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Poemas, frases e mensagens de plinioaugusto

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de plinioaugusto

E assim fiz estrelas...

 
tendo a insubstituível
delicadeza de um
beijo,
que nos restem precipitações como
a daquela morte,
o senhor que sufocou
de prazer na viela onde
a sombra de amor lhe
sugava a alma
com promessas
sombrias,
assim sendo a paz,
e depois a loucura
de não suportar que
o mundo assim se desfaça…..
 
E assim fiz estrelas...

à sombra do sombrio

 
outros houve que quando aqui passaram,
disseram de nós o que sobre si próprios nem nunca tinham construído...

Que seríamos paz...

Infrutíferas tentativas de fazer mal às pequenas coisas de quando o mundo gira...

negamo-lo agarrados ao pó que fica do tempo que passa...

amantizados com o resto do segundo,

infrutiferamente em desespero com a respiração que escasseia no tóxico quarto em que queremos chorar,
....tranquilos,

....longe do calor da suficiente paz do caminho para o fim da existência.....
 
à sombra do sombrio

Pouco a pouco,...respirar

 
. ... é para rir a dormir,
Sonhar ironicamente,
É para gritar o mundo só presta ás vezes acreditando nos dias invisíveis para o tornar melhor,...

Somando frases,
Gritos paralelos de incompleta quietude,
É para dizer aos falhados que o sol nasce também aos bocados para eles,
E á chuva para que nunca pare de sorrir,
É para escrever talvez com todos os nãos a fazer-nos chorar,
É para chorar até morrer e renascer todos os milhões de vezes que conseguirmos,...

É para fazer muito mais que tudo isto que não é nada,....

E no fim recomeçar pensando que o sucesso reequilibra as milhões de pãginas que a vida nos empresta para escrever e depois deitar fora guardando
 
Pouco a pouco,...respirar

Tele-escola

 
Se o tino não me falha
já tinha aprendido a ler-me,
desenhei de um trago as curvas do mundo,
com as aparas do carvão
fiz povos às cores,....

gente que olhasse o passado com ar frívolo,
desnudando mulheres pela maldade de o fazer,
e esperar em troca o declínio das estações,
e o benfazer das rugas traçadas a sangue,....

todos os dias me faço mal,
habito em oceanos de aldeias desertas,
e continuo sem entender,
se a terra tem alma,...

ou se sou eu o mapa-mundo dos equívocos....
 
Tele-escola

Tricotado e despercebido

 
vês-me em silêncio,
tricotado de ti,
de mão na ambiência
de fulgor que nos rodeou,....

adoro o que sorris
para mim em dia
de alegria,
vês-me em silêncio,
mas e o que somos
de madrugada?,...

não te interrogam os
sopros alados de luxúria
que nos levam de mansinho ao que sofregamente desprezámos?,...

deixei de mansas
perguntas ao sol,....

pedi por menos
soluções inconformadas,...

só me vejo em silêncio,
rasga-me,
para tricotar ser o verbo
com que me decompões....
 
Tricotado e despercebido

Três pernas

 
em dia de plenos poderes,
assim como este,
apetecia-me revoluções de três pés,...

um sem aviso prévio,
outro para fugir a mim de duas cabeças,...

e o terceiro porque talvez
seja o que nunca esperei de mim,...

espreguiço-me na rua,
e materializo-me num poema que gosta de política,
mas detesta o homem que caga palavras de ordem.....
 
Três pernas

Mortal, até amanhã

 
acordou estremunhado,
cansado,
por menos que isso,
doía ao mundo o regaço,...

inefável,
queria ter simples
dores de parto,
um homem a
dizer de si,
o que o mundo odiava
pois escapava
ao senso comum,

das longas noites de
fazer nada,
e hoje,...

a ser o dia depois de ontem,
e sem querer que o amanhã venha,
estava estremunhado,
desejoso do mal,
queria tolerância,
risos descarnados,
malandros frisados a
rir com a possível
ignorância de ser
sacana e angelical ao
mesmo tempo,..

arredado,
de tudo quanto
contava para
as pessoas,
arrastava-se por
aqui,
e por ali catava,
do chão,
dos chãos das
existências cadenciadas,
beatas dos que sucedidos,
mais ou menos bem,
limpavam-se às limpezas
do amanhã
que se desfaz em
suores inconsequentes,...

foi-se deitar arrependido,
enfadado,
por menos que um sopro de vida,
deixou-se enlear no que desenhado,
não dá mais que dois suspiros,
e uma vontade de matar
pictórica e real....
 
Mortal, até amanhã

(Des)gosto

 
gostava de gostar assim como quem desgosta de gostar o que nunca ninguém gostou,
mas gostando de gostar,
gostar de tudo o que não se gosta torna-se mais fácil de gostar...
 
(Des)gosto

Confissão com propósito adiado

 
Marido - Apetece-me morrer bem.
Mulher - Já pensaste que isso é complicado, sem roupa nova.
Marido - Talvez. Mas já almocei. Comi bacalhau com grão.
Mulher - E de que esperas morrer?
Marido - De solidão. Tenho o coração a modos que a rachar.
Mulher - ....
Marido - Dizem que não dói. Sente-se só uma azia.
Mulher - Olha, vai começar as tardes da Júlia.
Marido - Vou à casa de banho. Se não voltar dentro de meia-hora, chama o cangalheiro.
Mulher - Levas revista?
Marido - Sim. O livro de cheques.
Mulher -....
Marido - Não contes com doações. Vou só rasgar as provas de que um dia fui pessoa.
Mulher - E lembras-te de que amanhã é feriado??
Marido -....
Mulher - Tenho as visitas do dominó. Não quero a casa a cheirar mal.
Marido - Talvez morra só depois de amanhã.
Mulher - Vai lá cagar. Não te quero com gases....
Marido - .....
 
Confissão com propósito adiado

Manifesto anti-mau poeta/quiçá mim mesmo

 
Colossal,
fenómeno,
de rés má e
psicótica,...

poetastro,
façanhudo exemplo
de quando o latente
se despenha nu,
em mar de explosões,...

pecado,
pecadilho sonso,
redilho que enredilha
o que insonsa a sopa
do pobre,...

declaro nulo o que
liga pobreza ao senso
de elogiar pedaços
de ti,....

glaucos sons de
impérvios caminhos,
fazem de paz
o que se desfaz,
no que rodeia,
do que te faz,
das coisas más
alcatraz,...

silêncios,
concertos de
sons estúpidos,
considera brinde
o desprezo que
sai do alto da
sapiência que nunca tive.....
 
Manifesto anti-mau poeta/quiçá mim mesmo

Domingo como nenhum outro domingo

 
Num dia de domingo o tempo passava triste como o bacalhau dos pobres,
Havia os homens de soluções encardidas que em vez de falar optavam por estranhos sinais com os sobrolhos unidos,
O sofrimento das esposas era uma figura disforme e sem pernas que caminhava pelos
Intervalos da chuva sem cor que o céu vomitava,
E depois os pequenos,
Os sorrisos de ouro e transparências escritas em inocências
que saltitavam pelas poças douradas de lama,

Num dia de domingo somos tudo isto e nada ao mesmo tempo,
Só querendo se volta a este andar para o lado como o caranguejo,
Em que o tempo flui,
Mais doce,
Mas menos timidamente infeliz do que no resto dos sítios em que existem
Domingos de manhã,
Neste, como noutros dias,
Só se olha pelos segundos disformes que faltam para que o tempo passe a ponte
Vagarosa que o torna velho,

Num dia de domingo,
Escreve-se assim porque ontem foi o resto da vida do
Universo que vai morrer alegre….
 
Domingo como nenhum outro domingo

Os mudos da rua

 
Sempre fomos assim. Os mudos desta rua. Costumávamos sentir orgulho na união com que os minutos se desfaziam à nossa frente, quando concertadamente fazíamos tudo para que o tempo não saísse do círculo concêntrico de copos de gin que se esforçavam em acompanhar o ritmo frenético do póquer. O ar era cinzento, porque o queríamos. As coisas não eram coisas, mas sim insignificâncias, porque não fazia sentido qualquer outra coisa. E assim permanecia a lufa-lufa indiferente de tratar as frases que debitávamos pelos nomes opostos ao que elas aparentavam ter. Até que fomos passado. Aconteceu num fim de tarde diferente. Ligeiramente diferente do tique-taque insano do tempo que nada fazia. Faltou-nos a voz. Deixámos o amor, para ter a parcimónia como nota de rodapé da forma como nos gostávamos. Entre abraços chorámos sem lágrimas. Escrevemos poemas para que aqueles momentos se esgotassem e assim pudéssemos ir mais cedo para casa procurar abrigo nos quartos de chumbo onde nos consumíamos ao som de bêbedos melódicos que ainda eram quem nos mantinha vivos. Ficámos, na realidade, os mudos da rua. E assim foi o compromisso de nunca mais voltar a falar. Indecifravelmente incapazes de decidir por algo diferente, assim se fechou o pormenor que torna tudo isto assim tão incolor como a chuva que pinta de sem cores a rua que serve de cama à inocência morta de saber que a vida pesa, porque se desfaz em equívocos....
 
Os mudos da rua

se a pesca crescesse em ti....

 
se a pesca crescesse em ti,
no quadro maçónico de querer dias em noites,
ser-me-ia a alegria de família,....

já vi de ti mulheres a apaixonarem-se,
ventos em sucintos desmaios de criação,
e nunca o mar a chorar,...

a pesca a crescer de ti,
seriam cardos de choros por pintar,
peixes-alma a nadar
no céu de fosfatos invisíveis,...

adormeço-me numa cidade que existe aos desmaios,
a pensar em ti,
deusa de riquezas com
crianças a sorrir.....
 
se a pesca crescesse em ti....

Articular emoções

 
falámos com tudo o que era palavras,
até cardámos pausas de tear,
as nossas de sorrisos foram feitas,
a entender
os dois firmámos dúvidas,
um rústico pedaço de olhares,
com terras distantes,
a murmurar amores,
milénios passaram
em ventos possíveis....
 
Articular emoções

Foi às putas

 
o verbo tem candidiase,
a anal situação é prova
cabal do relaxe entorpecido
de dias a fio em redil,....

terá fisgado o poeta,
terá alienado o que
tinha para dizer,
notas de rodapé que
o verbo esquece por
cima das palavras,....

ufano,
resignadamente imoral,
o verbo sangra chatos,
esteve com duas putas
que entre si não fazem
uma interjeição.....
 
Foi às putas

Pigalle

 
agencia média palavra
ao pedir o copo todo cheio,
sopram dois laivos de
vento na Pigalle,
e Paris está morta,...

são daquelas septicémias
momentâneas que dão
nos grandes
refúgios de quem cria,...

frugaliza o simples acto de beber,
de oscular o copo que
já serviu à puta,
ao general,
ao nazi sorridente de benfazejo,
que fez de anjo antes de
injectar um diabo na alma,....

espera-se o mundo
e dois degraus de
insipiência de mais um
que pensa na Pigalle,
que ousa desfibrar o próprio
ser e desafiar o mundo
à morte,....

mas e o canto da lamechice,
a Pigalle é de nadar em meninas
que querem casar com a virtude,
de pretos mesmo pretos,
que de branco só têm o amor de
mãe,....

anoitece,
Paris continua morta,
e nunca soube tão mal
deixar-se viver em morte
branda.....
 
Pigalle

porque a indecisão são dois dias interrompidos

 
O céu rebentava em pequenas flores carcomidas. Com o sol estático, em doses de admiração contida, o horizonte desfazia-se ao longe. Ácido o que parecia terminar com lágrimas de sangue a verterem para o rio de pérolas insanas que desmazelava caminho naquele final de tarde. As margens eram de ferro. Com pessoas pequeninas, que se envolviam em conflitos inodoros. Aplaudiam sem saber o quê, com o porquê de tentarem descobrir-se em pormenores resolutos, conversando. Desconversando. Insultando. Confluências de gerúndios com uma chuva insuplicante, que molestava a tábua de tortura reluzente do rio que corria para um fim deslocado.
 
porque a indecisão são dois dias interrompidos

Pedi-te sempre que ficasses

 
pedi-te sempre que ficasses,
agora feliz com gotas de limão,
sou capaz do mais feliz de mim mesmo,
e com o sinal de dois movimentos helicoidais
de te querer mais que o vento desnorteado,
assumo-me por assumir o que nem vale a pena rejeitar,....

sou de ti portentosa,
sou de nós destruidores,
nunca fui do que não penso de ti,
e mesmo certo do nulo,
deixo-me estar,
porque te pedi sempre
que ficasses....
 
Pedi-te sempre que ficasses

Manhã à beira-mar

 
...de novo,
manhã em que
só mesmo nós,
para remar,

a dor,
a quem mostra
propensão para a dor,..

de todo o nosso amor,
que leve um
pouco menos de fervor,

tudo isto para
um malquisto falar
de mar,....

pintar ódios com
a salmoura que
destila de dias
hexagonais,...
 
Manhã à beira-mar

rimas duplas em sofrimento

 
de excelente deliberador,
o que resta por favor,
de si como pedra de toque,
ponha-lhe o enfoque,
de dois momentos tristes,
vividos como despistes,
de lamas difusas do contra,
livres se quiser ser lontra,
mas presos ao firmamento,
de quem dorme sem chamamento,
dos rimadores idiotas,
que com ar de hilotas,
tentam fazer sentido,
num desvario sustenido,
para concluir enfim,
que mesmo em latim,
ser burro não pesa,
mas farta.....
 
rimas duplas em sofrimento