
O poeta e a imaginação
Data 07/12/2025 12:07:24 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| A imaginação é uma criatura selvagem. Não pede licença. Chega correndo, arranhando as paredes da mente, Uivando para que o poeta a escute. Ela exige passagem. Empurra portas, derruba certezas, Atravessa fronteiras Que o próprio poeta desconhecia. Ele tenta segurá-la — mas ela escapa, Indomável, sacudindo símbolos, memórias, Vozes que nunca existiram. É um animal feito de sombra e luz. Quando quer, sussurra ternura. Quando decide, ruge tempestades. E o poeta, incapaz de domá-la, Apenas a segue — ou é arrastado por ela. Ele nunca sabe onde termina o caminho. A criatura o conduz por abismos e constelações, Por medos antigos e mundos que ninguém viu. Seu limite é um lugar sem nome, Sempre além do horizonte, Sempre mais longe do que ontem. Quando grita, não é súplica, é comando: Escreva-me. E o poeta obedece, não por submissão, Mas porque essa força o atravessa Com a precisão de um relâmpago. A imaginação corre, feroz, e ele corre atrás, Consciente de que nunca a alcançará, Apenas registrará seus rastros, suas marcas, As pegadas que ela deixa na terra escura do pensamento O poeta vive nesse fio: Entre o risco de ser devorado E o êxtase de ser levado para além de si mesmo. A imaginação não tem jaula. E o poeta, no fundo, também não. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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