
A verdade cruel da noite
Data 13/01/2026 16:02:43 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| O dia mente, sempre mente, Antes que a noite Faça o corte profundo Na superfície de um coração carente. Mente com claridade, Como se a luz pudesse curar o que não tem nome. Mente prometendo que houve sentido, Que houve reciprocidade, Que houve lugar seguro. Mas o dia é mestre em pequenas ilusões: Tapeia a tristeza com cores quentes, Distrai a solidão com o trabalho, Disfarça a saudade com tarefas, Embelezando a ferida Para que ninguém veja o pus da ausência. A noite não. A noite não se ocupa de maquiar. Ela entra com bisturi fino, frio, silencioso, E corta onde o dia apenas cobriu com gaze. Nela, o coração carente Escuta o eco do que não foi dito, O peso do que não foi sentido, E o perfume do que se perdeu antes de florescer. O dia mente porque precisa que sobrevivamos. A noite fere porque quer que aprendamos. Entre os dois, O coração aprende a pulsar nas frestas, A amar no intervalo dos enganos, A se reinventar na língua das cicatrizes. E assim seguimos: Vivendo do engano do dia, E da verdade cruel da noite. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
Instagram @poetacacerense
|
|