Qualquer Aço *

Data 18/05/2010 14:39:20 | Tópico: Poemas -> Reflexão

Qualquer que seja o perigo
valerá a pena.

Qualquer que seja o preso
valerá a fuga.

Qualquer que seja o progresso
valerá a desordem.

Qualquer que seja o estrondo
valerá o risco.

Qualquer que seja o poema
valerá o vinho.

Qualquer que seja o amor
valerá o ciúme.

Qualquer que seja o motivo
valerá o insistir.

Qualquer que seja a medalha
valerá o esquecimento.

Qualquer que seja o amigo
valerá o abraço.

Qualquer que seja o engano
valerá o remendo.

Qualquer que seja o patrão
valerá o protesto.

Qualquer que seja o tirano
valerá o balaço.

Qualquer que seja o inimigo
valerá o combate.

Qualquer que seja o cansaço
valerá o resistir.

Qualquer que seja a mentira
valerá o derrubar.

Qualquer que seja o final
valerá o começo.

* Série de Poemas manuscritos nos anos 70, período da ditadura militar no Brasil, por um jovem poeta Anônimo.



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