https://www.poetris.com/

Poemas, frases e mensagens de pttuii

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de pttuii

Assim lhe explico como não represento nada para si....

 
os olhos de noz,
as mãos de rosas envoltas em morte perfumada,
o corpo desmembrado em soluços de choro inconstante,
os pés que chegam à crosta invísivel da terra,
a alma que não chora,
o dedilhar da escrita solto,
o riso de menino tímido que não abraça a vida,
e um todo transparente,
dolorosamente transparente,
fazendo-me assim passa o tempo
até que o fogo consuma o que a ninguém interessa….
 
Assim lhe explico como não represento nada para si....

M. De alegria

 
Vestida de madrugada veio
A causa da alegria,
Imprecisa nos sentimentos,
Segura num sorriso de seda apresentado por lábios de belezas
Intocáveis aos poetas,
Apresentou-se,
Dizia chamar-se vida,
Recuperava inspirações e em troca recebia expirações de carmim,
Versos de beleza até aí inatingida,
Os dias,
Os minutos de diamante passavam,
E ela navegava em cima de ondas longínquas,
E de uma aproximação excitante,...

E com qualquer coisa começavam deste lado os dias,
Recuperados de tudo o que a dor parecia já ter destruído ...
 
M. De alegria

Uso

 
olha somos nós os infelizes,
as pessoas sem pernas,
sem braços,
com poucos neurónios,
os tapetes-humanos que se fortalecem com
espirros de merda,
os desatinados com o pouco tino que resta
da falta de esperança em libertarmo-nos de
continuar a parecer
credível quando
se pensa em semi-círculos desta forma,
que se perdoe aos
que não pensam,
pois deles nunca
o reino dos céus poderá
pensar em vir a ser,
somos nós os infelizes,
a situação menos
imprecisa de tudo
quanto falta dizer para
que nada disto faça sentido......
 
Uso

:_:

 
passas sol,
a chuva leva merda atrás dos teus sapatos de ouro gasto,
linda feia,
solta presa,
o contrário da meta do teu sorriso é o fecho dos teus passos,
sabes?
sou o que te lembraste a adormecer,
o envio do teu ser para o recôndito deste universo podre,
para dar luz,
para soprar vida,
e depois voltar a parecer um raio de sol preso no olhar,
e no fim?
no fim ficar a olhar para o tempo
que se esvai no círculo concéntrico de
querer não estar só…..
 
:_:

Limpas noites a chorar

 
amaste-te de forma crua.
Insubstituída.
Até a chuva te doía quando o desgosto batia à porta para matar,
Eu ri-me da desdita,
Dos insultos proferidos em surdina quando os sem cara viravam costas para
Não mais voltar,
Aquí e ali vinha a noite pedir-te
O sexo menos natural,
Dizias que não,
Mas um não independente,
Nada credível,
Com a música soando a sacrificio só
para desfazer quaisquer aproximações menos claras,
E no fim restavam todos os tus que nunca
encontraste,
e a menor parte do que és quando te cobres com
a pele da redução à menoridade….
 
Limpas noites a chorar

Um problema que não chegou a ser

 
Foi o vício. Nem tanto o deboche. Antes o anafado sentimento de ser tudo, quando os outros nos chamam cenário que esteve perto de acontecer. Foi a perfídia de ser inútil. Coisas mal apessoadas, arraçadas de besta. Ornamentos invisíveis a pentear o desleixo. A falta de atavio dos derrotados das 23h59. As pessoas que nem chegam a ver o dia nascer e morrer em meio segundo. Punha-me em desnível de consciência se aceitasse o que se passou como inevitável. Foi mesmo mau. Mas um mau mais ou menos. Das plenas realizações dos empreendedores, quando lhes tiram a certeza de que o mundo são eles sozinhos. E nunca uma soma deles todos juntos. Mas por menos bom, optei pelo seguro do sentir-me mal.
 
Um problema que não chegou a ser

Texto para minha amiguinha...

 
Ela disse-me tens de escrever, com o sol a desfazer-lhe o cabelo em milhões de cores mortas. Sentava-se na esquina da sala impressionante de espíritos. Nunca me cansei de olhar ao longe aquela velhice de inconsistências. E quando a recordei de que existia, que estava aqui para algo, não só para amparar o chão preto que gostava de descrever, ela sorriu. Pousou a mão direita no colo esquelético, que só a saia de lá cinzenta enfeitava. Respirou fundo duas vezes, com o ar a retirar-lhe para o éter mais dois sorrisos descomprometidos.
-Tens de escrever, já disse.
Não precisava de mais, estava convencido. Prostrei-me aos pés do gigantesco candeeiro a petróleo. Era assim que tratava aquele adamastor da minha infância, e deitei-me. O ar dançava com suaves e abafados acordes um fado do alfredo marceneiro. Não me lembro do nome. Só me recordo que adormecia ao som daqueles lamentos de bêbedo quando era criança. E ela varria. Dizia que nunca mais iria maltratar o mundo. E quando chovia, escrevia poemas de amor ao menino dos olhos da infância dela, o tal que morreu lá longe, onde Portugal nunca passou de um caroço de azeitona.
Procuro ainda coragem para conseguir ilustrar tudo isto sem cores...
 
Texto para minha amiguinha...

Condicionante

 
sorrisos professam o miúdo
solto na areia,
a noite assim se desprende da madrugada insubstituível
da chuva,
pessoais reflexões sobre a dor pertencem
ao passado da forma
em azul como o vento
traz choros de outros mundos,
feitos carne,
fracturados pedaços
de insólito medo
repousam à protecção
de querermos assim
tanta perfeição nos nossos passos,
sorridas exclamações as pessoas convalescem,
sorrisos honestos banham areias da praia
onde reflectir sobre dor,
é igual à princesa sem reino que a chuva deixa morrer sem apelo....
 
Condicionante

Multitude

 
se os quais são
parte de toda a
ênfase,
menos de nós seremos
fruto silêncio dos restos
sobrados,
à margem de sons,
silêncios rostos da farta
ensurdecedora reeducação dos mortos
que estudam,
de somenos a soberba,
mais que todas as modéstias,
restadas fracções dos escolhos escritos
por desaparecidos
que sabiam saber
quase nada....
 
Multitude

No dia em que nos encontrarmos quero que seja assim....

 
Sentia-se Maria. Não o fruto da indecisão dos pós da criação, mas o amor. O passar métrico dos segundos com tudo no sítio em precisão diíficl de descrever. Maria nos gestos, nas indecisões, até nas lágrimas que fecundam a terra em dias secos e de morte pintada nas esquinas. Somei-me naquele dia aos 'bonita', e aos 'fazia-te um filho', que de tão indecentes soavam mudos. Chamei-me deprimido. Calmo bocado da rotina que mata aos poucos. Mas fi-lo à minha maneira. A mão tapava-me a boca nervosa, porque sentia a minha voz de barreiras, não de contactos. Respondeu-me sem responder. Com passo ante passo, nervosamente à procura de um destino que se desfazia no respirar nervoso que se sobrepunha ao correr do sangue da cidade. Insisti. Queria a vida, disse. Arrisquei um toque. Dobrou-se sobre si. Temi pelo desnorte. Mas não. Foi do imobilismo que nasceu o suspiro. Murmurou dor. Percebi que já não queria ao outro, mas só ao que não se vê, mas só dói. Atraiu-me o enliar do vento por sobre o labirinto dos cabelos negros. Pareceu-me ter ouvido um quero-te, choroso e frio. Mas sem olhar. Só lamentos de tudo. Sem palavras, desnorteava por entre gestos subtilmente descontrolados. Olhares humedecidos por um arrependimento que queria morrer, mas parecia imortal.
Caminhámos. Sentia a terra por baixo dos pés a dizer-me o indecifrável. Desaguei com um rio de silêncios junto ao mar. Foi onde me sentia melhor que a minha pele se envenenou com uma sedosa declaração de amor. Humedecidos momentos de atrevimento traduziram-se num beijo. O pôr-do-sol abraçava o que parecíamos querer do resto da vida.
 
No dia em que nos encontrarmos quero que seja assim....

de azuis silêncios

 
fazes-me quer o
sim,
quer o não,
talvez o possível
de entre qualquer
coisa para ser
muito pouco
de assim-assim,...

e ao anoitecer de
dias infindos,
perto longe das
partes metades
do todo
que coça a
noite nos rebordos
do teu sorriso de dia,....

e para o fim rochas
agudas em notas
mudas de discos
opacos de qualquer coisa para afinar portentos,......

de azuis silêncios...
 
de azuis silêncios

Feito todos os tempos que conheço ...

 
Enfrento a frase insubstituível dos dias de chuva,
Fazer o mesmo dizendo que o resto são segundos vazios,
Primeiro eu subtraído de todos os eus desconhecidos,
Depois a parte descolorida de muitos todos vós,
E depois a parte menos incerta de respirar,
Suspiro,
Suspiros,
...o tempo a caminhar sozinho como sempre quis ser...
 
Feito todos os tempos que conheço ...

Blood

 
faz com tu e por
menos serás contigo e só,
à hora o segundo,
terceira pessoa de singulares
plurais consciências que azulam escuros,
avanço que sim,
parto pelo não,
e no fim princípio
restas parte,
somada de nada,
ao vento....
 
Blood

Somados à subtração

 
caso,
somos dois perto da parte indiscreta do sol,
solução,
deixar estar a brisa inconstante da razão aqui, ao pé do ouvido do coração,
e quatro vezes tudo isto,
a partir daqui, só o tempo passa,
o tempo?,
morreu,
eu nunca quis mais nada dele que o tal suspiro final traduzido num volto já inspirador, o sorriso
 
Somados à subtração

Está tão mal escrito, tão mal escrito, que acho que não se percebe mesmo nada....

 
Saiu de casa já a manhã ia alta. Vestido à pressa de castanho pisou o chão branco com pés descrentes. Cinco passos adiante virou à direita, inspirou com o sangue a pulsar indefinidamente nas guelras que já carregava, e deu de caras com qualquer coisa. Depois baixou os olhos de novo, quis ir para onde se sentia melhor,...continuou o caminho, atravessou a estrada dos dias todos. Pisou passeio firme, e de soslaio carregou no botão invisível das manhãs de todas as manhãs. Apareceu qualquer coisa de repente, para mais depressa ignorar o que já nasceu ignorado.
Seguiu caminho. O sol ia alto queimando as ideias soltas que naquele microcosmos pisavam toda a gente da forma mais violenta e inesquecível possível. Do olá já habitual, para novo como vai, e sem que nada demovesse de contornos insofismáveis de querer andar sem parar. Virou à esquerda. Vinte passos em diante, e as gordas diziam que havia crise. Estava tudo caro, a guerra escrevia rabiscos em todo o planeta, e tinham ganho qualquer coisa em qualquer lado depois da porrada habitual entre a plebe. Continuou descrente. Pé ante pé até chegar. Por fim o descanso nos braços com contornos castanhos. Os dos dias todos, que ali repousavam no meio do ar invisível......
 
Está tão mal escrito, tão mal escrito, que acho que não se percebe mesmo nada....

Não gosto das coisas assim...

 
Desumanizado assim,
Estás á espera do tempo em
Que as coisas fiquem secas de
Tanto esperarem que o tempo passe,
E a serenidade de tudo isto?

Viver assim são parcelas de um
Todo encaixado nas estrelas,

Se te digo isto é porque sim,
E porque não gosto da força que
Os nãos têm quando se desfazem...
 
Não gosto das coisas assim...

Avatar

 
reages, tens a presença envenenada,
porque és afago em mármore de taberna,
avental assoberdado de nódas,
pano de assoar mágoas incontidas,...

Spectrum a chiar,
tardes à espera,...

com cão eremita a carpir destinos,
e a emagrecer pelo côto cortado,...

Com tempos que já foram de verbo,
e sóis aptos a morrer,
capitéis,
És à sombra, com frio,
timidez desembargada,
complexo avatar de amor,...

saio de ti afunilado,
com a mentira dissecada,
o arroto de basta,
que ecoa,
em espírito que trancaste,
com esporas de cavalo cansado,...

Do que és em semi-breu,
arrependimento, conciso sentido
de espera,
Antevejo um rio,
de ti para a esquina,
o reduzido,
de um caminho consentido,
se pensas que matar
o que resta,
te vai trazer
a gnose....
 
Avatar

Mena

 
Nunca se desdisse a frontalidade com que Mena pousava a alma em cima do mesmo bloco de granito, durante todos os dias que corriam em carreira. Chovia palha, quando a chuva não era mais que o que ela queria que fossem os sentimentos e as desditas. Ventava de menos.
Sim, a alma em cima de um bloco de granito, à beira de uma paragem desactivada de transportes públicos, eram coisas exangues.
E percebia-se que Mena nem sequer existia, porque o vento só reconhece quem tem coração que transpira estatismo eléctrico.
Apostou-se bem, quando ela um dia não apareceu, e o bloco de granito passou o dia nu. Sem a alma de Mena em cima. No dia seguinte voltou, e trovejava. Foram dois vencidos da vida, dois sublinhados pelo lápis invisível da morte, que lhe bateram nas costas para a felicitar. Esse foi o momento que Mena escolheu para se desfazer. Arrancou o único cabelo dourado da cabeça de rodilhas, e o ar foi subtilmente diluindo-se em volta dela.
Acabou por o mundo ver que Mena são dois dias que nunca se encontraram em si próprios, e fizeram denúncias simultâneas de incumprimentos metafísicos. Nasceu a discórdia nesse dia, e o ar concordou quando a matou.
 
Mena

A mulher que esteve quase,...e falhou

 
ela queria ser enviesada,
discutir com os cenários
efectivamente postos a nu
pelas pessoas,
passar enrolada pelos pingos de suor do
desconhecimento dos
enojados de si mesmos,
e ao fim daquele torto
caminho deparar-se
com o açucar de um carinho,
dizer à pessoa que a queria,
fazer-lhe ilusões pedidas ao ouvido com
falta de jeito,
e ao adormecer
escrever nos pulsos
as palavras mal
comportadas que a faziam chorar lágrimas
azuis desespero...
 
A mulher que esteve quase,...e falhou

...de volta a regressar

 
Desobedeceste ás inconstâncias do tempo,
Mordeste as mãos até lhes arrancares as cicatrizes dos segundos mal vividos,
E no fim o peito das frustrações ferveu o que restava da invernia dos desejos por realizar,...

E tudo para envelheceres melhor do que a comida dos astros,
Fazendo o até só restar uma coisa para fazer,
Recomeçar ...
 
...de volta a regressar