
Erotismo puro
Data 18/03/2018 01:10:12 | Tópico: Poemas -> Sensuais
| Eu sou a vagabunda que partiu seu coração A vadia louca que te deu um sexo incrível Mas que não quis passar a noite. Eu sou a cachorra que incendiou seu quarto Que mexeu com a sua cabeça Mas que não tentou entrar no seu coração. A indecão sabe o que quer Egoísta e vaidosa Com um ego bom pra rebolar Bom pra sentar Bom pra chupar Bom pra engolir. Com uma cara perfeita pra você gozar Pra você bater Um rosto perfeito pra você esquecer. Um corpo delicioso de pegar De apertar De morder Uma flor incrível pra você entrar Penetrar, bombar Pra você se aquecer Pra você se esquecer de quem é você E se entregar ao prazer que ela pode te proporcionar. Eu sou a puta que você vai contar na mesa de um bar E vai dar risada da minha cara de tapada Sempre calada, parada, sem dizer nada Só observando coisas, pessoas, lugares Com medo de sentir, medo de existir Mas que na cama é a mulher perfeita pra você. Eu sou a poeta que não sabe amar Que não consegue demonstrar Que não pede afeto Que não age com delicadeza Que não se mostra E não cobra atenção de você. Mas a verdade é que não gosto Quando tocam onde faz doer. Dói do lado esquerdo do meu peito Bem abaixo do piercing no meu mamilo Fetiche pra te excitar e te dar prazer Mas onde dói é onde não dá pra ver Dói o coração Dói a alma da vadia. Veja só! A Sra.Fria tem coração! Eu sou aquela que está na reserva Esperando a moça de "respeito" cansar de você Ou o dia que você vai se cansar dos bons modos e da perfeição dela E vai querer meu mel pra lambuzar você. Eu sou a inapropriada Aquela que você liga no meio da noite Pra queimar um Pra cair de boca Pra contar piadas Pra recitar poemas indecentes. Eu sou a poesia errada O demônio em forma de gente O pecado que mora ao lado O fogo ardente que assusta gente feito você. Até mesmo na infância eu quase não sorria Gostava mesmo de escrever Escrevia e imaginava ser exatamente aquilo que eu queria ser E prometia pra mim que meu coração seria feliz E que o amor verdadeiro chegaria e me faria viver. Eu sou a desgraçada Perdida A intensa A imunda A boca suja O brinquedo com defeito O livro proibido O fruto que já foi mordido várias vezes A cobra que se enrosca no teu pau A bruxa que enfeitiçou você A mulher da sua vida. Eu sou aquela que cai Eu caio Eu me afogo em mim Eu queimo no meu mar Eu me afogo na minha chama. Sou poesia erótica Quente Inocente Displicente Rasgo o peito e o verbo Militante da indecência Pare de pedir pra eu me esconder! Eu sou o livro que você não terminou de ler A poesia que ninguém consegue escrever O furacão que não se pode prever. Eu sou o fim do mundo O céu desabando enquanto o chuveiro abafa meu choro reprimido Eu sou o sol que arde meus olhos vermelhos A brisa que afaga meu pranto de moça sozinha Sou meu próprio Deus A minha salvação e a minha morte Não tive sorte no amor Talvez eu precise da dor para escrever. Sou aquela que enlouquece e faz enlouquecer A piranha linda que não cabe na foto de família A poetisa que escreve aquilo que ninguém tem coragem de escrever. Eu sou você Eu só existo enquanto você me lê.
Autoria de texto: Helena Ferreira
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