
monday night (Cont)
Data 07/04/2026 16:30:22 | Tópico: Textos
| Monday night 4 bilhões de dólares é o valor que os armadores do navio Dali cobram das seguradoras – por ter colidido com a ponte Francis Scot na saída do porto de Baltimore, EUA em 26 de maio de 2024 - Tu tá rasgando o meu banco todinho – reclamou a Sra. Vince para Little Black – roendo. Vai te aquietar rapaz – admoesta nervosamente um dos seus felinos curiosos pulando a cancela dos aposentos do Sr. Com – Tá fazendo o que não presta e tá fazendo frio e tu vai botar ele lá no quintal? Quando retornou a Vila Embratel quase meio-dia, e ao atravessar a rua 16 na lateral do mercado, o cumpadre lhe chamou e sr. Com nem lhe deu trela. Seguiu por dentro da feira para o Antonio’s na Praça do Bacurizeiro, onde fez a sua toilette comprando um desodorante de nove reais, um frasco de Leite de Rosas e um sabonete antibacteriano – trocando assim a sua última cédula de cinquenta reais. Na lado externo na avenida Sarney Filho, no sacolão dos irmãozinhos barbeiros, duas laranjas para ajudar na evacuação.. Almoçou um bom camarão fresco cozido, carne de porco frita, arroz e feijão e um caldo de palombeta cozido. A tarde antes de ir apanhar os pães, na farmácia vizinha ao Val – uma cartela de Dorflex – cafeína e dipirona para combater a maldita ciática. Terça-feira, 07 - Teimosa porra! Gritou a sra. Vince zangada de seus aposentos para Little Black que insistia em latir bem alto – Vou me levantar e tu vai ver o que é bom, porra! – E levantou-se e como sempre não faz nada – Cala boca, já – tu é muita enjoada – Desde cinco horas que ninguém dorme aqui, ai tem esses cachorros abusados latindo a noite toda e essa acompanhando – desenrola a corrente e a solta do tijolo – Volta para sua zona de conforto, deita-se – E tu te levanta para fazer o café – instiga a pobre Pequenina, a nossa gata borralheira. Sr. Com lia em pé no peitoril da janela – avermelhado raiava para bandas do Piancó – absorvido na leitura da biografia da divina Carmem e seu sucesso no carnaval dos anos 30 – “Tai” – essa canção papai Bamba quando de bom humor cantava para Mama Grande Bamba. Em frente, o vizinho tira a moto da garagem e a deixa em frente. - Ah! Jeová – suplicava um pixixitinha esgueirando-se atrás do poste com medo de uma mulinha chocolate perdida que relinchava e corria desembestadamente no meio da rua 16 – Vila Embratel. De volta a oficina, depois de uns dias sem abri-la. O reboca da laje desabou em cima de onde sento na cadeira abacial, os rebocos laterais da viga mestra também aguardam a sua vez – Mas que depressa tratei de ajuntar os entulhos e despeja-los no fundo da oficina. Rua André Cavalcanti no Rio de Janeiro – em 1931 Carmem Miranda alugou uma bela casa para a sua família – Minha finada irmã mais velha morou muito tempo nessa mesma rua nos anos 70 e até seu falecimento – Era um cortiço. Frank Puro naqueles dias sob a influencia da lua cheia, falava ininteligivelmente e piscava constantemente. O pixixitinho filho do verdureiro jogava no celular sentado no batente da porta do atelier. O pai, mais cedo subira com um carro de mão carregado além da borda de macaxeira, deixando a mãe no deposito e residência no prédio do finado Galinha Magra. Sr. Com concentrado na biografia da pequena notável, interrompendo para conversar com seu cumpadre mitômano e em seguida Dezão, sem as botas reluzentes – “Parei Bonjour, fiquei foi ruim, levaram me para o hospital onde tomei soro. Vou dar um tempo, quero beber só por São João e cerveja que me faz menos mal. Juvan apareceu com a promessa de fazerem uma grade para uma casa no interior, combinaram de amanhã irem comprar os ferros na Açonorte da Areinha – mas conhecendo Juvan, o poeta não bota muita fé. Mas vamos ver. Conversaram por quase uma hora, até o poeta fechar a oficina. Na pensão, o poeta encheu o litrinho e o colocou no congelador e aproveitou para tirar o resto do camarão e guarda-lo no forno do fogão para descongelar.
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