Estilhaços

Data 01/04/2026 13:49:59 | Tópico: Poemas


O herói exibe o seu brilho,
No vidro que o sangue come;
A bala que corta o trilho,
Mastiga o corpo sem nome.

O trapo risca em papel,
Ouro que a tela encobre;
Escorre o fel pelo mel,
E a moda fere e nos cobre.

A sorte dorme em papel,
Grita o reclame no peito;
O corpo rende-se fiel,
Perde a lotaria no leito.

O sol morre na calçada,
Neste pó que nos invade;
A bofetada dourada,
Suga o rosto da cidade.

No fundo sobra rotina,
Neste uso dos cansaços;
No corpo fica a ruína,
Na queda que me destina,
Num mundo de estilhaços.

Carlos Lopes



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