
Capitalismo religioso
Data 04/03/2026 10:27:42 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Eu não falo de um amor convertido em cifra, Nem de afetos que cabem em planilhas celestiais. Recuso o altar onde a fé tem etiqueta, E a graça é vendida em suaves prestações Para corações endividados de esperança. Eu não falo de um amor que negocia milagres, Que pesa a alma em balanças de mercado, Onde a bênção depende do saldo E Deus é reduzido a um contrato Com cláusulas de prosperidade. Falo de um amor que não cobra ingresso, Que não exige senha, nem comprovante. Um amor que não transforma o sagrado em produto Nem a oração em moeda de troca Para comprar um pedaço de eternidade. Porque o amor, quando verdadeiro, Não rende dividendos nem juros compostos. Ele arde gratuito, indomável, Como algo que jamais aceitaria Ser propriedade de qualquer sistema. E se há fé nesse amor que digo, Ela não se ajoelha ao lucro, Mas à vertigem de existir e sentir, Onde o divino não é mercadoria, Mas um mistério que não se vende. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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