
Onde a floresta vai parar?
Data 14/05/2024 10:59:27 | Tópico: Poemas
| O bolo é pra quem está na festa, Aos outros, a migalha que resta. Fada, duende deem um jeito, surpreendam! Desejo inútil, os pedaços não se emendam. Não vai surgir nenhuma surpresa. Segue o baile predador e presa. A selva dá as cartas e descarta o progresso Para quem não tem ingresso. Nessa partida, sem partida, sem chegada, O P de povo é uma figura apagada. Nesse jogo não se muda nada, Simula-se tudo, dissimula-se a gula. Engula calado quem não nasceu num certo lado. Decerto, para seguirmos no caminho certo É preciso que o sofrimento seja ampliado. Desgraçados! Como podem cultivar uma planta sem raiz? A vida não se acha na vida e segue a bula. Na bula não bula. Siga as instruções. Não tente novas construções. A bolha não se rompe. Para os de sempre, hoje é ontem. E o tempo não pode passar. Engasguei-me só de pensar. Ouço uma voz: – Ando na ponta dos cascos, Mas para mim só resta a casca. Descasca na calçada um feijão verde, Uma senhora madura que não serve mais Para cozinhar, lavar, engomar, faxinar, limpar... Como respirar tranquilo nessa selva pelada, Sem uva, sem Eva, Adão, retidão, nós... Onde a senhora, o moço, seus pais, seus avós, Sem vez, sem voz, são obrigados por nada. Nada, nada o pescador na dor que sente E na que pressente que vai chegar. Onde essa festa vai parar?
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