
Poética da euforia
Data 10/02/2026 18:00:24 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Quero beber as palavras que se dizem na euforia Como quem leva o copo à boca sem medir o excesso. Palavras quentes, espumantes, Ditas antes que o medo as filtre, Antes que a razão coloque grades na língua. Na euforia, as palavras não pedem licença. Elas pulam da boca como faíscas, Confessam amores que o silêncio escondia, Prometem mundos que talvez não existam, Mas que, por um instante, parecem possíveis. Quero bebê-las porque são sinceras no descontrole. Têm gosto de verdade provisória, De coragem emprestada, De gente que se esqueceu de se proteger E, por isso, se mostrou inteira. Depois vem a ressaca do não dito, O arrependimento que tenta engarrafar o passado. Mas eu aceito o risco: Prefiro a embriaguez do que foi dito demais À sede eterna do que nunca se ousou dizer. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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