunharei minha espada - não como um ato de bravura,
Mas como a última alternativa de manter viva a imagem (tua),
No livro de minhas memórias medievais, que pelo tempo rabisquei.

Se quebrares os espelhos da minha alma – estilhaçando lembranças (tuas),
Alçarei voo aos picos mais altos do meu íntimo,
À procura de abrigo, para que me esconda do embaraço de amar-te um dia.

Se apagares as minhas memórias,
Todas elas vivenciadas em um emaranhado de dores e fracassos,
Saberei que no mais profundo de minha mente, continuarás intacto... ainda lembrado.

Não prometo desaparecer dos retratos pintados (nossos)…

E que seja assim….

Aqui ficarei, a beijar-te as feridas,
Como um cão sem dono,
À espera de migalhas de pão e afeto,
Para saciar a minha fome interminável, que eu chamo,
Até hoje, de Saudade.
 
E que seja assim

Na primeira curva

 
Que tenhas a chance de sobrevoar o teu íntimo,
Para que deságues as tuas angústias e medos,
E não fiques a esperar por milagres que não virão.

Ainda podes ser feliz…

Alimentar as cotovias em teu jardim,
Banhar-se nas águas límpidas do teu coração,
E deixar que as lágrimas não te aprisionem mais.

Tantas coisas te aguardam,
Tantos mistérios tens a desvendar,
Mesmo que não consigas enxergar aonde leva este desvio.

Fiques de olho e atento,
Lá,
Na primeira curva – é onde o segredo mora...

Eu ficarei aqui,
Repetindo o que já sabes,
Me iludindo a cada música que soa,
Mas com a nítida certeza de que um dia,
Até as pedras poderão se encontrar….
 
Na primeira curva

Acalma-te

 
Acalma-te.

Desatas a priori o que tens amarrado no peito,
Livra-te da cruz, das mordaças e da carapaça rija que te machuca

A vida urge por clemência aos atos,
Fatos,
Em desagrado de muitos, diante da multidão em desespero.

Acalma-te.

Nada podes fazer se estás na arena,
Cercado de dentes, mentiras e alienação de mentes atrasadas.
O céu ainda está la em cima – e é para lá que deves olhar.
(não como uma aparição de anjos musicais, mas na certeza de um mergulho nas entranhas).

Acalma-te.

O porvir ainda esta por vir.
E não há pressa.
Não há garantias.

Tens a tu mesmo.
Tens o infinito espaço azul que te cobre.
Tens a aurora boreal.
Tens a infinitude.

Tens tudo.

Ainda que nada sejas.
 
Acalma-te

Estranheza

 
causou-me tamanha estranheza,
quando senti em meus ouvidos o som da porta rebentar…

meus olhos, teimosos, continuavam a observar a luz cambaleante do abajur,
(que com atrevimento sussurrava, olhando por dentro de mim, desafiadoramente,
alegando que seria a partir daquele instante que eu começaria a acostumar-me com o silêncio, com o vazio e com a frieza…)

foi um adeus estanho: sem tentativas,
sem palavras soltas aos borbotões, sem um único gesto de complacência…
...apenas foi...

o que crescia dentro de mim não era a raiva, tampouco a mágoa ou um ciúme tardio…
era uma incredulidade de não saber o que fazer com a maldita porta que teimava em fechar a cada milímetro de segundo...(e eu mal podia tocá-la para impedir seu movimento...)

mal tínhamos combinado do que seria do futuro – ele nem chegou a chegar…

ficou em mim, tatuado em forma de dragão,
desde o gosto amargo da não explicação,
até a lágrima que, até hoje, ficou suspensa no canto dos olhos..

...nunca rolou pelo meu rosto...

os finais deveriam ser mais fáceis,
sem portas se fechando,
sem feridas expostas,
sem sonhos inacabados,
sem abajures impertinentes...

os finais nunca deveriam existir...jamais…..

porque foi dentro de um deles, que o teu abandono,
...deixou-me definitivamente Só...
 
Estranheza

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