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Poemas, frases e mensagens de MarcoALSilva

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de MarcoALSilva

Vezes por vezes

 
Vezes por vezes, sempre e sempre, jamais saberei o porquê...
É que o saber e o sentir afastam-se da alma com a paixão...
Meses após meses, mente-me sempre o ter e o perder,
Já que a posse do amor é quimera de um sim pelo não...

Amar é furtar-se ao demônio que guarda seu maior patrimônio:
A sanidade de saber quem é a alma que em seu corpo habita...
Perde-se a certeza pela vileza de um sonhar, um ardor que incita
As emoções que ceifam as flores da razão, doando-nos a paixão...

Amo porque amo e não entendo como possa ser diferente...
Se a sanidade é a frieza, salto ao abismo da alegria embriagante,
Perco-me na estrada da paixão, ao encontro da noite amante...

Não, não me peçam para esclarecer o porquê de tanto amar...
Sabe a estrela a razão de tanto e tanto, só e linda, brilhar?
Sabe o mar que seu bailar, de frente e viés, doa-nos as marés?
 
Vezes por vezes

Não sou Anjo!

 
Uma simples discussão...
Destrói todo um castelo que só o tempo pôde erguer...
Os alicerces continuam, exigindo a retomada, o viver!
Mas o esforço a cada novo edificar é dor, é sofrer...

A tempestade vem porque vem e não diz a razão!
Chovem granizos atirados, por ironia, do cinza do céu!
A ira irrompe contra Deus, contra a vida, venenosa emoção!
E as convicções mais doces, tornam-se amargas como fel...

Não sou anjo nem quero ser!!!
Sou homem e, como tal, não quero asas angélicas!
Sou homem e, simples animal, trago reações gélidas

Que me mantêm vivo para sustentar seres ardentes...
Não tenho defesa contra o que não posso entender...
Só a ira me defende sob o instinto de assim ser...
 
Não sou Anjo!

Cio do Saber

 
Volto ao caminho e abandono a fria senda...
Retorno à seara em que sempre estive!
Sem revolta, com carinho, Deus me entenda!
Renuncio ao cio do saber que não contive!

É Luz, e nela insisto! Por Jesus, pelo Cristo,
Pela busca que já não me ofusca, deixo o apreço.
Não me ofusca a entrega de Amor puro e sem preço...
Humilíssimo, o Amor comigo esteve desde o começo!

Sinto que o Príncipe de Luz é só Misericórdia!
Paciente, aguardou-me sereno, aguardando concórdia
Entre minhas inquietudes e o simples caminho
Que dos pecados edifica e nos doa as virtudes...

Cá estou, genuflexo mas olhando fixo para adiante!
Pois sou, mesmo só em reflexo, brilho de diamante,
Filho do Pai Eterno que fere em carinho tão terno,
Tolice lamentar a demora, vez que o Pai é Eterno!

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Cio do Saber

Meu filho me disse adeus

 
Hoje meu filho me disse adeus...
Tão jovem, achando-se forte, homem,
Confunde-se qual criança com medo,
Perdido, sem esperança ainda tão cedo...

Disse-me adeus mesmo sem ir embora...
Não mais são meus seus olhos de amor...
Foi-se presente na ausência que chora
No silêncio de meus olhos em dor...

Meu filho, hoje, se foi pelo mundo...
Está em casa, mas alheio, feio, imundo,
Nas emoções que cultiva em sua alma...

Hoje sou menos pai e menos crente...
Hoje sou mais forte e mais ausente...
Hoje meu filho me disse adeus...
 
Meu filho me disse adeus

NOSSA INIQUIDADE, um pouco mais...

 
Já falamos sobre a iniquidade dos homens com ênfase em seu atual estágio e sob ótica espiritualista.

No entanto, há miríades de aspectos do dia da dia, bem terra a terra, que não podem ser deixados sem expressa menção.

Muitas vezes a têmpera que só o forno e muitos choques térmicos permitem transformar o minério numa lâmina cristalina exige esforço e dedicação tais que o ferreiro claudica. Fraqueja. Duvida do sucesso e até mesmo põe em dúvida se vale a pena ser vivenviado.

O minério chega às mãos do ferreiro do mesmo modo que a rocha grosseira e disforme é apresentada ao escultor. Enquanto um se extenua sob o calor indispensável ao seu trabalho, o outro se estafa com marretas, martelos, cinzéis, que só funcionam sob insuportável esforço físico misturado com a precisão que faz de ambas as atividades uma autêtica Arte.

Quantos grandes Artistas da Alma esse mundo já conheceu? Toda a história humana não encheria um volume com grandes nomes. Mesmo quanto a e esses, quase nada sabemos de suas falhas e dos tantos momentos de desânimo e desencanto. Enfim, se compararmos com o todo da jornada humana são raríssimos em cotejo com os que simplesmente puseram de lado tais misteres e seguiram por outras sendas.

Pois bem.

É assim no sempiterno desforço da alma humanizada. O acúmulo de decepções é causa bem mais relevante do que a simples indiferença ou mesmo esqualidez de alguns aventureiros. Os que vencem seus limites, entregam a obra e colhem os frutos. Não duvide que boa parte destes já, então, nem deseja mais tais frutos porquanto sem valor diante do que foi realizado sob tamalho sacrifício e incompreensão.

O Cristo, consoante o Ensino Superior na vertente mais recente e ocidental, deu-se como exemplo dos enormes espinheiros percorridos e que, impostos e cravados em sua fronte, caracterizaram-lhe a coroa com que o mundo o distinguiu diante dos demais.

O homem se contenta em não fazer o que lhe cabe. O ser humano se satisfaz por manter-se em seus parcos limites de convicções autocorroentes de prazer e euforia. A Vida é pródiga em prover todos os meios para que o homem escolha centenas de cenários ilusórios, ao invés de seguir pela senda difícil, árdua, quase autodestrutiva, a que uma pequeníssima chama de Verdade o convoca todos os dias.

Dentre os poucos que tentam seguir essa convocação, infelizmente, a maior parte termina deixando para trás seus deveres espirituais por não resistir, anos a fio, aos tormentos que o submetem e sobre os quais não tem controle.

Controle?

Não foi o próprio Cristo que nos falou de afastarmos as preocupações com as coisas do mundo e seguir em busca do Reino de Deus, com a promessa de que tudo o mais nos seria acrescentado? Não duvido de que essa seja uma Verdade Universal. Todavia, a própria estadia do Mestre dos Mestres nesse mundo evidenciou que os acréscimos das necessidades conhecidas pelo Pai poderiam, como de fato puderam, levá-lo à famosa locução "Pai, afasta de mim esse cálice".

O Cristo aceitou o cálice e dele sorveu até a última gota, trocando o livre arbítrio pelo senso de dever que registrou aos homens sob a cláusula "Seja feita a Vossa Vontade".

No entanto, eu, pelo menos, não sou o Cristo. Assim, tomo-lhe os Ensinos como norte absoluto e não os descreio. Entretanto, descreio, sim, da minha miserável condição espiritual em proceder como ensinado.

Acho que a Benevolência, a Indulgência e o Perdão, diamantes atirados a essa vara de porcos humanizados, são pisoteados pela maioria desde que a consciência atinge a noção de que muito, mas muito mesmo, lhe será exigido.

Alguns, pisam com menos arrogância, outros sob a vaidade que constrói uma sólida máscara de personalismo, inventando para si mesmos missões arquitetadas com o minucioso cuidado de não trazer quase nenhum esforço de auto-aperfeiçoamento.

Já outros aceitam o Ensino e, mesmo sob seus senões ainda inevitáveis, tentam seguir o Mestre. Dentre esses, inúmeros se deixam prostrar. Caem. Levantam-se novamente para novamente, mais adiante, serem demolidos.

Somente os que têm uma marca na testa, não física mas espiritual, têm a tenacidade que a Obra exige.

Tenha muito cuidado com sua Vigilância. Os inimigos mais destrutivos não estão com fardamentos diferentes além de alguma fronteira; estão e são muitíssimo mais pertos e dissimulados do que você imagina. O primeiro deles é o veneno que o tenta continuamente a desistir. Logo atrás, sob o comando desse generalíssimo, os combatentes do mau combate cercam sua vida nos círculos mais próximos de seu viver.

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NOSSA INIQUIDADE, um pouco mais...

Uma Só Carruagem

 
A vida flui na seqüência comum do dia-a-dia quando, de repente, não mais que de repente – como diz o poeta, o pequeno entremeio de flores se alarga e as estradas distanciam-se, deixando a harmonia dos tons paralelos para a dissonância oblíqua que afasta em definitivo lá adiante tudo o que ainda há pouco era tão próximo. Assim, sem que percebamos, ao nosso lado já não mais temos a estrada na qual parávamos quando precisávamos descansar da viagem que nos extenuava em nossa própria senda. Aquela linda avenida, ali, sempre ao lado, que nos servia de acostamento, aguardando apenas o nosso desejo de parar um pouco a cada milha percorrida. Para onde ela foi? As flores que nos separam dela tornaram-se um jardim, ainda lindo porém largo demais... E assim cresceram deixando mais e mais distante a nossa via segura de apoio que julgávamos tão nossa.

Eis o que tantas e tantas vezes acontece na jornada das pessoas. Eis o choro de quem se surpreende com o óbvio distanciamento que dia após dia afasta, a pouco e pouco, a nossa via segura de apoio. Por que? Porque comumente não cuidamos de nos manter na mesma estrada, não ao lado, mas junto de quem amamos. Decisões são inevitáveis na Vida... Principalmente aquelas duras, que causam dores de uma só vez, lancinantes às vezes. São verdadeiras e vêm de um só golpe, ao contrário do distanciamento que a omissão e covardia plantam, de começo com apenas uns poucos graus de amplitude, levando o barco à estibordo só um pouquinho, mas apontando um horizonte já inatingível para nossa embarcação depois de mais algum tempo.

Se você quer uma sugestão, não permita que a via segura ao seu lado tenha nem mesmo uma única flor entre si e a sua jornada. Eleja, escolha, defina a sua vida junto daquele, ou daquela, que você quer por toda a Vida. Deixe para trás tudo e todos se preciso for, mas esteja na correnteza certa, junto do barco, pequeno ou grande, de que você e seu coração necessitam. Ninguém consegue manter consigo a via livre de mais alguém; é preciso que a estrada seja uma só, com uma só carruagem e dois lugares, um seu e outro dele, ou dela.
 
Uma Só Carruagem

O Vôo das Falenas

 
O vôo das falenas é a Ternura em movimento...
Vendo-lhe a suavidade, sonha o homem
Quimeras pueris que o inebriam e consomem,
No desejo desesperado de jamais despertar...

No sonho tudo é concreto, nada é onírico...

Mas é na incerteza do acordar que se depura
A Razão, prostituída e travestida de loucura,
Incapaz de abarcar o sonho de uma criança,
Incapaz de antever e crer, de ter esperança...

Para a Razão tudo é relativo, nada é concreto...

Que sabemos nós do vôo das falenas?
Razões mil, milhões de centenas... uma apenas?
Apenas uma razão para o vôo das falenas!
O vôo da Alma... o vôo da Vida... Razão esquecida...

Basta-me à concretude o sonho de voar...
 
O Vôo das Falenas

As Ironias da Vida

 
Viver, no dizer de muitos poetas, é uma penosa jornada. A vida tem mesmo momentos difíceis, dor, sofrimento, medos, angústia... Mas tem também momentos de alegria, de riso, de leveza, de sublimidade até. Ninguém conseguiria sobreviver se esses momentos também não houvesse. Talvez por isso exista tanta ironia na vida.

O ser que mais amamos é exatamente aquele a quem atingimos com nossas frustrações. Não temos maiores cerimônias em eleger o nosso grande amor como nossa "legítima" válvula de escape. É o ladrão de nossa caixa d'água, ou, melhor dizendo, de nossa caixa de lágrimas. Pena que a ira comumente seja o veículo desses desabafos destemperados e, a bem dizer, indefensáveis. Triste, não é? O nosso grande amor é quem mais sofre com nossas mazelas, com nossa incapacidade de aceitar revezes que nada têm a ver com o Amor que esse ser nos destina todos os dias.

A alegria de embalar uma criança nos braços, por outro lado, é inexcedível. É uma alegria sutil, silenciosa, um embevecimento de sublime realização. Nossos filhos são tesouros que fazem transbordar do coração o senso de felicidade que raramente nos consola quando, anos depois, é dos olhos que transbordam preocupações, inseguranças e desgostos que esses mesmos filhos nos doam com absoluta generosidade. Mal atingida a noção de si próprios enquanto almas independentes, na adolescência, vergam-se sobre o amor dos pais como o transeunte que limpa os pés no tolerado capacho da entrada.

Ainda por outra, o indômito espírito de poder infinito que os jovens mal contêm no semblante leva à caminhada forte, firme e desnorteada com que todos nós inauguramos a senda de nossa própria vida na Vida que nos convoca à realização. Depois, quando o passo já não ostenta mais o vigor de antanho, os caminhos ficam claros e bem definidos na visão apequenada que os óculos corrigem. É na incapacidade de caminhar que repousa o pleno conhecimento da jornada, sob as nuvens brancas e rareadas dos cabelos que então, talvez, ainda nos restem.

Em toda a vida, seja como for, o Amor teima em arder no peito de todos. Em ao menos um momento da vida o Amor instiga, envolve, domina e conduz a pessoa para atitudes, posturas, providências, tolerância ou mesmo resignação, sem que a razão possa declinar sequer esboço de uma explicação. É assim quando o Amor toca as almas gêmeas que se reencontram, nascendo ali a aboluta e inquebrantável certeza de que a Beleza ali reina. A Beleza que está nos olhos de quem a vê e – quem se importa? – de mais ninguém.

Sim, a vida tem mesmo muitas ironias... Mas são ironias somente porque, também de forma irônica, a ironia está nos olhos de todos nós, que a enxergamos.
 
As Ironias da Vida

Retirante

 
A vida nos é quase sempre triste,
Mas a Alma teima, chora e insiste
Na busca de tudo o que for capaz,
Ainda que deseje só um pouco de paz...

Um lamento de quem sofre não se mostra,
Porém talvez ao imaturo seja a amostra
De que nos lodos e nos espinheiros
De nós quase todos somos aventureiros...

Passo a passo, passo fome mas não caço,
Porque amigo deste homem tem pelo e casco,
Levando-me nos ombros sem reclamar,
Evitando-me o espinheiro no caminhar...

Vou pela trilha da vida sem norte e sem sul,
O sol que esmerilha traz a morte no céu azul,
Núvens alvas como algodão que retêm o suor,
E a noite fria no céu, no chão, em dor maior...

Mas sigo adiante porque, se parar, morro...
O sol é diamante a quem, tolo, peço socorro,
E na sombra em que respingo meu pranto
Nascem cactos mudos de perfume e canto...

A ossada de um boi que de há muito se foi
Anuncia que a estiagem não sugere seguir...
Mas, que fazer? Se não me faço à agrura
Para sempre com o boi a vida me segura...

Vou, pois, com a tristeza de arder velhice
Sem ter aprendido tudo o que tanto me disse
Aquela que deixei chorando de saudade...
Buscar néctar para os filhos foi-me a maldade...

Devia ter ficado ao lado do amor e dos meus,
Porquanto, agora, já não me fio de voltar um dia...
Morrerei nos cactos que plantei enquanto vertia
O resto de força que o sonho trazia com alegria...
 
Retirante

Os Tempos são Chegados

 
A maioria ainda não percebeu... mas os tempos são chegados. É verdade. Não se trata de figura de linguagem ou de uma mera invocação do Livro das Revelações. Aliás, não se cuida sequer de um anúncio religioso ou fundado na fé pura e simples dos que vêm no Apocalipse uma autêntica profecia. Os tempos são chegados e isso é óbvio.

Tantos já acreditaram estar diante do julgamento final a cada momento de crise neste planeta... No entanto, ouso asseverar, estamos agora, sim, vivenciando a separação do joio do trigo. Não há uma guerra de homens contra homens, não há exércitos marchando pelas grandes cidades do mundo, não há discursos nacionalistas. Nem mesmo o alarido religioso que segrega irmãos sustenta um conflito universal. Contudo, há um combate constante nos últimos anos, uma batalha cada vez tão mais intensa quanto insidiosa, dissimulada, terrivelmente cruel.

Descerremos os olhos!

Os Quatro Cavaleiros estão sob o comando eficaz da Besta. O Dragão subiu dos Abismos e habita entre nós, soberano enquanto durar sua missão sagrada de vibrar a espada que conduz os réprobos da Lei ao seu legítimo destino nas Trevas, sob seu império, no contexto da Harmonia Universal. Lúcifer é, hoje, mandatário de imenso poder, poder que Deus lhe concede para que a Lei se cumpra.

O mundo é, em todos os seus aspectos, um imenso paradoxo. A Terra hospeda toda sorte de desatinados que comungam da experiência evolutiva ao lado dos que buscam sincera elevação em direção à Luz.

Safras agrícolas são colhidas sob contornos técnicos que vencem pragas e até mesmo os rigores naturais do clima. A fome jamais campeou tanto nos celeiros desse mesmo planeta, ceifando vidas no nascedouro, coroando a inércia de tantos povos que, deixando de promover o socorro misericordioso, tornam-se instrumentos nécios, pífios, ineptos da Luz, ao mesmo tempo em que recebem galardões e medalhas do Demônio. Por outro lado, o Mundo todo se une, se irmana, se aproxima, descendo barreiras e fronteiras, interagindo com extremo dinamismo nos fluxos imensos de recursos e riquezas de lá para cá, daqui para lá, mais ali e acolá. Longe dos navios, dos aviões e da fabulosa rede de comunhão virtual, bilhões de homens prostram-se nos mesmos moldes antepassados de tradições castradoras e impedientes do universalismo que seria o reflexo da união que o próprio Cristo veio ensinar.

Mal superado o susto inicial pela peste que consome desatinados das sensações e das paixões desenfreadas, a cada pequeno e claudicante passo da conscientização inadiável miríades de invigilantes são derrotados pelo descuido criminoso negligenciando deveres mínimos à imprudência com que continuam navegando em seus apelos sensoriais. Pragas mais antigas ganham novo impulso putrefando corpos ainda em vida, sobrecarregando mecanismos de requalificação e refazimento, reproduzindo no microcosmo do veículo de barro a desarmonia em que repastam mentes décadas a fio.

A Luz penetra o fumo denso das preocupações constantes do homem, incapaz de dissipar os tormentos voluntários que a concupiscência gera no exercício do seu livre-arbítrio. Bem e Mal combatem em sangrenta guerra. No dia-a-dia humano, seja nos palácios, seja nos casebres, poucos compreendem a distinção entre o que é e o que não é... A Besta comanda soldados com extrema inteligência. Move silenciosos esquadrões minando as referências que a maioria mal pode divisar. Na alegria aplica a irresponsabilidade; na caridade, estimula a vadiagem; na pregação, traz o personalismo que macula o orador na sedução da vaidade; na prudência, conduz à frieza; na piedade, inocula o desencanto; na coragem, desdenha o dever de auto-preservação.

E assim a Besta traz ao homem o extermínio. Crava na testa de bilhões o signo das trevas. Cumpre a Lei de Deus deixando ilesos apenas e tão-somente os que, não sendo anjos, livram-se do terrível destino com a boa-vontade e o esforço indispensável dos que anseiam a Luz.

Nada mais é pedido ao homem do que ter Boa-Vontade, ser Indulgente e Perdoar. O Ensinamento é o mesmo de milhares de anos, em vários povos e muitos idiomas. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Procurar o que agrada a Deus antes de tudo, com garra e determinação, trabalho e suor, deixando que tudo o mais venha por acréscimo, nas mãos abençoadas da Providência Divina.

Rogo a Deus que o Amor toque a tantos quantos por Ele anseiem.
 
Os Tempos são Chegados

Fere...

 
A vida fere...
Simples assim, a vida fere...
Mas daí, por si, não se infere
Que viver seja apenas sofrer...

Além de sofrer, cai-nos o pranto
E o deserdo de todo o encanto
À infância conquistado pelo amor,
Corroído ainda em flor pela dor...

A vida fere...
Simples assim, a vida fere...
Tudo o mais, desconsidere...

A vida fere...
Simples assim, a vida fere...
Acostume-se e nada espere...
 
Fere...

Cotidiano

 
Olhando para o ontem
Percebo que escapa-me ao agora,
Tanto quanto, à sombra de outrora,
Tudo o que se foi jaz perdido...

Perde-se no tempo
Todo o afã pelo amanhã,
Pois a vida corre solta
No presente sempre envolta...

Na ilusão de uma viagem
Tantos sonhos, frios, ardem
Sob a dor do dia a dia...

Tomo em prece a heresia
De saber-me preso ao dia,
Sem remanso, toda noite, sem descanso...
 
Cotidiano

Dor é Alegria

 
Olhando para o céu, vi núvens e pequenas aves...
Em minha boca o féu que senti às penas e entraves
De um viver de luta com muitas portas, sem chaves,
Diluiu-se ao enlevo do frescor de uma brisa...

Olhando para as núvens vi as aves livres a voar...
Ao carinho do vento, sem medo, em puro sentimento,
Exerciam a dávida que o Pai lhes destinou...
O vôo livre de esperança, de força, confiança...

Olhei para o chão e toquei a fina poeira do solo,
Finalmente consciente de que me cumpre caminhar...
O Pai me doa talco suave e o frescor da ventania,
Nada há que me doa no viver em que dor é alegria!
 
Dor é Alegria

Alegria de Criança

 
Alegria de criança, euforia de adolescente,
Êxtase que embota e entorpece a mente,
Nada que leve tão a sério, nem tanto mal,
Mal dissimulada certeza sobre o carnaval...

Folguedos que da inocência
Sequer têm a lembrança...
Não me digam do arrebatamento
De uma esperança!

Não me falem das dores
E dissabores de todo um ano!
Espinhos existem nas flores,
Sem perdão, eruditos e mundanos!

Não, não me digam do sonho fugaz!
Não me tragam o canto das sereias!
Estão nas praias, frios, sobre as areias,
Corpos inertes de tolos embriagados!

O álcool desvela os demônios cultivados
No cativeiro hipócrita da mera repressão!
Liberta pesadelos sonhados, desejados,
Ocultos na virtude mentirosa da ilusão...
 
Alegria de Criança

Quem é o Inimigo?

 
Quem é o Inimigo?

São tão comuns os traumas que ferem as famílias de um modo geral, no mundo todo, em todas as épocas, que vem bem a calhar uma pergunta ao mesmo tempo simples e insidiosa: quem, afinal, é o nosso grande inimigo?

Não, não vamos entrar na contenda filosófico-ocultista do conceito de "Bem X Mal"... Essa deliciosa polêmica é até mesmo de reluzente interesse para os estudos a que nos devotamos. Mas fiquemos, aqui e agora, no terra-a-terra das circunstâncias humanas que habitam nossa Vida sem exceções. Sejamos simplistas sem perder o senso crítico e objetividade.

Se imenso é o número de pessoas afetadas --- e hoje mais do que nunca --- pelos males da depressão, ansiedade, estresse, síndrome do pânico, labilidade emocional, síndrome de Burnout, não menos expressivo é a quantidade de pessoas que a Vida, nos moldes em que as relações familiares se desenvolveram hodiernamente, mantêm na mais danosa imaturidade mesmo após o terceiro ciclo setenário de sua existência.

Vamos nos ater ao geral, ao comum, garantindo uma meditação válida para a maioria dos casos. Exceções sempre existirão.

Nas famílias de mais baixa renda os adolescentes costumam envolver-se com o desencanto que a precariedade financeira lhes traz à experiência. Continua o jogo de futebol com os colegas. Às vezes, jogam vôlei ou basquete, mas o futebol ainda é a preferência. Em cada casa, normalmente sem acabamento externo, com móveis simples e apenas os indispensáveis, há um televisor moderno que, de alguma forma, lícita ou não, recebe o sinal dos mais variados canais a cabo. Deixam a meninice para trás com a crescente certeza de que há mesmo um mundo diferente daquele em que vivem, com mais prazeres, com mais beleza, com miríades de divertimentos, smartphones, tablets, computadores, estações de jogos e jogos cada vez mais sedutores, com gráficos perfeitos. Há também toneladas de filmes que, na ausência de outros elementos de convencimento, incutem na mente jovial a convicção de que existe um autêntico glamour na ilicitude de quem vence um certo "sistema" e arrebata para si os "ganhos sociais" que uma tal de "elite" vem lhes roubando desde os tempos de seus avós. Não, ainda há mais tempo!

Se a classe social desses jovens coincidir com os arrabaldes de uma metrópole putrefada de drogas, prostituição, furtos, roubos, e imposição de poder por mera violência, o resultado costuma ser o voluntariado operoso pela militância criminosa. Pés em chinelos de tiras, bermudas abaixo do joelho e grandes bolsos, camisetas sem mangas, bonés, compõem o fardamento de um exército sob rigorosa disciplina de jovens alguns poucos anos mais velhos. Sorrisos largos e olhos desafiadores são fotografados com um fuzil de assalto com bandoleira e carregador extendido, na típica pose dos que encontram alguma "dignidade" e espírito de corpo. São as falanges, comandos, enfim, entes coletivos estruturados para as estratégias de recuperação dos valores que as elites esbulharam sob o mais terrível mal a se combater: os criminosos de colarinho branco, ou seja, todos os "ricos" que existem, todos envolvidos no esquema de exploração da população espoliada.

Com uma veemente certeza de que a vida é exatamente assim, os adolescentes não conseguem ouvir a triste ladainha dos velhos de sua casa que, como efeito do medo deformante causado pelas elites, não podem mais ser levados a sério, senão como um cenário comum que, segundo todos os demais jovens reportam suportar, somente causa idêntico sofrimento em seus lares. "Pô, que saco!".

Mais uns poucos anos de interação com esse mundo de possível reconquista e duas possibilidades se abrem. Ou a história termina sob um petardo certeiro de um fuzil carregado por um bem treinado militar policial, ou a história prossegue e o jovem é promovido, passando a ter mais e mais envolvimento com o sistema paralelo que constitui a sociedade em que vive: o crime organizado. Mas então já não está com tanta certeza acerca dos motivos que enobrecem sua guerra de reconquista. Sem tecer comentários, vai se dando conta de que, afinal, é o que é, um bandido, um delinquente, uma pessoa que a esmagadora maioria do restante da imensa cidade considera apenas como um malfeitor que merece mesmo ser abatido a tiros pelos homens fardados.

É ainda de pouca idade, porém já está até a raiz dos cabelos aprisionado no piche da criminalidade. Se tentar simplesmente sair do "esquema", seus próprios companheiros não hesitarão em exterminá-lo. A ladainha dos velhos é relembrada com mágoa, já que continua sentindo-se uma "vítima" da falta de oportunidades e ausência de uma eficaz boa orientação. Se continuar vivo mais alguns anos, com certeza já não pensará nesses aspectos "menores e pueris da existência".

Toda essa saga poderia ser reescrita com fácil adaptação para jovens oriundos de lares muitíssimo mais confortáveis e famílias com oportunidades concretas de autorrealização. Paradoxalmente, esses adolescentes deixam aflorar em si mesmos uma noção, quase nunca sequer sugerida por seus pais, de que o mundo é assim desde sempre. A humanidade não mudou nada desde que surgiu, apenas conquistou mais tecnologia. O mundo é dos espertos, consoante uma deformada releitura do Neodarwinismo. Mesmo desconhecendo Nietzsche (ou até por "conhecê-lo"), concebem-se como super-humanos que têm o dom natural de impor-se, vencer, conquistar. Evitam, igualmente, ouvir os mais velhos de sua família temendo-lhes a obsolescência, chaga que lhes causa aversão e medo, como se fosse altamente contagiosa.

Não se preocupam com conceitos como "justiça social" ou "igualdade de oportunidades", tampouco "meritocracia". A meritocracia deles é a capacidade de atingir os objetivos seja como for, passando por sobre quem e o que for necessário.

Enfim...

Juntamente com a evolução e eliminação de conceitos machistas, houve a dissolução, como efeito colateral, daqueles deveres de cooperação com o ente familiar. O rapazinho e a garota passaram a se ver como projetos de si mesmos sob o débito absoluto de apoio dos pais, independentemente da concordância deles com esse ou aquele caminho adotado. Alguns chegam a sentir-se no "direito" de ser financiados integralmente nos festejos norturnos, nas rodadas de noite afora por toda a madrugada. Sorriem ao ver a preocupação patológica dos pais.

Não são poucos os pais que sabem que isso tem sido assim há alguns anos.

Contudo, há também adolescentes que, independentemente de pertencerem a esse ou àquele segmento da sociedade, observando o mundo exibido nos televisores não chegam necessariamente a concepções jihadistas de reconquista ou de mera tomada à força das coisas que deseja. Tampouco acham que o mundo pertence aos mais fortes, sob quaisquer preços ou meios.

Voltemos um pouco a tempos idos.

Nos séculos anteriores o rapaz desde seus catorze ou quinze anos já passava a sentir parte do peso das responsabilidades de seu lar. Além do estudo (para os poucos que podiam estudar além da formação mínima), o jovem se via envolto nas ações de manutenção da casa. Garotas ajudavam suas mães consoante a cultura então vigente dos "serviços femininos", enquanto os meninos estavam sob a fiscalização e cobrança dos pais, mantendo a grama aparada, as calhas limpas, o lixo recolhido e levado a destino, os pequenos consertos que portas, portões, armários e estruturas menores demandavam. Alguns, inclusive, se aventuravam por pequenos ajustes nos circuitos elétricos domésticos.

Há ainda quem bem se lembre que, um dia, já foi assim. Tal postura, guardadas as devidas proporções e as modificações sadias que a evolução certamente traria, com a diminuição dos preconceitos, é o que ocorre em poucas famílias hoje em dia. Depende do bom senso maior das pessoas que compõem o ente familiar.

Nessas famílias, bem menos numerosas, garotos e garotas cooperam com o esforço quase sempre extenuante de pais preocupados, carinhosos, mas muitas vezes ocupados demais para demonstrar todo o amor que nutrem por seus jovens filhos. Nem por isso tomam-se de revoltas pasteurizadas sob embalagens vendidas a preços módicos. Esses jovens dão mais atenção aos momentos de alegria no lar, deixando como meros infortúnios os instantes de dor pelas rusgas ainda onipresentes em qualquer grupo humano.

Chega... Já podemos formular uma outra pergunta insidiosamente preparatória para o tema inicial deste texto.

Como deixamos que a regra se tornasse exceção?

Não creio que alguém tenha uma resposta simples para isso. Impotência, desleixo, ignorância, descuido na absorção pelos combates comuns do dia a dia... Na verdade, nada parece responder adequadamente porque há uma mistura de causas que se alternam ou concorrem conforme o tempo passa.

Mas, sim, o fato é que nós deixamos que a regra se tornasse exceção.

Aquele padrão de jovem imbuído de seus deveres perante sua família e na preparação para a vida chega a ser um invejado item no rol dos sonhos de todos os que já vêm os primeiros sinais de desvio em seus filhos. Filhos ainda e para sempre totalmente amados.

Todos os bebês, nenéns, pequeninos curumins vão se alterando.

Bem, eu acho que, talvez, essa deformação da família não seja, por assim dizer, "o Inimigo"; porém tenho convicção de que é "um forte Inimigo" de todos os que se colocam na missão de forjar os filhos para a vida.

Como quase sempre, causa-nos desconforto inconfessável a constatação de que nós mesmos colaboramos para que assim o mundo tenha se tornado.

Você já assistiu ao filme "O Advogado do Diabo", com os inexcedíveis Al Pacino e Keanu Reeves? É uma fantasia. É um filme que trata como verdade objetiva a figura de Lúcifer e dos anjos caídos. Mas, ambientando-se na atividade excitante de um grande escritório de advocacia em Nova York, põe o simbolismo, a mitologia do pecado original e tudo o mais sob um roteiro primoroso. É um filme que nos faz pensar. E muito (salvo, é claro, para quem o assiste com senso de mero divertimento destinado ao esquecimento).

Uma das passagens mais interessantes do filme (creio que a mais importante), é o próprio Diabo dando seguidos e maravilhosos conselhos ao noviço causídico, conclamando a muito maior importância da família em cotejo com o extenuante ritmo do trabalho. A decidão tomada em favor da continuidade do trabalho é do noviço, tanto quanto mais ressoam-lhe os bons conselhos. No final do filme é relembrado esse fato pelo Diabo, despertando o noviço para a simples realidade ser seu o livre arbítrio, não dele.

Por que o menciono?

Porque também nós, pais de família, seguidamente damos ouvidos a conselhos da vida que nos soam maravilhosos. A sociedade evolui. As crianças, agora, já nascem falando, são muito mais espertas. Não podemos tratar nossos tesouros, hoje em dia, da mesma forma antiquada e castradora de nossos antepassados. Temos que fazer com que os filhos saibam que somos seus amigos, muito mais do que pais. Temos que torná-los capazes de nos dizer qualquer coisa, mesmo que isso custe toda a nossa autoridade familiar.

São frases que representam valores interessantes. Todavia, muito mais sorrateiramente, são frases que nos tocam o interior com uma deliciosa dispensa de um esforço maior em observar, cuidar, orientar, cobrar, negar e aplicar castigos quando necessário. É uma fórmula alquímica espetacular. Afinal, "é um saco" ter que ficar, depois de tanto trabalho cansativo, percorrendo a longa planilha dos deveres que todos os pais, querendo ou não, têm para com seus filhos.

Estou bem propenso a dar crédito de Verdade com "V" maiúsculo, a essa mensagem escancarada pelo magnífico diabo Al Pacino, sob o olhar quase indefeso de Keanu Reeves. Claro que estar tal mensagem numa sequência de cinema vai trazer a alguns (ou a muitos) um torcer de nariz. Não importa. Ainda acho tão válido como ter lido num livro milenar de sabedoria.

Eis aí o nosso GRANDE INIMIGO.

Somos nós mesmos. Todo o louvor aos que sabem escapar dessa insidiosa forma de autocorrupção por toda sorte de sofismas acalentadores.
 
Quem é o Inimigo?

O Perfume da Rosa

 
Olá, meu amigo, como vai?
Falo-te hoje sem o fel da poesia...
Fá-lo-te agora pois há muito sabia:
Fá-lo-ia algum dia...

Conheces-me o amargor da escrita?
Peço-te: nem um sussurro meus repitas!
Envenena-me o sono perceber que acreditas...
São mentiras... poemas em cio... fezes que crio...

Não! Não me concedas a dor de acreditar-me!
Enganei-te! Não te ocultes à beleza de viver...
Perdoa-me... Não te insultes à vileza do sofrer...

Por que não olhas à tua volta? Sorria...
Continua existindo o perfume da rosa...
Continua insistindo a ternura, teimosa...

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O Perfume da Rosa

Contraponto

 
Violinos choram a dor da melodia
Enquanto a alma se esvai em notas...
É o contraponto do amor em harmonia
Buscando em si as velhas rotas...

A cadência desvirtua a métrica, insubmissa...
Arroja o pranto da paixão em premissa...
Tripudia o ritmo, obliterando-lhe o andamento...
Revolve o compasso, fibrilando em tormento...
 
Contraponto

O Lobo

 
Olá, como vai? Vivendo a vida?
O sangue se esvai à aberta ferida?
Bobagem... Deixe estar que a dor passa...
Na estiagem o gado morre e o lobo cassa!

O cordeiro vive em seu medo de viver?
A mansidão foi-lhe imposta por dom?
O tigre sobrevive! Não é mau, não é bom,
É a Natureza em essência: é o viver...

A busca do saber é o fruto de Deus
Pilhado à religião de um trono tirano...
O encenado inferno de um teatro insano...

Alegria do mundo! Viver é florescer!
Esqueça sua dor e lute como um leão!
Na selva humana viva por seu coração!
 
O Lobo

Atemporal

 
Tenho muita saudade do futuro...
Quando tinha um grande vir-a-ser...
Agora, o passado invadiu-me o presente...
E o presente... Falece na angústia do ontem jamais conquistado e na ansiedade de um futuro para sempre esquecido...
 
Atemporal

Chorarias?

 
Estéril, o sonho desprovido de paixão...
Insípida, a esperança sem a dor da saudade...
Não há alegria se não existe a ansiedade,
Se não há luz, por que temer a escuridão?

Não se pode viver sem o alento da incerteza...
Tempestades ressaltam o prazer da monotonia...
Sofrer uma dor ao desalento da tristeza
É fazer do amanhã o sonhar da alegria!

Se não há sofrer não há prazer, só ausência...
Sem uma dor, o que nos seria o frescor do alívio?
Nos olhos de choro inchaço, reencontro, um abraço...

Se não há reflexo nos meus olhos, que fazer?
Se não há nexo entre os dias, chorarias?
Busca-te! Não te percas ausente a cada dia!
 
Chorarias?