Utopia de um poeta

Data 07/04/2013 00:46:37 | Tópico: Duetos

Nada me faz prender
Às angustias desta terra
O cheiro que me deixa
Velhas recordações

As amarguras, as desventuras de outrora
O medo, a dor, o sofrimento
A tortura do lamento

Os lamentos de poeta
Não deixam Florbela
Nem Espanca
Salientar a sua mera dor

Nem Pessoa, nas suas ilusões
Jamais se lembraria...
Das quimeras, das desilusões
Da simples utopia

Que deixei fugir um dia
Em sinais...!

Ah, quem me dera puder abraçar
Teu corpo
E puder dizer-te, baixinho... sussurrando
"Sou teu... meu desprotegido"

As vozes que embalam
Crianças ensonadas
Deixam "minha" Florbela
Sonhando, por vidas
Meramente ultrajadas

O sufoco da partida
O adeus da despedida
Vidas perdidas, sem rumo
Ao longe... avista-se a esperança
Um barco, perdido por entre nublinas

O Sol bem deseja romper, mas
As nuvens teimam em manter
As terras húmidas
De sofrimento e angonia

As aves voam rumo ao céu
Bem no alto, entrelaçam-se
Num voo sem rumo,
Ao velho desassossego
Este poema foi escrito juntamente com a minha irmã, Ângela Ferreira... Amo-te, mana!!



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