ABLA플O ALIMENTA AMBI플O

Data 11/06/2013 14:25:44 | T�pico: Textos -> Surrealistas

Poesyck � ilha localizada no centro do Triangulo das Magias, governada pelo mago Peace Alquimium, grande mestre do poder da benevol�ncia e da magia universal. Sua alma esot�rica era praticamente constitu�da de dons benignos, mas continha pequena parcela de cunho maligno na m�o esquerda, mas que n�o interferia na sua bondade. Peace Alquimium nutria o desejo de eliminar de vez toda e qualquer bruxaria demon�aca que interferisse no reino de luz destinado � humanidade.

Havia muitos magos de segunda e terceira categorias, por�m onze deles causavam-lhe preocupa寤es por se deterem em magias pelo caminho da m�o esquerda, cujos atos evocavam sacrif�cios sat�nicos. Por muito tempo investigou aqueles bruxos e n�o tolerando mais suas atitudes ocorreu fazer-lhes uma proposta. Pensou nos pr�s e contras e decidiu enviar instigantes missivas convites a cada um.

Evelyn Smith, Randolf M�ller, Eleanor Creman, Anast�cia Soy, Andrew Silver, Anah Rymond, Paul Clarency, Mathews Madeira, Peter Villar, Arthur Vidal e Antony Salvatori, todos com idades entre 40 e 50 anos, receberam a correspond�ncia do Mestre das Magias, e imediatamente entraram em contato entre si para levar a cabo a proposta ali contida. Ap�s pequena assembl�ia deram in�cio aos preparativos que terminariam no grande e ambicionado banquete que aconteceria dentro de doze meses ap�s o primeiro sacrif�cio. Fizeram um sorteio para estabelecer o dia e qual deles seria o primeiro a ofertar o manjar.

Assim, os meses foram passando e um por um se fez anfitri�o, alimentando e sendo alimentado com suas pr�prias carnes de acordo com a carta convite recebida que dizia:

Do alto e do poder que me cabe comandar, reestruturar e pacificar todos os atos cometidos pelas intelig�ncias medi�nicas existentes nesta esfera planet�ria proponho: Que os detentores de poder que utilizam as magias do caminho da m�o esquerda usando da supremacia do ocultismo, que receberem esta carta, cortem suas m�os esquerdas na altura do antebra�o e ofere�am entre si como manjar durante onze meses consecutivos, sendo que em cada m�s seja consumido apenas um manjar por vez. Desta forma se alimentar�o da magia um do outro e com isso o dom negro ser� erradicado de vossos atos e anseios. No d�cimo segundo m�s, se far�o presente nesta ilha de Poesyck, com seus trajes de gala, onde ofertarei um banquete cujo prato principal ser� minha m�o esquerda cortada no pulso, pois que o lado obscuro do mal em minha ess�ncia � de pequena propor豫o. Quando tiver servido a todos e n�o mais restar resqu�cios de unhas em vossos pratos, receber�o de mim a vis�o e todo o conhecimento que adv�m da Pedra Filosofal.

E finalmente chegou o grande dia.

No amplo sal�o, onde uma mesa para doze estava requintadamente composta, ouvia-se o burburinho das vozes, em respeitosa modera豫o de timbres. Uma breve gargalhada soou, algures, e todos os olhares se voltaram para a origem dela, com uma estranha atitude de quase consterna豫o e ofensa: fez-se um sil�ncio pequeno, e, logo depois, as conversas e os rostos voltaram ao tom grave, quase austero, que a ocasi�o impunha.
Algu�m deu voz � ordem de sentar � o jantar ia ser servido. Havia doze lugares � mesa, mas s� onze convidados na sala � sete homens e quatro mulheres, todos de idades a rondar a meia vida. O anfitri�o, como sempre acontecia naquelas reuni�es, serviria a refei豫o, e s� se sentaria no seu lugar, ao topo da grande mesa, quando entrasse com o manjar e o servisse a todos, um por um.

O candeeiro enorme, suspenso sobre a mesa dos onze convivas, pareceu oscilar levemente, concedendo aos cristais que lhe ado�avam a luz, refulg�ncias de curiosidade e espanto. Todos se voltaram para a porta, estranhamente sentindo uma aragem fria, reminisc�ncias de brisa mar�tima, um gosto quase salgado-seco na boca...

O d�cimo segundo conviva, erguendo na m�o direita uma enorme bandeja, trazia o bra�o esquerdo enfaixado e seguro ao peito. Uma mancha de sangue vermelho vivo trespassava as gazes brancas, deixando perceber que o acidente fora recente. Mesmo assim, sorria, triunfante, quando entrou na sala. Depois, em sil�ncio, pousou a bandeja sobre a mesa: uma m�o esquerda, cortada com o pulso, fumegava, ainda, na enorme travessa...

Todos bateriam palmas, se tivessem as duas m�os... mas, claro, a todos os restantes convivas, faltava j� a m�o esquerda, cortada ao n�vel do antebra�o... restou-lhes olhar com respeitosa admira豫o o 볷ltimo sacrificado�, e, com estranha e discreta gula, o 볷ltimo manjar�...





Texto participante do VII EVENTO 2013
DO LUSO-POEMAS




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