DO MESMO BARRO (SONETO)

Data 14/09/2024 02:25:47 | Tópico: Poemas -> Reflexão

Do mesmo barro nasce o mesmo jarro antigo,
moldado igual nas mãos do tempo eterno e mudo.
Rainhas, reis, mendigos, a essência traz consigo
iguais vícios e defeitos, crimes e absurdos.

Toda etnia, país, cultura, fé e crença,
o orgulho, a violência, a ambição sem fim.
O corpo sofre, a mente a destruição pensa,
A voz que julga oculta o próprio mal afim.

Não há saber que limpe essa mácula no peito,
nem ouro que a alma pura possa construir;
seja mulher, ou homem, domina o imperfeito:

O querer mais, o medo de perder e de ruir.
De um só barro nascemos, sem maior enfeito,
e ao pó do mesmo jarro vamos nos unir.


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