
Política brasileira
Data 07/03/2026 13:01:44 | Tópico: Poemas -> Intervenção
| Há um cansaço antigo morando nas praças, Um eco de promessas que nunca aprenderam a pousar. Discursos nascem como fogos de artifício, Luminosos, breves, ensurdecedores, E morrem antes de tocar o chão da vida comum. A esperança, essa teimosa, ainda caminha, Mesmo ferida, mesmo usada como slogan. Carrega nos ombros o peso de urnas e manchetes, Enquanto o povo, sempre o povo, Coleciona sobrevivências em vez de conquistas. Em Brasília, as palavras vestem ternos caros, Giram em salões polidos, brindam entre si. Longe dali, a realidade mastiga o salário mínimo, Devora o tempo, corrói a paciência, E ri amarga de cada nova reforma salvadora. A política, que deveria ser ponte, Transforma-se tantas vezes em palco. E o cidadão, figurante involuntário, Assiste ao espetáculo de alianças improváveis Como quem vê nuvens prometendo chuva que não vem. Mas sob o concreto das decepções repetidas, Algo ainda pulsa, quase invisível, quase ingênuo. Porque desistir seria entregar o futuro À mesma engrenagem que nos cansa. E até o desencanto, no fundo, É uma forma de esperança ferida. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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