Duas

Data 15/03/2026 06:07:19 | Tópico: Poemas

Ela passa acesa
nada no mundo pode contê-la.

Eu fico na borda,
frio de bastidor,
dobrando os panos
depois da festa.

Ela ri alto.
Eu recolho o eco.

Não me odeia.
Também não me chama.

Sou a sombra
que afina o brilho,
o silêncio
que dá contorno ao grito.

Se não fosse eu
ela seria excesso,
luz sem margem,
incêndio sem freio.

Quando tento tocá-la
ela corre
e eu fico.

Diz fim.
Sou intervalo.

Transformo flores caídas
em chão fértil.

Ela me evita.
Eu a sustento.



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=382946