
O poeta espera
Data 20/01/2026 14:51:51 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Em tudo o que se espera, há uma fome. E quem espera demais inventa mundos, Não para preenchê-los, Mas para não cair neles. A imaginação nunca pede licença: ela grita. Não fala para o ouvido, fala para os olhos. É por isso que alguns olhares sangram ideias. O poeta espera — mas o tempo não. E no atraso do mundo Surgem criaturas que só ele vê, Nascidas de um medo tímido E de uma coragem clandestina. Há limites que só existem Para quem não os encontra. O poeta encontra, E por isso volta ferido. Mas volta. Quando nada acontece, a mente inventa. Quando tudo acontece de uma vez, a mente ri. O poeta é o único que se assusta com os dois. O limite da imaginação é o corpo: Ela quer se estender Até onde o sangue não chega. O resto é vertigem. Quem espera demais aprende a ver no escuro. E ver no escuro é um tipo de destino. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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