
ABRIRAM A PORTA, NINGUÉM PRA ME ACOLHER.
Data 24/04/2025 08:59:40 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Cada gesto fica com quem o pratica. Coisas como a amizade ou a partilha, se viram obrigação, saturação, implica que a nossa integridade é já uma ilha,
a ser defendida p’lo nome que a justifica. Sempre criei bem-estar, como quem dedilha as cordas d’uma guitarra, e a paz mistifica o que deve crescer: respeitando a “matilha”.
Chega de ver um homem bater nos filhos porque todo ele se sente desafiado por aqueles a quem ele só vê pecadilhos e esmurrando-os os ensina a ser olvidado.
Pobres animais, esses sim, também, que quais esfinges, quando a besta enfurece, arregalam os olhos, a ver o que dela advém, porque sabem bem que sua vista escurece.
Mas, no fundo, nem é ele que é má pessoa, são os seus medos de ficar só, sua insegurança, que faz com que seja outra a voz que mais ressoa, tratando-o como sem valor: será herança?
Dia após dia lhe encheram a cabeça, (obscenidades, mentiras), até ver o amigo sentir-se humilhado. Tudo que era - e era bom – virou lugubridades; e a partir daí o gesto, era trazer-me mal julgado.
O amigo, deixou de ser convidado para jantar, ou no fim da janta, sem talheres restos lhe serviam - embora a culpa tenha sido minha, no mal julgar, quando engoli as desfeitas: meus olhos que anteviam.
A mulher de calças tornou-se impiedosa, pueril, embora recorresse a mim para lavar a roupa suja: sim, que por sujo me tomou, vai de garrafa e funil, o papel de mãe, ao qual ela brinca, e até muja.
Das crianças é de quem vou sentir mais a falta. Ah, pobrezinhas, que lhes fizeram a cabeça e as sentenças! Gosto muito de “reinar” com esta nova malta. Espero que não necessitem de andar e abusar das avenças.
Irei sentir a falta de muita coisa, e não esqueço quando e quanto foram bons para mim, enquanto durou. Quem mal instigou saiba: que isto ou parecido eu não o mereço. Mas, no fim, reconheço, no me ter tardado é que pecou.
Jorge Humberto 22/04/2025
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