Ventre

Data 10/08/2016 21:23:43 | Tópico: Poemas -> Crítica

"Podes ser a mulher de todos mas nunca serás a mulher de alguém enquanto não destrinçares o enguiço medonho na tua mente."

Esse teu ímpeto de ser de todos eles sem excepção faz de ti uma puta em que a humanidade cospe o seu escarro tuberculoso de raiva, e deixas de ser humana para ser um ponto de expiação dos frustrados.

Tu, que és Puta. Tu, que és livre. Tu e todos os teus orifícios que são o consolo vergonhoso das mulheres que se deleitam no quotidiano de uma vaidade fantasmagórica, quais porcelanas rachadas. Tu, que és tua, e por isso consegues ser de todos.

Tu, que também és minha, pega no meu corpo e faz dele um novo mundo, ensina-me a ser asa e a entregar-me ao prazer mundano de ser sujo, de todos e de ninguém.

Paulo Coutinho


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