03, 04, 07 de fevereiro de 2026

Data 08/02/2026 12:28:45 | Tópico: Crónicas

Terça-feira, 03 de fevereiro
Meia-noite – banhei-me no quintal nu em pelo com uma belíssima lua cheia a iluminar-me com seus raios de prata. Uma boa sensação poética. A pequenina enche os litros com a agua do velho filtro de barro e os coloca geladeira. As cadelas deitadas exalam o bodum característico de pelo molhado. Ontem fui dormir as três e meia da manhã e acordei as sete.
Manhã
10:14 – Nuvens plúmbeas fecham o céu. Um servicinho extra, confeccionar dois pares de porta retranca para sexta-feira que vem. Já separei as barras, depois de muito procura-las na velha sucata do atelier.
Quarta-feira, 04 de fevereiro
Dentro de uma lotação (os motoristas dos ônibus continuam em greve) em frente o antigo Oscar Frota e do outro lado da avenida Magalhães de Almeida o velho mercado grande na sua ultima semana antes da mudança para as novas e improvisadas instalações no Anel Viário, enquanto reformam o velho prédio. Fiz uma bela caminhada com os fones nos ouvidos, sai da pensão as seis e meia da manhã.
Sabado, 07 de fevereiro
As mãos tremulas, efeito depreciativo do consumo excessivo de álcool. Ontem passei o dia todo deitado e levantando-me apenas para vomitar no quintal. Dores no corpo – o álcool começou quarta-feira no Mercado Grande, depois da caminhada involuntária de quase uma hora. Ao chegar no grande mercado, levei quatros pães e comprei quatro salsichas, queijo e presunto e fui devorar um sanduba misto no Lelis com uma latinha básica de Glacial. De lá subi pela a Avenida Magalhães de Almeida, onde encontrei uma pobre venezuelana mendigando sentada na calçada. Acocorei-me ao seu lado, dei-lhe cinquenta centavos e um sanduba misto, a pobrezinha alegrou-se:
- Muchas gracias, señor!
- De nada, hermana!
Continuei a minha caminhada até o Instituto de Criminalística na esquina das ruas da Palma e 14 de julho. Depois de alguns minutos espera recebi a sonhada nova CIN – Carteira de Identidade Nacional com o numero do CPF. Desisti de ir ao Centro no Diamante, estava muito cansado e voltei pela avenida – a venezuelana havia desaparecida, entrei novamente no mercado e mais um sanduba misto e logico uma latinha de Glacial. Apanhei um lotação em frente as Lojas Freitas onde outrora funcionou o icônico armazém Oscar Frota.
Chegando a Vila Embratel, guardei os documentos e cai no campo etílico comemorar a nova carteira que possibilitará dar entrada no benefício social.
Na quintal emendei – conhaque de São João da Barra no comandante Lasierra – ele não tinha vodka e de lá dei um pulo no Ed Paul e tome vodka. Então como de praxe entrei em amnesia, ainda bem que não dormi nas calçadas e nem nos bancos da praça. Também não comi nada
- Pera ai, vou já botar uma pimenta na tua boca para tu te a sossegar – Ameaçou a Sra. Vince, enquanto fazia o curativo na cadela Beautiful.
Minha rede está rasgando, um pequeno buraco bem no meio dela, a tendencia é aumentar.
Little Black lambe a cadela doente. Tomei café com cinco bolachas, amenizar a fome canina que grassava o meu combalido estomago.
- Vou já dar umas murradas nessa cachorra atentada para se orientar – é somente ameaça, que nunca chega as vias de fatos – a Sra. Vince é assim, ela não maltrata os seus animais – mas Little Black tira-a de tempo.
Finalmente um bom almoço – arroz, feijão e um bom fígado. Até sai no meio da tarde para apanhar os pães na Padaria Renascer na Praça Sete Palmeiras para o meu jantar. E aboletei-me diante o computador e fui assisti uns filmes até a meia noite.





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