À chuva, com a língua de fora

Data 29/03/2026 21:15:52 | Tópico: Poemas

é na virtude do meio
que me encontro.
a flutuar qual
borboleta

azul, como
o carro da minha tia,
vejo a chuva verde
cair

sentada
entre os cravos-xarope
debaixo das telhas
oiço os estalos.
flutuo

cheira a húmido
pó terroso molhado
uma planta em rega
eu a respirar

acabei com Lolita
penso nela.
e recordo uma
morte em Veneza.

que paixão é esta
que move vísceras
de um corpo
para o outro?
é amor? é loucura?
amor é loucura, borboleta?
não dizes.
não falas.

apesar da idade
não falas com a boca
estás no meio? ouves a chuva? e o amor?

falas
com os olhos e as mãos
que me tocam
e levam para o meio
me empurram
para sentar
pega um livro
eu leio, mas tu?
ouves a minha história?
percebes o que digo?
sorris.

sentada no chão
à chuva que cai
verde sobre mim
olho

e
duvido.
e
acredito.

sinto o livro
que me deste
e espantada
digo
sorrindo
de rosto pró céu
queres um chá no deserto?










É muito provável que já antes tenha colocado esta música. Mas isso só mostra a minha ligação a esta banda...que é o que é.



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