Cortando cana - Pai José

Data 17/02/2026 14:57:44 | Tópico: Textos

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Cortando cana

Os raios do sol banhavam o meu rosto me despertaram com os ruídos e o movimento das pessoas numa praça, era dia da feira. Eu estava deitado no banco como nos filmes de Carlitos. A mochila serviu-me de travesseiro. Me levantei ainda grogue, devido à mistura de cerveja e pílulas que a puta colocara no meu copo, enquanto fui ao banheiro. Em frente a mim, estacionado entre dois caminhões que descarregavam bananas e laranjas, havia um ônibus pintado de branco e vermelho. Sua porta estava aberta e um homem magro com um chapéu estava parado com um caderno e uma caneta na mão, olhando ansiosamente por todos os lados, procurava por alguém. Me olhou e fez um sinal para me aproximar. – “Olá!” - disse, olhando-me com muito cuidado. – “Olá!” - Respondi um pouco confuso. – “Você está procurando trabalho?” Perguntou-me hesitante. – “Sim, de fato” - respondi muito feliz – “Onde é esse trabalho?” - “Em Sertãozinho, no estado de São Paulo. Cortar cana-de-açúcar para as usinas. O pagamento é bom, é por tarefa você ganha mais.” – “Não sei não” – Disse um pouco desconfiado olhando para o chão e balançando a cabeça para os lados. – “Você está indeciso, por quê?” – “Porque fui enganado , trabalhei numa carvoaria e eles me prometeram me pagar bem também na produção, mas só me pagaram metade do combinado”- “AH! Então, aqui está o porquê?” Ele se aproximou de mim e colocou a mão no meu ombro. "Você está certo, meu bom amigo. O que você se chama?” – “Meu nome é José” - respondi – “Meu bom amigo Joseph, posso te dizer que as coisas são muito diferentes” .- Ele chamou um homem que estava entrando no ônibus com uma mochila, óculos escuros e um walkman e perguntou sobre seu trabalho. – “É bom,” ele disse, “Eu ganho muito dinheiro. O trabalho é pesado, mas paga bem. Esta é a minha terceira viagem”. – “Você ouviu isso”? sondou o homem, "Vão todos os anos para o corte de cana de açúcar, e quando eles retornam, vem com bastante dinheiro”. Os outros entraram no ônibus, todos encantados. – “É o seu dia de sorte. Dois homens não poderão ir, é por isso que te perguntei se você queria trabalhar”. Olhei para os lados, coçei a cabeça. Eu tenho outra opção? Eu estava em uma cidade no meio da floresta amazônica, sem dinheiro e com fome. Então aceitei. Quando subi no ônibus, o homem tocou meu ombro e fez sinal para mim parar. – “Um momento, José” – disse e me deu uma ceduia de 100 reais. Fiquei extremamente surpreso. – “É um adiantamento para suas despesas”
. O ônibus era confortável com o ar condicionado. A viagem durou dois dias, aproveitei para comer bem e descansar. Chegamos à noite, estava muito frio. O alojamento era no centro da cidade, havia camas para todos, roupeiros para guardar nossas coisas e uma cozinha com um fogão grande, onde às quatro horas do amanhecer, preparavamos nossas marmitas para almoçar no canavial. Às cinco horas, o ônibus da fazenda vinha nos buscar. As sete horas estávamos no canavial, pronto para começar o nosso dia útil até onze horas. Parávamos para o almoçarmos a nossa ‘boia-fria’. Descansamos um pouco e, à uma da tarde, voltávamos ao trabalho até as quatro. Um controlador media a produção e digitava num computador e depois retornávamos para o alojamento. Essa era a rotina todos os dias, cortando a cana de açúcar, um trabalho muito cansativo sob um sol quente. Trabalhei até o final da colheita; Recebi todos os meus pagamentos e voltei para a minha bela São Luis com os bolsos cheios. Aluguei um quarto na pensão da Sra. Honoria e paguei sete meses adiantados No final da minha locação, comecei a procurar um casarão abandonado para invadir na área da Praia Grande, onde havia vários deles em ruinas. Um domingo de manhã, andava silenciosamente na Rua da Estrela deserta e, passando por um prédio, vi que a porta estava entreaberta. empurrei e entrei gentilmente. O fundo da casa desabara e o quintal estava sujo e cheio de lixo. Com muito esforço subi para o andar de cima um pedaço caindo em pedaços. Todos os quartos estavam vazios e fiquei encantado com a vista da sacada "Será minha casa", falei comigo mesmo. Depois de alguns reparos essenciais feitos por um amigo que era pedreiro e carpinteiro, me mudei e me estabeleci aqui. Comprei um carrinho de mão e fui trabalhar como carregador no mercado de peixe, às vezes fazia faxina para os meus clientes. Faz cinco anos que eu moro aqui com meu amigo bom e fiel, Faim, estou quieto. Eu tenho uma máquina de escrever e uma TV. Eu trabalho apenas


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