Partida

Data 17/04/2019 21:08:38 | Tópico: Poemas -> Surrealistas

O frio austral revisita o poema perdido na tarde à beira mar
E o poeta eterniza a palavra lançada sobre a calma do papel
Que auscultou dos lábios da aragem em sua tristeza silenciosa
Grito teu nome talhado em minha pele como antiga cicatriz
Para te dizer da imensa mudança a qual ainda não acreditas
Carrego secretos sonhos infantis e navegares intermináveis
Trago sons de flauta e perfume de flores à procura do gesto
Que possa afastar os fantasmas febris e secar tuas lágrimas
Pois jamais se restabelecerá o abandono, o vazio da solidão
Para que só o verbo amar, presente e futuro seja conjugado
Escuta meu coração como fosse a última badalada da tarde
Encontra-me onde a paixão se recolhe, deita no meu ombro
E eu te pronuncio as sonoras sílabas do amor entre a bruma
Para que me escales agreste tatuando marcas em meu peito
E quando amanhecer reste um tanto de ti além deste desejo
Pois terás partido com as estrelas que se vão ao fim da noite
Nos meus ouvidos ainda ecoam teus gemidos entre os lençóis
Deixe-me um último sorriso nesta madrugada que emerge
Deixe-me mais um doce suspiro antes que tenhas que partir
Da janela nos dias distantes em vão choraremos sob o gris
Volto ao silêncio antes de acordarem dolorosos fantasmas
Nada existe do outro lado mar a não ser o que sonhamos



Tocava essa música, estávamos sentados num banco de praia, havíamos nos encontrado depois de 10 anos.
Era como um sonho. Ela disse: diga uma palavra e eu nunca mais vou embora. Eu disse: Te amo, mas não posso te pedir isso. Ela se foi.



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