Nos meus tempos de menino, manhã cedo - ainda a noite era só de estrelas no céu e eu de tamanho pequenino -, saía p’ra rua, entre o breu, chovesse ou ventasse lá fora.
Não importava; o que eu qu’ria era chegar primeiro, para ver, no momento derradeiro, passar, ainda antes do raiar do dia, o jovem homem que ia trabalhar, mala na mão, forte e destemido.
E era, pois, por ele quem eu esperava, todas as santas madrugadas, ao resguardo de um tempo tempestuoso, junto à escola onde eu morava, para lhe deixar aceno afectuoso, no seu caminho, até à fábrica.
Cresci; e o meu sonho de menino acabou passando adiante do próprio sonho, outrora sonhado, onde um dia, era eu pequenino, esperei, em banco improvisado, em também ser homem.
Jorge Humberto 23/04/2026
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