
CULPA DO QUE NÃO FOI
Data 03/02/2026 22:21:00 | Tópico: Poemas
| Há culpas que não gritam não quebram nada não deixam marcas visíveis
Sentam-se quietas ao nosso lado e perguntam, baixinho “E se?”
É a culpa do silêncio quando a voz era necessária do abraço que ficou nos braços do “fica” engolido do “eu te amo” adiado até ser demasiado tarde
Culpa estranha essa que não nasce do erro mas da ausência
Do passo que não demos por medo do chão do risco que evitámos para salvar uma paz que nunca foi inteira
Ela pesa de forma diferente não dói no momento dói depois
Dói quando o tempo passa e percebemos que não fazer também foi uma escolha
Carregamos fantasmas do que poderíamos ter sido do que quase dissemos do que quase salvámos do que quase fizemos
Talvez viver seja isso aprender que a culpa maior não é cair mas nunca ter tentado voar.
Mário Margaride
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