
Não toleram a superfície
Data 24/02/2026 10:39:27 | Tópico: Poemas -> Intervenção
| A poesia e a filosofia não toleram a superfície. Elas caminham como ventos antigos, Levantando o pó do costume, Até que a paisagem banal se revele Cheia de sombras e relâmpagos. Arrancar a máscara do óbvio é um ato de revelação: Deixa-se ver o que sempre esteve ali, Mas adormecido nos cantos da consciência. É o despertar daquilo que se oculta Sob a pressa dos dias, Sob o peso das palavras gastas. O incômodo que provocam não é uma dor vulgar, Mas a vertigem da altura. De repente, estamos diante do abismo Não como ameaça, Mas como horizonte. A poesia acende a chama da pergunta, A filosofia alimenta o fogo da dúvida. Juntas, abrem clareiras na escuridão Para que o espírito perceba Que o óbvio nunca foi um destino, Apenas um repouso breve No caminho da descoberta. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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