me fale...
me fale de uma pessoa que nunca quis o paraíso, e eu te darei o endereço da fonte da juventude.
me fale da fórmula para curar os males mundanos, e eu te darei a chave da porta eternal.
me fale por que só os loucos sabem amar, se o amor, para eles, é um ato capaz de intimidar a ira extrema, mas também causar a revolução, quando, incompreendidos e descartados, fingem estar mansos para desdenhar de sua loucura aparente. não me fale dos loucos, se você não é partícipe da loucura. mas, o que é ser normal?
me fale do giro do catavento, tipo som do tempo, e iluda-me com aquele mundo intraterreno, e eu te provarei que tudo é ilusão, tudo é energia, tudo é reflexo e invisível, e, nosso ciclo resumir-se-á num epitáfio em algum lugar para ser esquecido tal giro do catavento travado pela ferrugem...
me fale de almas bandidas, de pessoas más, vagantes sem direção, que eu talvez consiga te descrever as mesmas como micro estrelas negras levadas pela lei gravitacional ao vazio da ilusão do firmamento.
me fale que hoje você viu um bêbado gritando pela calçada, urinando em si, e rindo de sua desgraça, afinal é na rua, como um desconhecido, o lugar onde reside sua ideia de liberdade.
me fale, por favor, aí eu te contarei e te mostrarei o lado dois de todo homem genial, creia, até eles, assim como nós, têm seus momentos bestas e se lambuzam e se lambuzaram no idiotário vivencial.
(fim da primeira parte)
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À procura nossa de cada dia.
Saiu em busca da felicidade que perdera em algum lugar do passado. Tardiamente, pensou. Enfim, saiu sem rumo pelas ruas da cidade com o olhar fixo em cada transeunte. Na praça, havia alguns palhaços entretendo velhos e moços sorridentes. Ah, aí está a felicidade, pensou. E ficou ali prostrado, e logo todos foram se dispersando, cada um com sua fisionomia pela abstração passageira. E viu que, na verdade, a felicidade era apenas o momento no qual a gente se esquece de tudo e ri sem querer de algo ou situação na qual, tal fumaça, se dilui no ar levada pelo vento aos confins... Voltou para sua casa com a certeza de a vida ser feita de pequeninas pedras desenhadas numa estrada em branco; dentre elas, há algumas coloridas, raras, tais respostas ao sucesso. Quando se encontra uma, o riso é certo: é o momento feliz de gente insistente. Amanhã sairá de novo para descobrir outra variante de sua procura.
(Rehgge)
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geracional.
olha! não sei onde bem lá tem um lugar lá longe tá vendo? se eu lá chegar estarei próximo do fim no limiar da paz o que deixarei pra trás? sei lá minha passagem esquecida sem nunca ter tido um rumo ah o que gerei? a não ser uma sinuosa rota invisível sem saber o sentido do porquê manter-se vivo ... se no contexto geral a despercepção da 'vida que segue' é ter-se uma abreviação de dias eternais de uma vã sabedoria palavreada e inescrita...
olha! tá vendo essa tal morada das almas fustigando meu inconsciente? não sei não mas existe bem lá em algum lugar
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