Enquanto gira

Data 07/01/2026 02:44:04 | Tópico: Poemas

Não quero a permissão do tempo.
Ele não sabe o que fazer
com quem não espera.

O que me atravessa não é breve
e eu não peço.

Danço,
recuso o fim do corpo.
Num compasso que nasce do erro,
um giro que insiste sem sentido
e me leva.

O centro cede.
Tudo muda
sem anúncio.

Invento o ar,
crio o passo,
desmonto o espelho.

Sou a que se move
sem destino,
a que se abre no agora
como se isso bastasse.

E basta.

Se chamarem isso de entrega,
não entendem:
é permanência em movimento.



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