
Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Data 08/01/2026 17:22:59 | Tópico: Textos
| Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026 Agora são uma e meia da madrugada. Terminei os três livros: o do chinês grande Timoneiro Mão Tse-tung, o líder que acabou com a União Soviética Boris Yeltsin e do jornalista americano Jonh Reed – sobre a implantação do comunismo – então deu-me uma vontade louca de reler “O Diário de Nina” considerada a Anne Frank russa, começou a escreve-lo em 1932 aos 13 anos e foi bruscamente interrompido em 1937 com sua prisão pelo regime ditatorial do temível Stalin. No final da tarde de ontem fui ao bar de Ed Paul para ele entrar em contacto com meu agente – mas infelizmente estava fechado, desanimado segui para a padaria na Praça das Sete Palmeiras, onde peguei quatro pães para meu jantar. Coloquei a pomada nas frieiras, que estão cada vez mais recalcitrantes, não cedem – temeroso de que são crônicas. Vou deitar-me e ver se durmo. Manhã Um garboso gavião plana poeticamente aproveitando o vento ascendente – não estou mais liso, meu cumpadre emprestou-me cinco reais. A atendente da padaria deu-me quatro pães – era para serem apenas dois. O ceu encoberto de nuvens plúmbea e um vento tépido. O vizinho da frente repita o portão do andara de cima. Uma retroescavadeira. O magrelo Seu Hudson e um balde cheio de mangas que colheu nas mangueiras do sitio das carneiras, oferece-as ao meu vizinho, o barbeiro Costa. Fechei a oficina e dei um pulo até o bar de Ed Paul. Dessa vez deu tudo certo, entrei em contacto com meu agente pelo celular e combinamos de sacar um recurso. Chuvisca sobre a vila Embratel. O cheiro típico de terra molhada, o mormaço do asfalto. Recolho a churrasqueira e a guardo no fundo da oficina o reboco da única viga dilatou afastando-se do concreto e a qualquer momento desaba. Marinaldo vulgo Bolota ou Culhão mama umas doses de pinga no Pai Cardin. Os tufos de capim vicejam na beira da calçada – a caneca do café mais suja que a de um sem teto emborcada sobre o gargalo de um litro de uísque Black Stone seco. Eu e a pequena Nina Lugovskaia, autora do diário temos muitas coisas em comum – mas menina é um gênio começou o seu diário aos 13 anos e eu já cavalo velho aos 25 anos e o mantenho até os dias atuais. Estiou. O galo da vizinha cacareja timidamente no fundo do quintal. Recoloco a churrasqueira na calçada na esperança tardia de um possível cliente e o trânsito flui. A tarde fui ao CP no Diamante pegar dois encaminhamentos: um para tirar o novo RG digital gratuitamente e o outro para o CAPS, fazer um acompanhamento psiquiátrico para combater o álcool e a insônia e os pensamentos mórbidos e funestos que me perturbam de vez enquanto. No final da tarde – aleluia! O meu agente deixou o recurso esperado e integral – Aleluia! Contactei seu Riba Fodinha para trocar a janela avariada dos meus aposentos, uma verba para a sra. Vince inteirar nas despesas e uma ajuda de custo para a pequenina. Desnuviando o clima pesado que pairava na oficina. Para completar um bom filme com Samuel L. Jackson – “Resgate de um campeão” que comparei com “O Solista” com Jamie Foxx. E lendo “Os Valorosos” do judeu suíço Albert Cohen com a capa “O Violinista Verde” do pintor russo Marc Chagall.
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