
Castelo de Areia
Data 28/08/2019 19:45:04 | Tópico: Poemas -> Amor
|  Castelo de Areia
A cada poça de silêncio, meu corpo edificava-se nas sombras da fumaça do incenso. A alma perambulava nos extremos; ao abrir das portas, entre o êxtase e o desengano, desprezando a carne, ali exposta.
Era o final de um gozo lento, mas passageiro e mais despedaçado que inteiro, só me restavam incertezas. Foram beijos e trocas de saliva, que permearam aqueles instantes, carícias enoveladas de amantes extremados.
Era, talvez, o sentimento ficcional de corpos gravados na memória de algum sonho, feito de fumaça de incenso, sem nenhuma realidade palpável ou fundamento, onde eu ponho este meu sentir imenso.
Mas alguma coisa começa a morrer dentro de mim, e agora, à minha volta, a solidão permeia. Vejo rosas que estão murchando no jardim, e as poças se desfazem como um castelo de areia.
Alexandre Montalvan
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