
Brincando com o limite
Data 09/03/2026 19:09:46 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Se você dança à beira do penhasco, Não culpe o vento pelo abismo. Há quedas que nascem do passo, Silêncios que avisam no íntimo, Mas o desejo faz-se surdo. O perigo raramente grita, Ele sussurra em vertigem doce. Primeiro é vertigem, depois é fenda, Primeiro escolha, depois é nome: destino, Que vestimos para aliviar a culpa. Brincar com o limite é um pacto mudo. A rocha não empurra, apenas espera. E toda espera tem paciência antiga, Como se soubesse que o humano Confunde impulso com acidente. Não foi o chão que traiu o corpo, Nem o acaso que armou a queda. Certos tombos são sementes plantadas No instante em que sorrimos ao risco E chamamos coragem de descuido. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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