
E então digo adeus
Data 29/11/2025 12:26:56 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| No silêncio onde o amor costuma se esconder, Eu descobri o nome de outra pessoa Batendo dentro do teu peito. Não houve grito, nem tempestade — apenas a verdade Descendo lenta, Como uma lágrima que sabe exatamente Onde vai cair. É estranho, quase sagrado, ver o fim se erguer Com a delicadeza de uma despedida Que não pede permissão. Percebo que teu coração já caminha em outra direção, E eu fico aqui, parado na fronteira Entre o que fomos e o que nunca mais será. O último adeus tem gosto de porta entreaberta: Não se fecha de repente, Apenas deixa de ser passagem. E enquanto te vejo partir, sinto algo curioso, Como se meu próprio peito aprendesse, A duras penas, que amar também é soltar. Levo comigo o que ficou intacto: O brilho de um instante, O calor de uma promessa antiga, O breve consolo de saber que, mesmo sendo o fim, A história passou por mim. E então digo adeus. Não o adeus de quem espera retorno, Mas o adeus de quem finalmente entende Que certos caminhos se despedem antes mesmo Que percebermos que estamos caminhando sozinhos. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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