
Terça-feira, 30 - antepenultimo dia do ano do senhor de 2025
Data 31/12/2025 14:29:42 | Tópico: Textos
| Terça-feira, 30 – antepenúltimo dia do ano de 2025 A caixa de descarga do sanitário pinga, como das outras vezes – mais um problema acrescentado aos outros – como se não bastasse os que já tem. Caralho! E eu que lia tranquilamente o amado Henry Miller, o meu divino guru – “O mundo do sexo” nessa madrugada sem sono – o barulhinho irritante e chato e enervante – plic, plic vindo do banheiro como naqueles filmes tipo B de Roger Corman. Ainda é cedo, apenas duas e meia da manhã – os nervos chocalhados, um comprimido de Dipirona@ preventivamente – as cadelas deitadas, cada uma sobre o seu pano debaixo da mesa. As três e dez - concluo Miller – um dos felinos vomita na exígua sala de visita as escuras – Plic, Plic – I like Miller, desde os anos 80 – sempre inspirador, um guerreiro que passou por situação bem adversas, mas nunca desistiu de sonhar – um verdadeiro vencedor.. Ontem foi uma manhã produtiva – apanhei os meus exames que poderão mudar drasticamente o rumo do meu enfadado destino. Aguardo ansiosamente a avaliação do medico urologista e saber se irei ou não a mesa de sacrifício – quando o novo mundo descortina lá fora – Cocei impiedosamente as frieiras e pus a pomada – ainda não vi melhoras nenhuma. Coincidência ou não, recebi a segunda via da certidão de nascimento, justamente no dia do meu aniversario – 19. É mole ou quer mais. Tá bom, vamos dormir – conclamou o poeta, colocando o exemplar de “Os dez dias que abalaram o mundo” do americano Jonh Reed sobre o armário e fui ver as horas. Eram três e quarenta da madrugada. Ao deitar-se na sua rede garimpeira que seu compadre lhe deu ouviu longínquo os primeiros cantos dos galos tecendo a manhã – lembrou do verso do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto: “Um galo sozinho não tece uma manhã? Ele precisará de outros galos” Manhã O sr. dos porcos montou a sua banca no local de sempre – atendia uma cliente. Sr. José Grandlione o auxiliava levando a sacola para o marido que a aguardava num carro estacionado do outro lado. De volta ao atelier depois de duas semanas ausente, somente recluso na pensão lendo as biografias de Mao e Yeltsin ( que por sinal ainda não terminou) e abstêmio total. O casalzinho foi embora, agua não chegou e o poeta preparou o seu prato: linguiça fatiada com torta de carne e pepino na salmoura Meu agente e monitor apareceu perguntando seu precisava de alguma coisa, o reformei para ano que vem. O velho Samuca passou a manhã toda na companhia do poeta, colocando a conversa em dia. Clay trouxe uma churrasqueira de inox. Segundo a sobrinha, a próstata está inchada – talvez tenha que fazer a colonoscopia ou o teste do dedão no Forever ou na pior das hipóteses uma biopsia – deixa vim o quer vier, se for da vontade do Senhor, será sempre benvinda. O importante que a poesia ainda lateja dentro de mim. E viva Mano Chaos – me llamam calle!
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