Sunday, monday e today

Data 21/04/2026 13:02:38 | Tópico: Textos -> Esperança

Sunday morning
A bronca do motora do Paraiso-Via Bacanga num pixixtinho querendo aplicar um miqué para descer pela frente no Terminal da Praia Grande.
- E cadê a carteira?
- Perdi – respondeu prontamente já nos degraus.
- Assim não dá, vou ser chamado atenção – e depois de muita hesitação abriu a porta – Mas não repete mais – advertiu. Na Kenedy, as funerárias abertas esperando seus clientes, as irmãzinhas atravessando para o culto nas igrejas de Valdemiro e R.R. Soares – lado ao lado. A matilha dos cães a beira do córrego da Macaubas – a ex-agencia do Correios – Areinha, Liberdade – o restaurante Popular – a Camboa e seus comércios abertos – a ponte sobre o rio anil e seus florescentes mangues – O shopping da Ilha e seus funcionários modorrentos. Renascença e o campus do CEUMA, onde em 2008 o poeta fez uma palestra no auditório Jarbas Passarinhos – uma dia memorável para o artista das letras – “Sou um Desterrense e não um desterrado” – encerrou sob aplausos dos acadêmicos. O Mateus. O Shopping Tropical, com dona Van assistiu num sábado “Good Morning, Vietnam” com o grande Robbin Willians, ainda moravam na Rua da Saude, centro. São Francisco – outra lembrança, o Cine Alpha com o pai ver “Moises” com Burt Lancaster ainda nos anos 80 e com o futuro compadre Jacob “Estado de Sitio” de Costa Gravas – a cinquentona Ponte José Sarney – Enfim o terminal da Praia Grande novamente – a priori era descer para ir ver navios na Litorânea, preferiu circundar uma parte da cidade numa manhã chuvosa e fria de domingo.
Conversando com Seu Douglas, um candango não, brasiliense da gema bebericando ‘a marvada’ no Joca – ele é maitre encostado num restaurante fino do Calhau e o poeta com fones nos ouvidos, escutando a entrevista da nossa amiga com a mestre Lasierra. O cumpadre pagou duas doses e uma delas levou para a pensão.
- Já tá roendo isso? – a Sra. Vince para a sua irrequieta cadela.
Os habitués dominicais não apareceram, deixando-a triste e a pensão vazia.
O poeta já um pouco vesgo entorna a ultima dose, escrevendo em pé sobre a velha cômoda sobre o olha meigo da pequena Anne Frank -Será se ela tivesse sobrevivido ao tifo e ao campo, o seu diário faria tanto sucesso assim?
A sra. Vince cortou o abacate no meio – a parte boa guardou para si e a aguada deu para o abafado genro. O poeta deu o livro do famoso causídico Evaristo de Moraes sobre o caso Visgueiro – a do desembargador que matou e enterrou uma menina – paixonite de velho para sarja. O encontro com o PM Guilbert que quer se reformar como coronel.
Noite fria – um bom almoço e depois um bode despertando ainda pouco e chuviscando sobre a escurecida Vila Embratel – o poeta deu um pulo no bar da Grandona, quem atendeu-o foi o filho dela. Dois reais da pura.
- Cadê o dinheiro? Perguntou do nada a sra. Vince um pouco acima do chão – Cadê o dinheiro?
Sr. Com ouvido de mercador. Seu Castro ainda no computador. O casalzinho santificado – o poeta tardiamente sintoniza na Radio Senado – uma dose e agua para purificar os rins. O poeta baiano, o Dali do tropicalismo -genial Tom Zé e seus metálicos versos perfurando a minha etílica mente anestesiada.
Coloco dois ovos para cozinhar e bebo o vinho que dormia a quase duas semanas sobre a cômoda. Finalmente seu Castro libera o menino.
O vinho e Carmen Miranda e old Hall(IA) lendo e analisando textos antigos e enchendo o ego desinflamado do poeta.
Monday, 20
O poeta é o poeta e o resto são dizimas periódicas – Um litro de vinho no Gordilho – a chuva no sábado inundou a avenida Sarney Filho no baixio. Dezão todo empolgado, fazendo a segurança do pai, ambos sentados em frente ao deposito deles. Careta. – Quando nas ‘aguas’ insulta os pais chamando-os de miseráveis.
Gordilho foi botar a galinha no fogo e dar banho no pai – as frieiras comicham selvagemente nos dedos dos pés, aves engaioladas trinam pedindo liberdade, o factótum arruma as mercadorias. Um pixixitinho carregando desajeitadamente um saco de cimento e deixa-o na casa de seu Raimundo, o viúvo – o doidinho filho do verdureiro, encostado do lado da porta do salão Costa e logico viajando no Street Fighters. Uma moto estacionad em frente – um cliente e o filhote.
O encontro com doutor Marcos, bacharel em direito e formado em Historia, discípulo de Young Smith dos Mormons.
- Ah! Doutor aquele não posso devolve-lhe –
- Sei, sei poeta – Cavalo de Troia é seu – a mãezinha dele no banco do carona, toda orgulhosa do filho – moraram no Desterro, num quarto no Rudakov e ele andava nuzinho sem maldade pelos becos – Menino bom – entraram na rua 24 -onde reside a tia dele – esposa de pedreiro aposentado João Caraolho convalescente de um derrame.
-Ai tem banana? =- pergunta mãe gostosa sacanamente ao passar pelo poeta em frente ao Gordilho.
- Só aquela – responde o poeta sacanamente.
Ela parou e voltou: - Qual?
O poeta fez o sinal de uma banana cruzando os braços.
- Tu me respeita, buroburo – te dou na tua cara.
Na volta com a sacola com as bananas que comprou mais embaixo
- Guarda a minha lá – disse o poeta.
- Olha aqui para ti! – repete o mesmo sinal – Vai te lascar.
Essa mãe gostosa, nunca perde o rebolado.
O cheiro azedo da cachaça – a mãe do doidinho colocando a sacola de lixona lixeira ao lado do beco, onde ainda pouco o poeta deu uma boa urinada.
- Te liga no sistema – adverte um pixixitinho que há muito tempo não o via e servindo uma dose de vinho.
Bolota ou Marinaldo deu uma quebra de asa na sua amada e veio abastecer-se com uma gorotinha.
Juvan apareceu no final procurando por um facão – o poeta tinha acabado de secar o litro e saia do flagrante.
Lasierra lhe emprestou e o poeta no seu espaço, o mercado, a rua 17 e o Comercial Vila. O poeta lhe parabenizou pela entrevista com a branca.
No começo da noite deu uma volta nas infrutíferas tentativas de beber uma dose – compadre liso, assim com Sam que bebia uma cerva no Charmille e no Ed, sem nada – bom recolheu-se aos costumes e ao you tube.
Terça-feira, 21
Feriado nacional – morte do idiota do Tiradentes e de Tancredo Neves – Meia tonelada de cocaína apreendida pelos PMs em Caxias – hoje vai ter festa no quartel
- O qué caralho? Perguntou o comandante Lsierra em pé, cortando um sachê com um produto para mistura-lo no litro de conhaque, uma de suas perolas etílicas, bem agraciadas pelos habitués – “O Tabaco da India” – Fala, poeta? – falou sem olha-lo com a faquinha tentando sacar a rolha – Essa é a hora mais aperreada para mim – confessou.
- Tá tudo bem – respondeu o poeta com a sacola com os pães – Passei somente para te dar um alô. -desculpou-se e foi saindo com o rabo entre as pernas.
Charmilli lavava o banheiro ao lado, o café, o pão e manteiga o esperava sobre a mesa em frente ao bar – em frente os habitués no seu Raimundo molhando a goela, o restauranteur Cibagoga pensativo olhando vaziamente para sua motinha. O despertar da rua 17 e seus sorumbáticos personagens.
Dentro do mercado, na banca de Joca, seu Eduardo batia o ponto com uma boa dose da ‘marvada’ de São Bento e Joca e o expositor. No canto o negão das polpas barafustava no celular e ao vê-lo perguntou ironicamente:
- Meu filho já voltou a trabalhar?
A rapaziada gargalhou e ao sair do mercado pelo portão único da Avenida Sarney Filho comentou com o irmão de Val: - Eu não quero embainhar a minha faca no buxo de ninguém – e atravessou. E a Fribal em movimento








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