
Embriagar-me-ei de poesia
Data 29/03/2026 12:42:12 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Embriagar-me-ei sem cessar, Porque a lucidez do mundo é áspera demais. As ruas falam em números, Os homens respiram prazos, E os relógios devoram o pulso do tempo. Mas eu escolho outro vício. Embriago-me de palavras que ainda não nasceram, De sílabas que tremem como lâminas E depois se tornam asas. Bebo metáforas como quem bebe vinho antigo, Deixando que me queimem por dentro Até queimar também o medo. Embriagar-me-ei de poesia Porque só ela me devolve o espanto. Só ela rasga o tecido opaco do dia E revela o invisível, Esse fio dourado que sustenta o caos. Que me chamem de insensato. Prefiro cambalear entre versos Do que caminhar sóbrio na aridez das certezas. Prefiro o delírio que cria Ao equilíbrio que apaga. Embriagar-me-ei de poesia Como quem mergulha no próprio abismo E descobre que o fundo É, na verdade, o próprio céu. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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