
solidões
Data 13/02/2026 02:00:17 | Tópico: Poemas
| Sou o abismo dos meus próprios temores, afundo-me numa luta sem fim sobre o fumo que nubla os meus passos, ainda não consigo ultrapassar aquele muro que me supera e não me deixa respirar, tomo um autocarro sem caminho traçado, reconheço-o, mas ao fechar os olhos volto de novo do zero escapando do desejo do meu próprio sentir e do meu próprio pulsar.
De que serve percorrer tantos quilómetros com uma mala que apenas carrega impossibilidades, às vezes os flagelos vêm do mesmo fôlego com que respiramos, sopramos sobre a areia aquela imagem que ansiamos e de um só punhado escapa o tempo como um relógio de areia, o labirinto das minhas inseguranças deixa-me em perspetiva perante milhares de ruas com cheiro a solidão, estou a navegar no dilema de uma balada antiga, vozes e letras de amor saindo de corpos que em vão despertam sozinhos e sem clareza na sua própria essência.
Sou o abismo que construo entre olhares fulminantes, a contagem decrescente começa de novo perante uma nova casualidade que em vão se converte em histórias sem rasto, nunca pode terminar o que não começa, e aquele ponto final torna-se anedota quando não existem letras que o acompanhem, estou a viajar entre as reticências da minha alma e aquelas vozes que a cada noite fria me sussurram, solidões.
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