Sobre nós Dois (TWO2)

Data 28/03/2026 04:52:29 | Tópico: Poemas

Era noite —
não dessas que passam,
mas das que ficam presas na pele.
A gente existia no escuro

como se o mundo tivesse desistido lá fora,
como se amanhã fosse só uma palavra inventada.

Teu corpo no meu
não era só toque,
era abrigo improvisado,
era guerra e paz no mesmo segundo.

Ríamos baixo,
como quem sabe que está vivendo algo grande demais...
pra caber em voz alta.

E eu, inteiro,
me joguei sem freio,
acreditando naquele tipo de amor
que a gente só entende depois que perde.

Não era perfeito —
era falho, torto, intenso demais.
Mas era nosso.

Até que a vida,
sem pedir licença,
entrou como um vento bruto
e levou tudo.

Ficou o lençol frio,
o cheiro virando lembrança,
o silêncio ocupando teu lugar.

E esse vazio…
esse buraco que não cicatriza,
que lateja nas madrugadas
como se teu nome ainda morasse ali.

Hoje, quando me encaro
nesse espelho cansado do tempo,
vejo que uma parte de mim,
nunca voltou.
Ficou contigo.

Preso naquele escuro
onde, por um instante,
a gente foi infinito.
E dói.

Dói fundo.
Mas no meio da dor,
eu escuto ecos —
como se o tempo rebobinasse sozinho,
me jogando de volta em nós dois.

E é como no início,
onde o passado não pede licença pra voltar,
ele só chega, invade,
e faz o coração bater fora de compasso.

Porque tem amores
que não acabam —
viram memória acesa,
viram música tocando dentro da gente.

E eu sigo…
carregando o que sobrou,
sabendo que a saudade não é o fim,
é só a prova de que um dia
a gente viveu algo que o tempo não conseguiu apagar.



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