
Dióspiros
Data 20/02/2026 12:19:27 | Tópico: Poemas
| Na fruteira roxa, três dióspiros; casca fina, sabor escorregadio.
Apanhados no Intermarché, a caminho do T1 alugado na rua estreita, sob a luz mortiça. A empregada de cabelo alaranjado, dióspiro maduro também. Trazia no peito a placa: Carla.
Para ler a angústia bastaria acrescentar, sob o nome, o nome dos filhos à placa do peito: Salvador, dentes em dor; Laura, borbulhas na testa; Vitória, a esquecer o que aprende.
Em casa, os três à espera da mãe, presos por fios invisíveis ao Facebook ao Instagram ao TikTok; talvez ao Roblox.
Seguro um dióspiro na palma da mão. Poderia ser o peso da vida. Poderia ser o peso de uma mão vazia. Poderia ser o peso de três à espera do fecho deste e de outros Intermarchés.
Pouso o dióspiro. Fecho o Sartre.
|
|