
Essa delicada vertigem
Data 06/03/2026 20:47:28 | Tópico: Poemas -> Amor
| O amor não chegou como tempestade. Veio manso, quase distraído, Quando teu sorriso atravessou o instante Como quem abre uma janela Em uma casa que já desaprendera a luz. Não foi escolha, nem coragem. Foi acontecimento. Algo em mim, silencioso e antigo, Reconheceu em ti um abrigo improvável, Como se a alma Tivesse memória do que nunca viveu. Teu sorriso, tão simples, tão desarmado, Fez ruir defesas que eu chamava de razão. E, de repente, senti nascer Essa delicada vertigem De querer permanecer em um outro ser. Há sorrisos que apenas enfeitam o mundo. O teu, não. O teu reorganizou constelações internas, Deu nome ao que em mim era apenas ausência, E transformou o acaso em destino íntimo. Se amor tem um princípio, talvez seja esse: Um breve gesto, um clarão involuntário, Capaz de acender eternidades No espaço mínimo de um olhar Que decide ficar. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
Instagram @poetacacerense
|
|