Ascensão, apogeu, declínio e queda de uma paixão

Data 29/08/2015 21:06:36 | Tópico: Poemas -> Paixão

Hoje em dia um rapaz
não deseja ter família,
ser fiel a uma esposa,
educar filho ou filha
Diz até que casamento
é um fardo sem rodilha

Um amigo que casou
ele olha com desdém
Sua vida é uma festa,
a balada é seu harém
Pensa até que liberdade
só quem é solteiro tem

A viver sem compromisso
já está acostumado
mas um dia experimenta
um poder inusitado
Numa troca de olhares
ele fica apaixonado

Os amigos apresentam
a mulher especial
Ele entra na conversa
com assunto trivial
repetindo para ela
a cantada mais banal

A mulher que ele quer
joga com a sedução,
finge até desinteresse,
faz comer em sua mão
É ali que ele conhece
os arroubos da paixão

Começando o namoro
seu tormento é completo,
fica noites sem dormir,
passa o dia inquieto,
conhecendo uma lei
que vigora sem ter veto

Ele diz para os amigos,
mesmo para quem duvida,
que agora encontrou
a mulher da sua vida
pois em antes e depois
sua história é dividida

O sujeito apaixonado
muda até sua rotina
pra estar com a mulher
que lhe ama e alucina
Nessa mente obsessiva
já circula a dopamina

Quando pensa em declarar
tudo o que por ela sente
bota uma faixa na rua:
-Vou te amar eternamente!
como prova desse amor
de paixão entorpecente

Os seus nomes no umbú
ele escreve a canivete
Quando estão no celular
para ela se derrete
Manda flores e bombons
ou e-mail pela net

Ele troca de emprego,
muda pra outra cidade,
pra ficar mais perto dela
e abrandar sua saudade
pois só na sua presença
é que tem felicidade

Cego por essa mulher
pensa nela todo instante
Gasta tudo o que tem
pra comprar um diamante
e lhe dar como presente
que ela aceita radiante

Mas um dia ele descobre
que na trama tinha três
Ela toma a decisão
de voltar para seu ex
e o que sentia por ele
nega de uma só vez

Não querendo aceitar
ele começa a beber
Com a língua enrolada
diz que quer lhe esquecer
Quando fala da amada
dá risadas sem querer

Ele diz que quando bebe
sabe a hora de parar
divertindo os amigos
que estão naquele bar
Diz que é só a paixão
que lhe pode embriagar

E tomando outros goles
aos amigos ele diz
que ele é o bom partido
para fazê-la feliz
Só não entende por que
sua amada não lhe quis

Paga mais uma rodada
para quem está na mesa
Dizendo ser o mais rico
vai ficar com a despesa
mas só fala na mulher
que não quis sua riqueza

Com mais doses de bebida
vai ficando mais valente
Diz que bate em qualquer um
que esteja ali presente
se falar da namorada
que deixou-lhe de repente

Ele xinga os clientes
que estão naquele bar
Os amigos que ele tem
fazem ele se calar
E lembrando da mulher
ele começa a chorar

É levado para a casa
por amigos carregado
perguntando o motivo
de ter sido rejeitado
e adormece na varanda
num tapete estirado

Acordando já nem lembra
das bobagens que ele fez
Na ressaca só recorda
que a sua embriaguez
foi por causa da mulher
que deixou-lhe duma vez

Essa história termina
num tormento sem mister
e o sujeito que padece
pelo amor duma mulher
por entrar em desespero
se transforma em esmoler

Isso tudo é o que faz
os caprichos da paixão
Seja leigo o sujeito
ou de muita instrução
ela consegue apagar
a lanterna da razão



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=298521